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USP | Trabalhadores da USP se mobilizam contra o arrocho salarial em plena pandemia

terça-feira 6 de julho | Edição do dia

A pandemia do coronavirus tem deixado diversas consequências para a classe trabalhadora, que tem sofrido não somente com as mais de 500 mil mortes no país, mas também com os ataques do governo, e a sede de lucro dos grandes empresários detentores de toda riqueza.

Em muitas notas publicizadas aqui no ED denunciamos as ações negacionistas do governo Bolsonaro, a falta de vacina, a falta de um plano efetivo de combate à pandemia que não levasse a população a tantas mortes como as que temos em números hoje, pelo simples fato de não se importar com a vida dos trabalhadores.

As piores consequências da crise capitalista estão sendo descarregadas nas costas da nossa classe que além das mortes e do aumento consequente no número de casos e cepas, sofre com falta de emprego, com o aumento do custo de vida, aumento do preço dos alimentos, aumento dos serviços de gás e energia, no momento onde há mais sofrimento e menos dinheiro nas mãos dos trabalhadores. Um exemplo disso é que a Enel anunciou o aumento na conta de energia elétrica do brasileiro e já está colocado que ainda vem mais reajuste! Algumas pesquisas mostram que no inicio do ano a cesta básica já consumia cerca de 60% de um salário mínimo (R$ 1100,00). Apesar de todos os itens básicos para a sobrevivência de um trabalhador e de sua família não pararem de aumentar, nossos salários não são reajustados e são corroídos a cada dia por conta da inflação. Enquanto isso Bolsonaro e seus ministros que já ganham mais de R$ 30 mil de salários aprovaram um reajuste de 69% dos seus próprios salários.

Onde será que vamos parar?

Na USP a Reitoria do campus anunciou que neste último ano de pandemia obteve um acúmulo significativo de verba e um comprometimento orçamento com folha de pagamento que é um dos mais baixos dos últimos anos, ao mesmo tempo em que fala pro sindicato que não pode conceder o reajuste anual dos nossos salários. A data base era em maio, oras, se a universidade não teve "gasto", como pode não ter verba para dar o reajuste? Vale lembrar que no ano passado os reitores foram bastante ativos para aumentar o teto de seus próprios salários que passaram a R$ 39,2 mil.

Enquanto isso, são diversos trabalhadores que vem cumprindo escala reduzida e/ou trabalho remoto e que vem assumindo os gastos com equipamentos, mobiliário, água, luz, telefone e internet para realizar suas atividades sem receber qualquer reembolso da reitoria. Esses trabalhadores tem gastos, tem famílias, tem necessidades com ou sem pandemia. Os trabalhadores continuaram cumprindo suas funções, entregando trabalhos com prazo, fazendo atendimento como o hospital (que não teve pausa no seu trabalho), entre outros. As trabalhadoras terceirizadas, que recebem um salário muito menor que um trabalhador efetivo ainda sofreram com demissões em várias unidades. Contudo, a Reitoria de Vahan quer se isentar de atender essa reivindicação dos funcionários, por um salário que seja reajustado de acordo com o aumento do custo de vida que nos impõe a cada dia.

Por tudo isso, os trabalhadores da USP vem se organizando em cada unidade em nossa campanha salarial e se mobilizando junto aos demais trabalhadores, estudantes e professores das universidades estaduais de São Paulo (USP, Unesp e Unicamp). Já apresentamos para os reitores a exigência de reajuste imediato de 8% nos salários e o Sintusp defende a incorporação de R$ 500,00 fixos a todos os salários como forma de valorizar os menores salários e que as trabalhadoras terceirizadas recebam o mesmo salário que um trabalhador efetivo e tenham os mesmos direitos. Em um momento como esse também fica ainda mais forte a pergunta de porque os juizes e parlamentares não ganham o mesmo salário que uma professora?
Como parte das medidas de mobilização, os trabalhadores da USP farão reuniões em todas as unidades para debater as reivindicações da campanha salarial e a pauta específica de reivindicações e preparam uma paralisação junto aos docentes para o dia 15 de julho além de outras medidas de mobilização unificadas aos estudantes e professores das três universidades estaduais paulistas. Para debater todas essas medidas os trabalhadores farão uma assembléia geral no próximo dia 13 de julho.

É preciso estar atento aos menores ataques! Estar unido neste momento tão importante para todos os trabalhadores, para que não tenhamos que pagar mais essa conta! Que todos nós, trabalhadores da universidade possamos nos unir a toa classe trabalhadora para que sejam os capitalistas que paguem pela crise!




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