Política

ELEIÇÕES NATAL 2020

Tropa de candidatos bolsonaristas em Natal são a cara da podridão do regime golpista

Seis candidatos à prefeitura de Natal reivindicam orgulhosamente o legado bolsonarista nas eleições municipais natalenses. Coronel Azevedo (PSC), Coronel Hélio (PRTB), Sérgio Leocádio (PSL), Afrânio Miranda (Podemos), Fernando Pinto (Novo) e Jaidy Oliveira (DC), surfando no aumento de popularidade de Bolsonaro, baseado no auxílio emergencial, que ele próprio foi contra, para fazer das eleições de Natal um polo reacionário contra as vidas negras, das mulheres e LGBTs, do populismo da extrema-direita, defendendo cada ataque do governo e do regime golpista às condições de vida dos trabalhadores e do povo pobre.

Jojo de Paula

estudante de Design da UFRN e militante da Faísca

quinta-feira 15 de outubro| Edição do dia

Essas são as primeiras eleições no país após a eleição de Bolsonaro em 2018, em meio a pandemia do coronavírus que já vitimou mais de 150 mil pessoas no Brasil, sendo o segundo país em número de mortes e contaminados, consequência do negacionismo, da política genocida e racista do governo Bolsonaro. Colocou enfermeiros, médicos a própria sorte, como outros trabalhadores essenciais que ficaram sem EPIs e testes massivos, totalmente alinhado com o presidente Donald Trump dos Estados Unidos, que é o país com maior número de vítimas da pandemia.

Apoiado no auxílio emergencial, Bolsonaro quer se passar por quem “salvou a economia” para os setores de informais e autônomos, vítimas da reforma trabalhista e que não tiveram direito a quarentena, arriscando suas vidas em cima das bicicletas, enquanto permitia que o desemprego chegasse a mais de 2 milhões de famílias. Trabalhadores formais perderam em média 18% dos salários e o preço dos alimentos aumenta a cada dia, enquanto o agronegócio estoca comida e bate recorde de lucros com exportação, assim como os bancos, que receberam R$ 2,9 trilhões de fundos públicos através do pagamento da dívida pública.

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Esta pandemia já vitimou mais de 2.000 pessoas no Rio Grande do Norte, dos quais 60% faleceram só na capital, governada por Álvaro Dias (PSDB), favorito nas eleições e responsável direto por essas mortes. Faltou ao primeiro debate eleitoral para se reunir com o Ministro da Saúde Pazuello em Brasília, e tem por trás da sua campanha dois ministros bolsonaristas, mostrando que quer governar Natal junto aos ataques do governo Bolsonaro. Nesse sentido, queremos com esse texto mostrar a cara podre direita bolsonarista de Natal, sabendo que nossa luta pelo Fora Bolsonaro e Mourão tem que ser também contra Álvaro Dias, Kelps Lima, e cada ator do regime do golpe institucional.

Quem é a banda podre em Natal do regime do golpe institucional

Bolsonaro foi o filho indesejado do Golpe Institucional de 2016 orquestrado pelo o Judiciário e tutelado pelos Militares, que manipularam as eleições de 2018 prendendo e proscrevendo Lula e negando o direito ao voto de milhões com a biometria. Um golpe que veio para acelerar o ataque aos direitos e às condições de vida dos trabalhadores, com a PEC do Teto de gastos e a reforma trabalhista de Temer. Esse projeto foi assumido por Bolsonaro que acabou com as aposentadorias com a reforma da previdência e agora quer aprovar uma reforma administrativa que precariza ainda mais a saúde e a educação.

Esses seis candidatos são a cara da decadência do regime político brasileiro, que avança contra cada direito democrático desde o golpe, fortalecendo o projeto de país autoritário da extrema-direita para reprimir os trabalhadores, as mulheres, negros e LGBTs, e facilitar o caminho desses mesmos ataques.

Apesar de não aparecerem com altos índices de intenção de voto nas pesquisas de opinião, são a expressão mais crua e reacionária do que defende o governo Bolsonaro-Mourão. Em defesa dos supostos valores de Bolsonaro, da moral cristã, a família e Deus, de fortalecimento da repressão policial, da militarização das escolas e da política. Foram responsáveis por agressões da polícia militar a alunos do IFRN, fizeram coro aos ataques à menina de dez anos em Recife e fazem demagogia sobre geração de empregos, sendo que foram parte da aprovação da Reforma Trabalhista e da Previdência.

PSC, PRTB, PSL, Podemos e o Novo são partidos golpistas, que estão do lado dos grandes empresários e apoiam cada ataque do governo Bolsonaro contra os trabalhadores, como a reforma da previdência, a retirada de direitos dos trabalhadores dos correios, além da proposta de reforma administrativa, que irá atacar todos os servidores públicos e privatização de várias empresas públicas, como os Correios e a Petrobras, entregando as riquezas do país para o imperialismo a preço de banana.

Sérgio Leocádio (PSL), do último partido de Jair Bolsonaro, é ex-secretário da prefeitura de Micarla de Souza (PP) e delegado aposentado da polícia civil; Coronel Hélio (PRTB), apoiado pelo General Mourão, vice de Bolsonaro, dividem o mesmo partido, presidido pelo homofóbico Levy Fidelix; Afrânio Miranda (Podemos) do partido do senador Styvenson que se declara isento mas está junto nos ataques de Bolsonaro, é um grande empresário do RN, dono das lojas Miranda, e Fernando Pinto (Novo) também é empresário e faz parte do setor que pressionou o governo a reabrir amplamente a economia em meio a pandemia.

Todos eles defendem abertamente o projeto de militarização das escolas e querem implementar em Natal o programa de escola cívico-militar do governo Bolsonaro, que é na verdade um avanço do autoritarismo nas escolas, pois altera a gestão, transfere a tarefa pedagógica da mão de especialistas para as mãos de policiais, o que fortalece a perseguição política aos estudantes e professores. O que está por trás desse programa é o projeto “Escola sem Partido”, que é um ataque ao ensino crítico, impedindo que os estudantes tenham acesso a debates do seu cotidiano, como machismo, racismo e LGBTfobia.

Todos eles defendem em seus programas o fortalecimento do aparato policial, essa instituição racista que assassinou Geovanne Gabriel em Natal, aos 18 anos, no dia 5 de junho, e que também tirou a vida de George Floyd, João Pedro, Marielle Franco, Ágatha e continua reprimindo e assassinando a juventude e trabalhadores negros da periferia.

O PSC do Coronel Azevedo, ex-sigla de Bolsonaro, é a sigla do asqueroso Witzel, que em 2018 estava no palanque ao lado de Daniel Silveira e Rodrigo Amorim, ambos do PSL, quando estes quebraram a placa de Marielle Franco, vereadora assassinada do PSOL, no Rio de Janeiro. É atualmente deputado estadual e tem seu mandato voltado principalmente para política de militarização. Foi comandante do BOPE no RN, inimigo declarado da juventude negra e trabalhadora e pressionou para a reabertura das igrejas durante a pandemia. Ele defendeu abertamente a repressão policial aos estudantes do IFRN, que protestavam pacificamente contra a intervenção do governo Federal na escolha para reitor do Instituto, e repudiou qualquer punição aos policiais envolvidos na repressão.

Afrânio Miranda (Podemos) é um empresário milionário, com bens declarados em mais de R$ 3 milhões e sua empresa possui dezenas de processos trabalhistas. Acostumado a viver do suor e sangue dos trabalhadores potiguares, esbraveja sobre eficiência e quer cortar gastos.

Sérgio Leocádio (PSL) se orgulha de carregar 30 anos de atividade como delegado da polícia militar, parte da tradição que perpetua a cifra de 9 a cada 10 assassinatos no RN serem de jovens negros, com um patrimônio declarado em mais de R$ 1 milhão. Busca se apresentar como outsider da política, imitando a arminha e os bordões de Bolsonaro, fingindo que não foi parte da prefeitura de Micarla de Souza em 2009 e 2010, como Secretario de Defesa Social. Micarla foi afastada em 2012 por fraude na Secretaria de Saúde. Kelps Lima (Solidariedade), vale mencionar, foi parte deste mesmo governo em 2009, como Secretário de Mobilidade Urbana, período no qual foram retiradas a maioria das estações de transferência.

Coronel Hélio (PRTB), outro com patrimônio chamativo, de mais de R$ 1,8 milhão, também exalta os “valores cristão e patrióticos” ao falar do governo Bolsonaro. Defendeu no debate da BAND que a prefeitura não deve ter só alinhamento com Bolsonaro, mas também com o presidente Trump dos EUA, saudosista da época que Natal foi base militar dos EUA na segunda guerra mundial. Como um bom patriota, defende um país alinhado com os interesses imperialistas. No vídeo gravado por Mourão em apoio a sua candidatura, foi apresentado como defensor da reforma administrativa, sua proposta de “enxugar a máquina pública”, atacando a saúde e a educação retirando direitos dos servidores.

Nestes dois anos de governo Bolsonaro, fica evidente a que a sua promessa de “nova política” não passa de uma carapuça autoritária e reacionária para aprofundar subordinar o país aos mesmos interesses daqueles que sempre mandaram no regime, é que o mesmo que defende Fernando Pinto (Novo): cortes e ataques aos direitos dos trabalhadores, entreguismo para o imperialismo e agrados aos patrões.

Mencionamos aqui os patrimônios dos que passam do milhão, mas as condições de vida de qualquer um deles contrasta brutalmente com a realidade da população natalense, com mais de 40% dos trabalhadores na informalidade, escolhendo entre acertar o aluguel ou fazer a feira, dependendo do auxílio emergencial de R$300, com o qual hoje fazem demagogia.

Como barrar o avanço dos bolsonaristas na cidade?

Para defender os interesses da classe trabalhadora, das mulheres, negras e negros, LGBTs e indígenas, nenhuma negociata pode ser feita com estes setores. Por isso, o caminho da conciliação de classes trilhado pelo PT precisa ser superado por uma alternativa revolucionária, que fortaleça a luta contra a extrema-direita e toda a direita golpista.

Hoje, o PT está aliado com o PSL em mais de 140 cidades e em mais de 600 com o DEM. A impossibilidade de que este partido ofereça qualquer tipo de resposta se expressa nessas alianças, e também na frouxíssima resposta do candidato Senador Jean Paul Prates (PT) para a censura sofrida, que o conjunto da esquerda tem a obrigação de repudiar fortemente, ainda mais em um cenário no qual nossas liberdades democráticas estão sob ataque pelo autoritarismo judiciário, que no último dia 13 decidiu punir a jogadora de vôlei Carol Solberg. Isolda Dantas, deputada estadual do RN e candidata para a prefeitura de Mossoró, está numa coligação com o Avante, Partido Verde e PROS, o partido do reacionário deputado estadual Albert Dickson, que propôs o projeto do dia do Orgulho Heterossexual, na mesma semana que foi aprovado o dia do Orgulho Lésbico. E lança para prefeitura de Salvador (BA), a major Denice Santiago da Polícia Militar, que tem como vice o ex-PM, sargento, pastor e reacionário deputado Isidório do partido Avante.

Esse tipo de aliança não fortalece a luta da classe trabalhadora e dos oprimidos, muito pelo contrário, é esse tipo de aliança que levou ao golpe e Bolsonaro ao poder. O que o PT se propõe é voltar a governar o regime do golpe com a direita e cada capitalista do agronegócio, dos bancos, os fundamentalistas evangélicos, que não querem menos do que o sangue dos trabalhadores para salvar seus lucros. Expressão disso é o fato da governadora Fátima Bezerra ter aprovado a sua reforma da previdência, dizendo que era isso, ou o RN ficaria ingovernável. Claro, o PT não vê outra alternativa a não ser a dos trabalhadores pagarem a crise dos capitalistas em qualquer lugar que governem.

Diante de um cenário em que o conjunto do regime se torna mais autoritário e do fortalecimento do bolsonarismo, o que inclui uma série de ataques ainda mais duros a serem implementados, como a Reforma Administrativa, as eleições deveriam servir para que a esquerda preparasse as batalhas que estão por vir, e não semear a ilusão de que é possível uma Natal feliz e da diversidade por fora de armar uma grande luta nacional pelo Fora Bolsonaro, Mourão e golpistas. Isso necessariamente passaria por defender e levantar um programa que se enfrente com os lucros capitalistas, que lute pela revogação das reformas, da lei de teto de gastos e da lei de responsabilidade e pelo não pagamento da dívida pública, para que sejam os capitalistas que paguem pela crise, como viemos debatendo com o bloco de esquerda do PSOL e também com o PSTU.

Erra a esquerda, como a candidatura da Bancada do Sol (PSOL), que tem como primeiro eixo do programa o fortalecer a Guarda Municipal com mais recursos e contratações, guaritas nas praças, chamando isso de uma “política de paz” para a segurança pública. Não pode ser que seja a esquerda faça parecer que qualquer força repressiva pode ser humanizada, sua paz está a serviço da ordem de exploração racista do nosso país, que não pode ser superada “pacificamente”, eleitoralmente, muito menos municipalmente. Por sua vez, Rosália Fernandes do PSTU, partido que apoiou o motim policial no Ceará que fortaleceu Bolsonaro, defende a polícia como parte dos trabalhadores, ao ponto de em Natal estarem propondo a unificação das polícias, a garantia do direito de greve e sindicalização. Essa política, joga água no moinho desses bolsonaristas direitistas, que só pode ser enfrentada partindo da necessidade de abolir toda e qualquer polícia, como levantado pela luta antirracista nos EUA, pela juventude chilena e colombiana.

Por isso é necessário que as candidaturas estejam a serviço de preparar a batalha contra cada ataque do governo Bolsonaro, Mourão e da extrema-direita, mas também do Congresso Nacional, STF e governadores, e impor na luta uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana - para que possamos fazer nossas próprias leis. Uma constituinte que questione cada instituição do golpe, propondo a abolição dos privilégios dos juízes e militares, que todo juiz seja eleito e revogável, receba o salário de um trabalhador médio. Queremos debater essa necessidade amplamente e defendemos que é urgente a construção de uma alternativa revolucionária e socialista em Natal, é a serviço disso que está o Esquerda Diário.




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