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Greve Detran-RN | Trabalhadores do Detran-RN fazem ato em Mossoró e arrancam negociação com Fátima Bezerra

Na manhã desta terça-feira, 28, os trabalhadores do DETRAN-RN realizaram uma ação na cidade de Mossoró, onde até o dia 30 de setembro é sede do governo estadual, que reuniu servidores da capital e interiores em caravana. A greve do DETRAN-RN completa um mês no próximo dia 2 de outubro.

quinta-feira 30 de setembro | Edição do dia

Durante o ato, encontraram com a governadora Fátima Bezerra (PT), que a princípio se recusou a recebê-los na sede de governo, mas após insistência os trabalhadores conseguiram entregar em mãos um ofício com as reivindicações da categoria.

As reivindicações da greve são a reestruturação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR), que inclui a reposição de perdas salariais de pelo menos dois anos, que o governo Fátima é responsável. Além disso, exigem a convocação de um novo concurso público, frente a situação de defasagem e precarização do trabalho no DETRAN.

Após semanas de intransigência do governo, que chegou a emitir um ofício afirmando que só negociava com o fim da greve, deram uma primeira resposta de reestruturação que não repunha as perdas da categoria, e sem uma proposta concreta de concurso, prometido desde a última greve da categoria. Mas seguiram sem abrir espaço para negociação real, atuando no sentido de desgastar a greve da categoria.

Depois da ação de ontem, conseguiram impor uma reunião de negociação entre o SINAI e a secretária de administração do governo, Virgínia Ferreira, que ocorreu às 10:30h nesta quarta-feira. A expectativa é que o governo faça uma proposta que corresponda com as necessidades da categoria. Ainda não foi publicado o resultado da negociação.

Veja o depoimento de uma trabalhadora do DETRAN-RN em greve sobre o ato de ontem em Mossoró:

“A missão de ir a Mossoró ao encontro da governadora Fátima foi decidida em conjunto pela categoria dos servidores do DETRAN por conta do bloqueio que a gente vem encontrando de ter acesso a uma mesa de negociação com alguém que tenha poderes de decisão. Nós estamos sendo recebidos por secretários e subsecretários que dizem não ter autonomia pra discutir sobre a tabela salarial, então apesar do governo falar que a negociação está acontecendo e que estão abertos ao diálogo, isso não é verdade. Eles nos recebem, mas pra dizer que não tem autonomia de negociar. Por isso, a categoria decidiu de certa forma radicalizar e ir pessoalmente furar o bloqueio de segurança da solenidade e ter acesso direto à Governadora. Conseguimos, conseguimos entregar o ofício onde nós contamos o lado do servidor, o lado do interesse público, o lado da importância do serviço público e pedimos uma audiência para negociar diretamente com a Governadora. Ela foi surpreendida pela quantidade de servidores que estavam presentes, se mostrou contrariada, provavelmente decepcionada com a própria equipe por não ter conseguido resolver esse problema da greve do DETRAN. Mas acima de tudo ela respeitou os trabalhadores. Disse que já tinha dado autonomia, que a questão ia ser resolvida pelo secretário, e hoje [29] foi marcada uma reunião, dessa vez bem mais proveitosa, num tom mais ameno, num tom de respeito à greve e aos servidores, que a gente não vinha encontrando isso, a gente vinha encontrando posicionamentos debochados e chantagens. Os representantes do governo que vinham nos recebendo até agora estavam numa posição de não negociar com servidor em greve. O que a gente considera uma ofensa às convenções coletivas do trabalho da OIT. Então, eu enxergo que a greve está caminhando pra frente, que tem dado resultados, e nós... apesar de lento, apesar de ser um processo lento... nós conseguimos abrir de verdade a mesa de negociação com quase um mês de greve. A greve começou dia 2 de setembro e nesse final de semana ela fará um mês. Só agora o governo, que é do Partido dos Trabalhadores, só agora resolveu pra sentar pra negociar de verdade com a categoria em greve. Ainda estamos na expectativa do que virá, o que sairá dessa reunião de hoje, mas estamos com esperança e unidos. Continuamos firmes, cada vez mais firmes na certeza que só a greve é capaz de garantir a melhoria da qualidade de vida e das condições de trabalho do trabalhador.”

Essa importante greve se dá em um momento de aumento da carestia de vida da população, que assiste seus salários corroídos com a inflação, se submetendo a viver com doação de ossos, como visto essa semana no Rio de Janeiro. No RN isso significa uma situação de mais de 28% da população na extrema-pobreza, e um aumento em 27% na insegurança alimentar desde o início da pandemia. Uma situação que tem como principais responsáveis Bolsonaro, Mourão e os militares, com sua política que garante a manutenção dos lucros capitalistas nacionais e estrangeiros, mas também a direita neoliberal, como PSDB ou MBL, que querem construir uma terceira via para ser alternativa eleitoral a Bolsonaro, enquanto apoiam cada um de seus ataques. E essa luta mostra que também o PT nos seus governos estaduais, garante que a crise seja paga pelos trabalhadores e o conjunto da população, garantindo os interesses capitalistas no estado.

Por isso é fundamental ampliar a solidariedade à greve do DETRAN nesse momento decisivo, pois é um exemplo de que é com os métodos de luta dos trabalhadores que é possível defender os direitos da população em meio a crise. junto a greve da ProGuaru, entre outras que ocorrem pelo país, assim como o histórico acampamento indígena em Brasília contra o Marco Temporal de Bolsonaro e do STF, são exemplos de disposição dos trabalhadores pra se enfrentar com os ataques dos patrões e dos governos. Por isso, é inaceitável que a CUT e a CTB, que dirigem a maior parte dos sindicatos do estado, sigam calados sobre essa greve, e não tomam nenhuma medida de solidariedade ativa.

Chamamos ao conjunto dos setores da esquerda, PSTU, PSOL, UP, PCB e LSR, a batalhar por um amplo apoio a essa luta, exigindo dos sindicatos da CUT e CTB que rompam com sua paralisia, na perspectiva de batalhar em Natal por uma alternativa dos trabalhadores para responder à crise a carestia de vida que vivemos hoje.




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