Internacional

Trabalhadores no Haiti iniciam greve geral

Em meio a uma devastadora crise econômica e a uma crescente onda de crimes os sindicatos de todo o país fizeram um chamado à uma greve geral tanto pela onda de sequestros quanto contra o regime corrupto de Jovenel Moïse.

quarta-feira 3 de fevereiro| Edição do dia

Indústrias de todo o Haiti fecharam na última segunda-feira (1), e trabalhadores de vários setores paralisaram as atividades em adesão à greve geral de 48 horas. A greve foi convocada pelos sindicatos após anos de luta no país contra a violenta austeridade e a corrupção dos governos. Parte dos motivos para o chamado da greve geral é a recusa à renúncia pelo atual presidente do Haiti, Jovenel Moïse, cujo mandato terminaria no dia 7 de fevereiro de acordo com a constituição. Möise afirma que seu mandato termina em 7 de fevereiro de 2022, pois foi eleito em 2017 para um mandato de 5 anos.

Muitos temem que Möise esteja preparando um governo ditador no Haiti. Ele não chamou eleições no período exigido, e desde janeiro de 2020 vem governando por decreto, sem parlamento. Möise também indicou membros para um comitê que reescreverá a Constituição do Haiti, despertando o medo em muitos que relembram as décadas sob a ditadura da família Duvalier que só terminou em 1986. É ainda mais preocupante pra classe trabalhadora haitiana o fato de Möise (assim como foi com os Duvalier) ser apoiado pelos EUA. Isso mostra que, se for necessário, os Estados Unidos usarão todo o seu poder imperialista para manter Möise no poder enquanto represente seus interesses imperialistas. Qualquer leitura superficial da história revelam que os interesses imperialistas dos Estados Unidos implicam em uma devastação para a classe trabalhadora haitiana e para outros países sob seu jugo.

Outra razão que está por trás do início da greve geral é o aumento das taxas de criminalidade no país, principalmente o aumento dos sequestros. O aumento exorbitante na taxa de sequestros (estima-se que quatro pessoas são sequestradas por dia) levou a greves anteriores dos trabalhadores da saúde em novembro do ano passado. Os sequestros ocorrem em troca de resgates, e começou a atingir a classe trabalhadora, além de claro, os ricos.

Entretanto, não devemos cair na onda capitalista de nos concentrarmos nessa onda de sequestros. Os capitalistas, incluindo o presidente Möise, querem colocar o crime como uma falha moral de indivíduos. Embora claramente não devemos apoiar sequestros, devemos ter claro que estes crimes - como a maioria dos outros crimes - são sintomas das más condições materiais a que são submetidas a classe trabalhadora e os oprimidos. Dada a crescente crise capitalista, não é de se admirar que haja um aumento da criminalidade. O desespero econômico que os Estados Unidos e seus aliados imperialistas impuseram sobre o Haiti só aprofundou a medida que a crise atual se espalha pelo globo. 60% dos haitianos vivem na pobreza e 25% na extrema pobreza. Essa pobreza não ocorre de forma natural; pelo contrário, é resultado de décadas de opressão imperialistas e de outras potências. É de se imaginar que tantos vejam como única opção recorrer ao crime.

De fato, o crime entre os trabalhadores é uma forma de manter essa classe dividida. Eles nos levam a guerrear por restos enquanto garantem seus banquetes. A solução não é, como sugeriu Möise, que os trabalhadores ajudem a polícia a encontrar criminosos em potencial, mas sim se organizar junto a organizações de trabalhadores fortes, militantes e revolucionários para enfrentar ao Estado e o bárbaro sistema capitalista.
Também é fundamental para os socialistas em países imperialistas como os estados Unidos lutar contra a opressão imperialista em outros países. Historicamente, os países imperialistas usam de seus ganhos ilícitos para fazer concessões aos trabalhadores locais, para que estes trabalhadores façam vista grossa ao imperialismo de Estado. Essa é uma barganha diabólica, negociar as condições dos trabalhadores estrangeiros por condições para trabalhadores das nações imperialistas. Isso deve ser combatido de forma contundente e constante.

Os trabalhadores do Haiti mais uma vez se mobilizam contra seu governo corrupto que os afunda ainda mais na crise econômica. Toda solidariedade aos trabalhadores do Haiti e a todos aqueles que lutam por melhores condições em todo o mundo! Nenhum de nós é livre até que sejamos todos livres!




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