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Trabalhadores do Hospital da USP aprovam paralisação até que todos sejam vacinados

Os funcionários do Hospital Universitário da USP, o HU, votaram em assembleia paralisar as atividades por tempo indeterminado até que todos os trabalhadores do hospital, efetivos e terceirizados sejam vacinados. São quase 2 mil funcionários. No entanto, foram recebidas até o momento 200 doses de vacina e não há informações sobre quando chegarão as demais doses, tampouco a ordem em que cada setor será vacinado. Três funcionários do hospital morreram vítimas da covid-19.

quinta-feira 28 de janeiro| Edição do dia

A superintendência do Hospital, justifica a demora dizendo que o município só liberou até o momento essas 200 doses. No entanto, desde o início da pandemia o superintendente Paulo Ramos Margarido se recusou a tomar medidas elementares, como as contratações emergenciais e o afastamento do grupo de risco chegando a afirmar que o HU estaria livre da covid. As internações e o aumento do contágio no hospital demonstraram o contrário. Além disso, não é transparente em relação a vacina, criando um clima de insegurança e indignação entre os funcionários. Margarido também se recusa a dialogar com o Sindicato dos Trabalhadores da USP, o Sintusp. De acordo com o sindicato a paralisação deve começar no dia 1º de fevereiro e por tempo indeterminado. As principais reivindicações votadas nas assembleias do dia 26 e 27 foram:

1) Vacinação para todos que trabalham no HU, efetivos, terceirizados e residentes. Transparência quanto as datas que chegam as vacinas e em qual ordem cada setor será vacinado;

2) Cumprimento imediato da liminar deferida nos autos do processo ação coletiva no1000387-72.2020.5.02.0080, com liberação imediata dos trabalhadores do grupo de risco, ao mesmo tempo, definição das áreas de risco do Hospital, exigimos a criação de um grupo de trabalho entre administração, sindicato e representantes dos funcionários, com técnicos especializados para a definição das áreas de menor risco. Considerando que enquanto não há vacinação para todos, não há áreas sem risco dentro do hospital, visto que esses trabalhadores estarão expostos no próprio hospital e no transporte;

3) Frente a pandemia, é inaceitável que o superintendente mantenha postura intransigente ao não receber e dialogar com o sindicato e os trabalhadores, tomando ações sem nenhuma transparência;

4) Transparência no número de trabalhadores que serão contratados e renovação dos trabalhadores temporários que já estão no HU.

Sobre a vacinação, Babi Della Torre, trabalhadora do hospital e representante dos funcionários no Conselho Universitário da USP declarou:

“É preciso vacinar já todo o corpo de funcionários do hospital, sejam efetivos ou terceirizados. E vacinar sem demora toda a população. Isso é elementar! Temos um presidente negacionista que fez de tudo para boicotar medidas que impedissem as mais de 200 mil mortes. Mas não fez sozinho, contou com a ajuda de toda a casta política golpista que aproveitou a pandemia para passar ataques profundo aos trabalhadores.

João Doria, que tenta se colocar como o paladino da vacina, mas foi ele quem mandou demitir centenas de trabalhadores terceirizados da Saúde, e que com sua Reforma Administrativa tentou fechar a Fundação para o Remédio Popular, a FURP. Além disso também tentou lançar um ataque profundo às universidades estaduais, mexendo no orçamento, tendo retrocedido posteriormente. Agora tenta impor o retorno às aulas sem nenhuma garantia de adequação das escolas e sem consultar a comunidade escolar. Ou seja, pura demagogia é o que faz!

Por isso os trabalhadores precisam se organizar para responder a essa situação extrema em que vivemos. Temos que nos apoiar na nossa classe para garantir que todos sejam vacinados. Que todos os funcionários do hospital recebam a vacina urgente. Que não fique uma trabalhadora terceirizada do hospital sem ser vacinada, pois é isso que vai acontecer se dependermos da superintendência. Por isso, essa paralisação é pela vida!”

Veja aqui o boletim completo do Sintusp:




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