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Trabalhadores rurais peruanos retomam protestos por melhores condições de trabalho

Os trabalhadores agrícolas do Peru bloquearam mais uma vez diferentes estradas no país como uma forma de rejeição ao Parlamento que no domingo passado não aprovou a lei do novo regime de trabalho que deveria melhorar as condições de trabalho. Nesta terça-feira, cerca de 500 policiais chegaram à região de Ica para reprimir e tentar expulsar os manifestantes.

quarta-feira 23 de dezembro de 2020| Edição do dia

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Os trabalhadores rurais do Peru alcançaram uma importante vitória nas últimas semanas, após uma semana de protestos que obrigaram o Congresso a revogar uma lei agrária neoliberal herdada da era Fujimori. No entanto, essa vitória ainda não se traduziu em uma nova lei que atendesse às demandas do setor. O Parlamento vem adiando a elaboração de um novo texto que leve em conta as reivindicações dos trabalhadores agrícolas. Daí surgiu o novo conflito que desde ontem se expressa no bloqueio de várias estradas.

Na sessão plenária do Parlamento, realizada no último domingo, 20 de dezembro, os parlamentares não chegaram a um acordo quanto ao texto substitutivo que propunha um novo regime trabalhista rural. Por este motivo, o novo texto em discussão não foi aprovado, pois obteve apenas 25 votos a favor, 43 contra e 46 abstenções. Durante esta semana, este importante assunto que afeta milhares de trabalhadores agrícolas será discutido novamente.

Podemos lembrar que há semanas os trabalhadores do campo realizaram uma forte greve com bloqueios de estradas que obrigou o Congresso a revogar o desastroso regime de promoção agrária aprovado durante o governo de Alberto Fujimori que concedeu uma série de privilégios aos grandes empresários agroexportadores e precárias condições de trabalho para milhares de trabalhadores do setor.

Apesar dos limites do novo texto que vinha sendo discutido no Congresso, os grandes empresários do campo - por meio da mídia - têm feito uma campanha publicitária para desqualificar a justa luta dos trabalhadores rurais e fazer crer que se os privilégios comerciais dos capitalistas são eliminados ou reduzidos - mesmo que minimamente - a economia entra em colapso e o país entra em colapso.

Isso não é verdade, pois o boom da agroexportação que gerou expressivo crescimento econômico só beneficiou os proprietários dessas grandes empresas sem que isso se refletisse em melhores condições de vida ou melhores serviços para seus trabalhadores. Portanto, os índices de pobreza e extrema pobreza entre os trabalhadores agrícolas e suas famílias aumentam a cada dia. Além disso, em decorrência dos benefícios fiscais proporcionados pelo antigo regime agrário, os agroexportadores deixaram de pagar importantes quantias ao Estado.

Em função dessa ação do Congresso, desde a madrugada desta segunda-feira, 21 de dezembro, foram realizados bloqueios em diversos pontos da Panamericana Norte, na região de La Libertad. Da mesma forma, e de acordo com relatórios do Canal N, em Ica, milhares de trabalhadores rurais bloquearam novamente a Rodovia Pan-Americana do Sul (entre os quilômetros 290, 300 e 310), com piquetes e barricadas. Os manifestantes argumentam que já esperaram 15 dias desde a greve anterior e que não há solução para suas demandas por melhores condições de trabalho que se expressem em um novo regime de trabalho.

O Governo de Sagasti enviou mais de 500 policiais para a região de Ica onde, desde segunda-feira à noite, ameaçam repressão e despejo.

Desta forma, evidencia-se, mais uma vez, que o Congresso da República mantém uma estreita relação com os interesses dos grandes empresários, o que os tem levado a se dissociarem das reivindicações sociais da classe trabalhadora e do povo empobrecido pela terrível crise econômica que o Peru atravessa hoje. Esta é uma das razões que gerou a profunda perda de prestígio dos poderes do Estado e da chamada “classe política peruana”.




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