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Tratamento da doença do COV-19: contra Bolsonaro e a favor da ciência

Gilson Dantas

Brasília

quarta-feira 2 de dezembro de 2020| Edição do dia

[Crédito de imagem: Jornal Opção]

Parte 1

É fácil deduzir que essa pandemia não se resolve com nenhum medicamento.

Não há bala mágica que contorne as privações sociais e de alimentos que o governo Bolsonaro vem impondo ao povo pobre, destituindo postos de trabalho, achatando renda e cortando os mais elementares direitos trabalhistas.

E também parece evidente que o governo brasileiro, na sua impotência diante da pandemia, reduz sua política [ou não política] a acenar com uma droga, a hidroxicloroquina, como se fosse a saída da pandemia, e o faz para poder continuar praticando sua política desastrosa. Política de zero proteção aos grupos de risco, zero proteção aos trabalhadores da saúde, nada de testes massivos, além de uma ofensiva contra a classe trabalhadora, os trabalhadores informais, achatamento de renda e destruição do Estado brasileiro e conquistas sociais.

E, enquanto isso, promove a mais ampla politicalha – um verdadeiro circo - em torno da hidroxicloroquina [e sua ridícula tubaína] e a isso se reduz a sua grotesca política sanitária.

Portanto, esse é um ponto crucial.

Não há como substituir a desastrosa e antissocial política sanitária do governo por qualquer tipo de medicalização da doença.

Mas não deixemos de lado – encarecidamente proponho – a mais implacável dialética: diante da pessoa que adoeceu do coronavírus, que apresente os primeiros sintomas de uma eventual escalada da doença, tipo tosse, perda do olfato, febre alta, fraqueza e coriza, a única saída para tentar evitar a progressão da doença para pior, para a UTI ou óbito, é medicalizar.

Neste ponto, não há como fugir da medicalização.

E se é fato que Bolsonaro faz a demagogia da droga – e não passa disso, demagogia pura e simples para encobrir sua falta de política – também é fato que não pode ser opção para a esquerda consequente, simplesmente ignorar o que ocorre no mundo em termos de tratamento clínico para a doença.

Ou adotar, simplesmente, o senso comum fabricado pela OMS e outras agências de Estado de que não há tratamento.

Isso sim, significa negar que a ciência é produzida no marco de interesses econômicos e políticos, negar o desinteresse da Big Pharma em tratamento barato e despatenteado, negar que pessoas estão sendo curadas mundo afora por hidroxicloroquina+azitromicina +zinco ou por ivermectina, significa negar o inegável e entregar-se a todas as manobras/sabotagens da grande mídia, em nome da ciência, que estão sendo feitas todos os dias para destituir e ilegalizar aquele tratamento.

Negar experiências clínicas de países como França, China e outros [e de médicos brasileiros] que estão salvando vidas com o uso daqueles medicamentos, na prática, significa deixar a classe trabalhadora sem opção de tratamento por razões ideológicas e por falta de abertura à ciência ou incapacidade de ver para além da big mídia.

Tudo em nome de fazer política contra o governo reacionário.

Mas a verdade é que podemos ser contra o governo que manipula de forma grotesca o tratamento do COV-19, ao mesmo tempo em que lutamos para que vidas humanas não sejam perdidas porque não foi oferecido tratamento.

A bandeira do tratamento - e seu debate - não pode ficar nas mãos sujas e hipócritas de Bolsonaro.

Claro que Bolsonaro não está interessado na sobrevivência da classe trabalhadora, já que, tendo nas mãos o aparato de Estado, nada faz de concreto contra a crise sanitária e social. Cabe aos ativistas sociais defender o povo pobre, o trabalhador e sua família e isso não pode passar por fora da batalha pelo tratamento – por zerar a carga viral etc – para impedir que as pessoas cheguem à UTI ou ao óbito somente porque o debate do tratamento está bloqueado por qualquer que seja a razão.
E mortos não esperam por vacinas.

Tentando deixar mais claro: não estamos propondo apenas medicalizar. Temos consciência de que não existe bala mágica para um corpo debilitado pelo desemprego, privações e a opressão desse regime. E nem substituto algum, farmacológico, para o grave crime social e sanitário do governo.

Crime de deixar faltar, sobretudo, testes PCR massivos – que o governo nunca quis fazer - deixar de testar e proteger os infectados pobres requisitando os hotéis, spas e resorts para alojá-los, alimentá-los, banho de sol, lazer, até zerarem a carga viral e, sobretudo, sustar as medidas sociais e trabalhistas contra a classe trabalhadora e o povo pobre que Bolsonaro-Guedes-Mourão-STF tomam todos os dias.

E tudo isso está para além do remédio.

Mas sejamos consequentes: vidas da classe trabalhadora importam e vidas podem ser salvas por aqueles medicamentos a partir do momento em que o vírus já está instalado, nos primeiros dias em que ele esteja avançando para os pulmões.

Parte 2

Diariamente a grande mídia [UOL, G1, Estadão e sites de esquerda ou progressistas] nos bombardeiam com sua opinião de que não existe tratamento para o COV-19 e tratam de estabelecer o dogma reducionista de que hidroxicloroquina é coisa do Bolsonaro-Trump e estabelecem, também dogmaticamente que nenhuma opinião científica [ou clínica] fora dessa bolha interessa. Que o debate só pode ser político: hidroxicloroquina vem do Bolsonaro, logo não passa de jogo político em cima de uma droga fake.

Acontece que a hidroxicloroquina [que, sim, da parte de Bolsonaro é puro jogo político-demagógico] vem sendo usada no COV-19 antes do Bolsonaro [por médicos franceses, marroquinos, norte-americanos, chineses, hindus etc]. E, por outro lado, no meio de uma guerra, com vidas sendo perdidas, a ideia mais desumana que pode haver [e que para nada honra a nossa medicina] é a de descartar uma droga porque é manipulada politicamente pela extrema-direita. O mesmo vale para a ivermectina, e com muito mais razão.

Na nossa perspectiva, no mínimo, não é uma boa ideia se localizar ao lado dos que preferem deixar que vidas sejam perdidas. Parece mais lógico atravessar a névoa reacionária da política e da grande mídia pró-Big Pharma e tratar de checar se hidroxicloroquina/ivermectina podem salvar vidas.

Ao final de contas, em uma guerra contra a doença do coronavírus para a qual se alega que não há tratamento, a grande pergunta é: estamos diante de drogas úteis ou não para o tratamento da COV-19]?

Essa é a pergunta elementar [e clinicamente relevante] que deu origem ao livrorecém-publicado Coronavírus: a doença e opções de tratamento.

No entanto [no terreno da chamada ciência médica], existe uma barreira colossal a qualquer projeto como o desse livro.

E curiosamente, esse obstáculo escapa à maioria das pessoas.
Por isso, é preciso mencioná-lo antes de mais nada.

Em poucas palavras: o nosso grande problema é que a medicina dominante não é neutra, ela está plenamente alinhada com o discurso e os interesses da Big Pharma e do complexo médico-industrial. E isso tem consequências.

Em uma sociedade controlada pelo grande capital, a voz do dono, por assim dizer, está amplamente presente no mundo dos medicamentos.

Essa é a grande paisagem por traz da atual discussão sobre o tratamento do COV-19 [e de outras doenças lucrativas, claro]. Dito de outra forma: não vai haver interesse - dos donos do poder - por drogas baratas e despatenteadas. Isto é, com as quais a Big Pharma não consiga sua taxa de lucro adequada.

Se toda a indústria terapêutica e de equipamentos médico-hospitalares é dominada pelo grande capital [pelo capital financeiro], e se este persegue inapelavelmente a maior taxa de retorno para seu investimento [lucro], como vão ter interesse em pesquisar ou investir em medicamentos que não dão patentes [propriedade industrial], que são baratos e que, portanto, qualquer concorrente com menos capital pode fabricar e lançar no mercado?

E por que permitiriam que um antiviral barato [ivermectina/hidroxicloroquina] desloque um produto de elite da Big Pharma, extremamente lucrativo [o remdesivir, por exemplo, que eles querem empurrar a todo custo] [1]?

Entender essa realidade até o final, perceber a dificuldade absurda que isso implica é algo essencial e que compõe o pano de fundo do debate do COV-19.
Entender isso significa começar a ter claro que esse obstáculo para o qual estamos chamando a atenção, é o que pode explicar porque é tão difícil encontrar grandes pesquisas clínicas sobre drogas dessa natureza, isto é, fármacos sem dono e que qualquer um [e qualquer Estado] pode fabricar livremente.

Isso vale para progesterona, pregnenolona, bicarbonato de sódio, ácido acetil salicílico [AAS], CO2, azul de metileno, tireoide dessecada e toda uma longa lista – todos eles baratos e sem patente – sobre os quais existe farta pesquisa científica de longa data por um lado, isto é, pesquisa ultrafavorável a tais produtos, mas por outro, é difícil encontrar trabalhos clínicos, estudos de caso controlados, ensaios clínicos.

Ou seja, há ciência mostrando sua utilidade e seu potencial, mas não há interesse da Big Pharma – nem da burocracia que dirige hospitais públicos muito menos da burocracia médica – em promover estudos clínicos [2]. E nem se trata de fármacos tóxicos como tantos que, a despeito disso, são aprovados [3]. E já tivemos tempo suficiente para fazê-lo: centenas de ensaios clínicos como os de Marselha [4] já poderiam ter sido feitos, por exemplo.

Mas o fato é esse: não vamos encontrar, facilmente, estudos clínicos sobre aqueles fármacos. E, vale repetir, são estudos muito fáceis de serem feitos [5].
O leitor mal informado poderia pensar: se são drogas de reconhecido potencial terapêutico, deveria haver trabalhos imediatos e interesse. Mas não há. Nem um nem outro. Não há motivação material, digamos.

Apenas um exemplo: o AAS [ácido acetil salicílico] é, cientificamente um fármaco com grande potencial anticâncer, antiviral, antiinflamatório e assim por diante. Não que isso seja muito divulgado, claro. Mas existe farta literatura científica sobre isso, a partir de vários países.

E há pacientes que aceitariam usar o AAS adequadamente para sua doença grave, com acompanhamento médico.

No entanto, isso não acontece. Enquanto sobram pesquisas científicas em vários países, pela positiva, faltam estudos clínicos de caso. Não constituem tema para revistas médicas em termos de estudos clínicos observacionais [os mais simples e rápidos] e que constituem o primeiro passo científico para validar clinicamente um fármaco [6].

E a situação fica ainda mais surreal pelo fato de que as mesmas pessoas que são críticas à mercantilização da medicina, costumam não conseguir perceber até o final esse fenômeno, ou seja: que também as revistas médicas, também os hospitais e, obviamente, a terapêutica, foram mercantilizados e seus donos são os grandes capitais, o grande capital financeiro. Não foi apenas o medicamento que virou mercadoria. Tudo virou mercadoria.

Daí a profunda ingenuidade de pessoas críticas e inteligentes, mas que diante de drogas sem patente [ivermectina é apenas um exemplo] capitulam: se a mídia/medicina dominante diz que “não funciona” e que “não há evidências” então deve ser verdade. Caso contrário, as evidências apareceriam, e estariam nas revistas médicas.

Não se dão conta que as coisas não funcionam exatamente assim. Não no capitalismo.

A história da medicina capitalista tem uma longa lista de fármacos e procedimentos médicos conhecidos, estudados e com resultados clínicos [em cura de casos], mas que são destituídos por razões nada médicas.

Pode ser importante que o leitor tome o livro aqui citado [Coronavírus: a doença e opções de tratamento] com atenção [7] e tire suas próprias conclusões. Apenas isso.

E que oxalá consiga pensar mais com sua própria cabeça – ao ler o contraditório aqui presente, e procure tirar suas próprias conclusões sobre uma questão que antes de ser política é médico-científica e envolve perder ou salvar vidas.

Sim está em marcha uma guerra sem quartel da grande mídia [patrocinada também pela Big Pharma], da burocracia médica/OMS/Anvisa contra toda droga que possa desbancar as mais caras e patenteadas. Sua agilidade e determinação de combate salta aos olhos.

Ora, se isso é evidente, o que em todo caso nos surpreende não é o fato de que as burocracias médicas se lancem a reprimir os procedimentos médicos para o COV-19 os quais – na sua perspectiva – são inaceitáveis.

O realmente chocante, surpreendente e decepcionante é não demonstrarem qualquer preocupação em incentivar o estudo clínico e observacional imediatamente [off label] para checar se a droga [ivermectina/hidroxicloroquina] pode salvar vidas na clínica, aqui e agora [8].

Limitam-se a reprimir, vetar, destituir drogas conhecidas pela medicina, inclusive aprovadas pela Anvisa e, portanto, perfeitamente disponíveis para estudo clínico. Esse desinteresse em pesquisar na clínica, aliado à rapidez com que operam para suprimir as drogas, revela o caráter burocrático daquelas castas.

Entre a burocracia e a vida, a escolha é clara.

O problema para todos nós, para a classe trabalhadora, é que enquanto essa alta burocracia [que inclui donos de hospitais etc] – na sua condição de extensão do Estado dominante e de suas agências – continuar decidindo monocraticamente [como guardiã muito mais da grande indústria farmacêutica do que da vida humana], situações como essa se repetirão. E mentiras, de tão repetidas no Jornal Nacional, se tornarão senso comum.

Enquanto não houver liberdade para a pesquisa independente e na perspectiva do paciente e da classe trabalhadora, drogas baratas e que não dão patentes continuarão sendo burocrática e sumariamente destituídas. Ignorando solenemente as experiências e estudos observacionais positivos [que estão acontecendo], mas sempre se posicionando em nome da ciência e invariavelmente tratando de, autocraticamente, suprimir e desconsiderar as vozes dissidentes no campo da ciência e da medicina.

Por fim, não nos surpreendamos se - depois das várias experiências científicas fake [9], feitas de encomenda para destituir a hidroxicloroquina – essas duas drogas [hidroxicloroquina e ivermectina] forem, a qualquer momento, simplesmente suprimidas dos protocolos médicos, por algum pretexto.
Banidas sumariamente.

Para isso, basta apenas mais uma experiência feita de encomenda [uma falácia, para usar o termo técnico, uma experiência feita com viés de publicação] e que se some à junk science antihidroxicloroquina já existente. Às vezes basta o silêncio: não mencionar mais a droga na mídia [caso da fosfoetanolamina][10] e que prevaleça a lenda.

A Big Pharma está trabalhando nesse sentido, já que não pode permitir que medicamentos sem margem de lucro venham a ocupar, no mercado, o lugar dos seus bem mais lucrativos remdesivir e interferons.

E basta, para que isso se imponha, que os trabalhadores da saúde, seus partidos e suas organizações permaneçam em silêncio, como se o tratamento do COV-19 não fosse um problema e um debate político que a todos nos diz respeito e envolve vidas humanas.

[Esse artigo não representa uma posição do MRT sobre quaisquer medicamentos e sim a opinião do autor].

NOTAS:
[1] Confira Apêndice 2, ao final do livro Coronavírus: a doença e opções de tratamento, sobre o escândalo do Remdesivir, da multinacional Gilead.

[2] Aliás, a mesma burocracia [conselhos, associações, sociedades] que age insistente e implacavelmente contra ivermectina ou qualquer antiviral promissor, porémq não seja oriundo da Big Pharma.

[3] Clássico exemplo é o Vioxx, aprovado pelas agências controladoras [FDA, Anvisa] e que matou dezenas de milhares de pessoas. O próprio paracetamol continua nas prateleiras, apesar de hepatotóxico comprovado. Entre vários outros exemplos. Sobre os efeitos colaterais do remdesivir, isso sequer é mencionado. Confira a mortandade promovida pelo Vioxx aqui Do Dr Raoul Didier, do Instituto Mediterraneé de Marselha.

[5] Ver Apêndice 5, do livro Coronavírus: a doença e opções de tratamento, sobre metodologia de estudos clínicos.

[6] Sobre essa modalidade mais simples de trabalho científico, ver Apêndice 5 - Uma opinião metodológica sobre estudos em série de casos clínicos, que consta do livro Coronavírus: a doença e opções de tratamento

[7] O qual não substitui – quando o tema é tratamento - o aconselhamento do seu médico de confiança, óbvio.

[8] Embora, como este livro vai relatar, um grande número de médicos [prontamente repudiados pela grande mídia/burocracia médica] faça isso e esteja salvando vidas.

[9] A mais famosa delas foi a do The Lancet. Mas temos a do JAMA e a do New England e uma longa lista em aberto e que não pretende ser fechada até conseguir destituir drogas incômodas para esse sistema mercantil.

[10] Quem tem medo da “pílula do câncer”? Dilma sanciona projeto de lei e a corporação médica vai ao Supremo




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