Sociedade

ENCHENTES, COVID E DENGUE NO ACRE

Trabalhadores na linha de frente: médico e assistente atendem população dentro da água no AC

Enquanto governos garantem lucros para empresários e a garantia de troca de interesses políticos entre eles, são os trabalhadores da saúde que estão na linha de frente pela vida dos moradores no Acre e em todo o país. O estado sofre com enchentes, covid e dengue. A situação é de calamidade. A força dos trabalhadores mostra exemplo de que é a classe trabalhadora e a juventude de conjunto que podem e devem fazer com que sejam os capitalistas que paguem por essa crise.

terça-feira 23 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Lucas Melo/Arquivo pessoal

Com fortes enchentes na última semana, dez das 22 cidades do Acre tiveram transbordamentos de rios. A região ainda vive surto de dengue e covid-19, com falta de leitos em todo o Estado e, na fronteira, imigrantes não conseguem deixar o Brasil.

Veja aqui: Enchentes, dengue e COVID-19 no Acre: o resultado da barbárie capitalista.

Em meio à velocidade de elevação do nível do Rio Tarauacá, na cidade de mesmo nome, uma imagem chamou a atenção: o médico Rodrigo Damasceno realizava o atendimento de uma criança de 2 anos em uma rua alagada. O flagrante foi feito por um dos moradores do bairro da Praia, um dos mais atingidos pela cheia.

"A situação era tão crítica que saí pelas ruas alagadas de barco, prestando auxílio, fazendo atendimentos. Temos um trabalho voluntário que atende a comunidade gratuitamente, todos os meses. Sempre escolhemos um bairro e fazemos a atividade de atendimento médico especializado", conta Damasceno.

De barco, ele circulou por todos os bairros alagados. "Na hora em que atendi aquele menino, eu estava dentro da água porque tinha acabado de sair de uma casa", conta. "Montei uma espécie de consultório ali mesmo, com a assistente." Com a divulgação da foto, ele recebeu muitas mensagens de colegas. "Muita gente, de vários Estados e até de fora, me mandou mensagem comentando", diz.

Os municípios de Tarauacá e Sena Madureira estão com 70% do território tomado pela água. Cerca de 150 mil acrianos foram afetados. Nas duas principais cidades, Rio Branco e Cruzeiro do Sul, há cerca de 4,3 mil desabrigados e desalojados.

Enquanto o Estado registra 54,7 mil casos do coronavírus, também enfrenta um surto de dengue, o que causa a saturação dos sistemas de saúde público e privado. Há falta de leitos de enfermaria, serviço semi-intensivo e de UTI, segundo a Secretaria de Saúde do Acre.

Enquanto o Estado não garante nada pela vida da população - porque está mais preocupada em garantir os lucros dos empresários e demais interesses políticos - mais uma vez são os trabalhadores da saúde que tomam a linha de frente em luta contra o negacionismo e a política de abandono dos governos. Enquanto Bolsonaro com seu novo aliado na Câmara, Arthur Lira (PP), querem atacar ainda mais a saúde, diminuindo orçamentos para garantir dinheiro ao Centrão, são os trabalhadores da saúde que mostram em quem se pode confiar e depositar as forças.

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É urgente um plano de emergência que atenda todas as necessidades da população acreana, como ampliação dos leitos de UTI, respiradores e moradia aos afetados pela enchente.

Contém conteúdo da Agência Estado.




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