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Trabalhadores de serviços gerais da UERJ são proibidos de usar elevadores

quinta-feira 8 de agosto| Edição do dia

*Após viralização da denúncia feita por outra página (https://www.facebook.com/1750897035215997/posts/2132193610419669?s=100003377259457&sfns=mo) os trabalhadores informaram que foram reorientados e permitidos de usar os elevadores.

Segundo relato de trabalhadores terceirizados que fazem a limpeza da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, eles agora estariam proibidos de usar os novos elevadores da universidade. Os auxiliares foram surpreendidos com está notícia descabida ao chegar nesta semana na Universidade, quando novos elevadores foram inaugurados no prédio principal da universidade, no Campus Maracanã. Com isso eles só estariam autorizados a deslocar-se uniformizados pela universidade no elevador de carga.

No histórico recente da UERJ há um notável descaso com os funcionários terceirizados, passando por processos como o não pagamento dos salários, auxílio transporte e também alimentação, tudo isso chegando a ficar meses sem receber e ainda assim sendo forçados a trabalhar pelos seus patrões e reitoria. Quando mobilizaram-se para lutar contra esse descaso foram perseguidos, ameaçados e até demitidos.

No inicio deste ano, aconteceu também um caso bastante absurdo, quando das chuvas muito fortes que atingiram o Rio de Janeiro e a região metropolitana, em que boa parte da cidade ficou em estágio de alerta e que as aulas na universidade foram canceladas pensando na “integridade” das pessoas que aqui estudam e trabalham, não levou-se em consideração para esse cancelamentos os trabalhadores terceirizados.

Parece que a reitoria esqueceu mais uma vez desse setor, que mesmo com o estado caótico em que se encontrava o entorno da universidade foram forçadas a ir a universidade e trabalhar, mesmo com a universidade deserta, pondo em risco sua integridade física e até mesmo sua vida, já que as chuvas deixaram cerca de 10 pessoas mortas por toda a cidade. A reitoria nada fez com relação aos trabalhadores terceirizados.

Mais essa situação demonstra que apesar do pioneirismo da UERJ com relação a lei de cotas, segue sendo ela, uma universidade estruturalmente racista e conivente.

Isso é uma das facetas mais cruéis da terceirização, onde por não terem um vínculo direto com a instituição onde trabalham esses trabalhadores ficam completamente desarmados e vulneráveis, a mercê da ânsia por lucro de seus patrões.

Mostra também o quanto esses trabalhadores terceirizados, na sua maioria mulheres negras, são precarizados e desumanizados, remetendo-nos a uma clara visão racista, onde os trabalhadores mais pauperizados são os seus maiores reféns.

Essa ordem absurda, que ainda não se sabe de onde partiu, se da reitoria ou da empresa terceirizadora, é bem semelhante a absurda proibição das trabalhadoras empregadas domésticas nos elevadores sociais dos prédio em que trabalham.

Junto a isso demonstra o quão cruel é a terceirização, que a partir do fim do ano passado foi aprovado em larga escala pelo governo do Golpista Temer e agora pode ser utilizada também para as chamadas “atividades-fim”. A terceirização é uma das principais formas de ataque aos direitos dos trabalhadores, e coloca lado a lado em um mesmo local de trabalho, e até mesmo na mesma função, trabalhadores que não recebem o mesmo salário, não têm os mesmos direitos e sequer podem se sindicalizar no mesmo sindicato.

Nós da Juventude Faísca da UERJ, que sempre estivemos lado a lado as trabalhadoras e trabalhadores terceirizados da UERJ nos momentos em que foram negligenciados por setores da direção da Universidade e do movimento estudantil, como o Diretório Central dos Estudantes, demonstramos todo nosso repúdio a esta absurda proibição.

Sempre defendemos e seguimos defendendo a sua incorporação e efetivação nos quadros da Universidade sem concurso público, pois esses trabalhadores já demonstram na prática fazendo esse trabalho cotidianamente e que deveriam ser valorizados como trabalhadores efetivos da Universidade sem essa divisão imposta pela burguesia e os governos, com a conivência da reitoria.

Colocamos também como elemento importante que com a Reforma da Previdência sendo aprovada serão esses setores de trabalhadores, terceirizados, os postos de trabalho que sobretudo são ocupados por trabalhadores negros, que serão afetados diretamente e não terão o direito a se aposentar minimamente.

Somos uma juventude que defende aliança com a classe trabalhadora e para isso é necessário que nos levantemos contra todos esses absurdos impostos pelos de cima.




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