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Precarização do trabalho | Trabalhadores têm trabalhado mais para receber menos, aponta estudo

De acordo com o último boletim do FGV Ibre, a renda média do trabalho vem sofrendo queda mesmo com a retomada do emprego. Segundo o economista autor do estudo, os trabalhadores têm trabalhado mais horas enquanto seus salários não recebem reajuste, sendo destruídos pela inflação.

terça-feira 26 de abril | Edição do dia

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2021 contou com um cenário de recuperação do emprego no Brasil, mas esse aumento na quantidade de pessoas trabalhando não necessariamente se converte em uma melhora da qualidade de vida da classe trabalhadora em geral.

Segundo o estudo, fatores globais têm afetado os setores de serviços e indústria, como as quebras nas cadeias globais de produção, afetadas inicialmente pela pandemia e agora também com a guerra na Ucrânia. Os empresários então, para proteger seus lucros a todo custo, deixam que a inflação destrua o poder de compra dos trabalhadores e não reajustam os salários.

Além disso, trabalhadores com nível de ensino superior têm visto seus salários diminuírem mais do que trabalhadores com ensino médio e fundamental. Isso se deve a dois fatores: o primeiro é a precarização e uberização do trabalho, o que leva muitos trabalhadores à informalidade, não entrando nos cálculos de renda do estudo, mesmo que recebam muito pouco e trabalhem por muitas horas. O segundo é que trabalhadores de ensino superior estão cada vez mais trabalhando “por conta”, ou seja, trabalhando como prestadores de serviço. Isso faz com que não tenham garantias trabalhistas e por isso seus salários são menores.

Os ataques da burguesia por meio do governo de Bolsonaro contra a classe trabalhadora foram muitos, e o aumento do desemprego durante a pandemia foi utilizado por eles para que se baixasse cada vez mais o nível dos salários. Essa retomada dos empregos com menor remuneração pelo trabalho não é uma mera coincidência, mas antes uma demagogia de Bolsonaro, que ao aumentar o nível de desemprego levou os trabalhadores a aceitarem qualquer tipo de trabalho e com salários ainda menores para não ficarem desempregados. Em seu governo o país bateu o recorde de abertura de MEIs, categoria de trabalho onde o trabalhador atua como uma micro empresa, sem direitos trabalhistas.Também em seu governo se popularizou o emprego híbrido, com jornadas semi-presenciais precarizadas, e também se multiplicou o número de crianças que trabalhampara ajudar a complementar a renda da casa.

Tudo isso é consequência direta da reforma trabalhista aplicada pela burguesia, já em curso no governo Temer e aprofundada pelo governo Bolsonaro. Essa reforma permite que ao mesmo tempo que o total de horas trabalhadas aumente a renda por hora trabalhada diminua, enquanto os preços de insumos básicos para viver disparam nos mercados.
Já o PT de Lula não prevê a revogação completa dessa reforma, indicando que seu governo será de conciliação e não se enfrentará até o final com a obra do golpe de 2016. É preciso uma organização da classe trabalhadora independente de setores da direita, como fazem hoje o PT ao se aliar com Alckmin ou o PSOL se federando com a REDE, para se enfrentar com esse projeto de país que precariza cada vez a vida de milhões de trabalhadoras e trabalhadores.




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