EUA

Trump deixa hospital após tratamento de luxo e reafirma seu negacionismo da COVID-19

Após três noites internado com COVID-19 no hospital Walter Reed, Donald Trump recebeu alta nessa segunda-feira (5) e continuará o tratamento na Casa Branca. Apesar de ter ter tido sintomas graves e ter precisado receber oxigênio e medicação, Trump reafirmou seu negacionismo da doença pelo Twitter: “Não tenham medo da covid. Não a deixem tomar conta de sua vida. Estou melhor que há 20 anos.”

terça-feira 6 de outubro| Edição do dia

Foto: G1.

O médico do presidente, Sean Conley, afirmou que o caso foi leve, o que causou questionamentos entre especialistas, uma vez que Trump recebeu três tratamentos diferentes, todos ligados a casos graves da doença.

Conley afirmou que o presidente está há 72 horas sem tomar algum medicamento que diminua a febre, e mesmo assim não apresentou o sintoma. Entretanto, admitiu que Trump vem tomando o corticoide dexametasona, que alivia inflamações.

Pelo Twitter, a infectologista Céline Gounder criticou o médico. “O doutor Conley disse que o presidente não toma medicamentos para reduzir a febre há 72 horas. Ele está errado”, escreveu. “A dexametasona reduz a febre.”

Reforçando as preocupações está o fato de Trump ser o primeiro paciente – ou um dos primeiros – a receber uma combinação incomum de três tratamentos fortes, com suplementos e até um medicamento não regulamentado.

Mesmo recebendo mais de um tratamento e tratamento médico privilegiado, o presidente escreveu em seu Twitter, pouco antes de deixar o hospital: “Não tenham medo da covid. Não a deixem tomar conta de sua vida. Estou melhor que há 20 anos.”

O tom do presidente é ainda desafiador e mostra que ele deve tentar usar o fato politicamente, argumentando que superou a doença. No domingo, ele disse que, por ter contraído o vírus, ele “entendia” a COVID-19 e desmereceu o conhecimento médico. “Aprendi muito sobre a COVID. Aprendi indo realmente à escola. Esta é a escola real. Não é como ler livros”, disse o presidente, em vídeo de 73 segundos, no fim de semana. “Agora eu entendo.”

Donald Trump aparece com dez pontos percentuais atrás de Joe Biden nas pesquisas realizadas depois do primeiro debate presidencial. O comitê de campanha do presidente afirma que ele estará presente no próximo debate, dia 15, em Miami, embora isso quebre o protocolo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que determina quarentena de dez dias após o surgimento dos primeiros sintomas, dependendo da evolução do paciente. Biden disse ontem que aceita debater, desde que os médicos digam que é seguro.

Trump, que vem fazendo um discurso negacionista e anticientífico acerca da doença, continua sustentando que a COVID-19 não é perigosa. Enquanto recebe tratamento da melhor qualidade, defende publicamente o uso da cloroquina e hidroxicloroquina, ambos não utilizados nenhuma vez em seu próprio tratamento.

Enquanto ele afirma que não se pode viver com medo da doença, seu país já computa mais de 210 mil mortos, que não tiveram acesso a testes, direito ao isolamento e tratamento de qualidade como os destinados ao presidente.




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