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Trabalhadores da USP propõem à Conlutas organizar um polo de esquerda pra exigir que CUT e CTB saiam da paralisia

quinta-feira 18 de março| Edição do dia

Esta terça terminou com o terrível recorde de vidas perdidas. Foram mais de 2800 perdas em 24h, sendo quase 600 só em São Paulo. E o dia de hoje começou com a notícia de que 18 estados tem 90% de ocupação dos leitos de UTI e em SP a projeção é que se esgotem até amanhã.

Estamos há 1 ano do início da pandemia, e até agora não foram tomadas medidas para ampliar a capacidade de atendimento do SUS através da contratação permanente de trabalhadores da saúde e da reabertura de leitos em hospitais públicos. Os trabalhadores da USP viram isso acontecer de perto no Hospital Universitário que hoje ainda possui leitos fechados por falta de funcionários e atende paciente graves de covid-19 às custas de enorme sobrecarga de trabalho.

Os impactos da crise econômica e pandêmica se fazem sentir de todas as formas. São familiares e amigos perdidos para a covid-19. Um sentimento coletivo de medo, tristeza e estafa que permeiam inconscientemente o dia a dia de quem tem que ir até a USP trabalhar ou está em trabalho remoto. As condições de vida se degradam pelo aumento do preço dos alimentos, do combustível, e o desemprego vai chegando e se instalando de forma permanente até que um único salário tem que sustentar toda a família onde antes vários trabalhavam. Num contexto onde os salários estão cada vez mais baixos, minguados pelo EC 95 do teto dos gastos e a PEC emergencial. Os governos e os patrões com o apoio da mídia tentam aprofundar a divisão entre o funcionalismo e os trabalhadores precários, mas dentro das famílias os impactos da retirada de direitos atingem toda a classe trabalhadora. Não podemos aceitar rebaixamento de direitos de nenhum setor da nossa classe, por isso a luta dos trabalhadores da USP deve se unir a luta contra as demissões e pelo auxílio emergencial.

Em meio a isso, os trabalhadores da USP entram na Campanha Salarial e é preciso, mais que nunca, lutar pelas condições de vida dos trabalhadores, pela recomposição do poder de compra dos salários e por medidas efetivas de combate à pandemia.

E não se trata apenas da pandemia, mas da política adotada por Bolsonaro e os governos estaduais, junto ao Congresso, o STF e os militares, que agora estão por todos os ministérios. Nós do Nossa Classe viemos denunciando que o impeachment foi um golpe institucional pra avançar em ataques contra a nossa classe de forma mais rápida e intensa do que o PT estava fazendo. E que o protagonismo do judiciário autoritário durante o golpe, também se expressou na manipulação das eleições de 2018 que prendeu Lula permitindo a eleição de Bolsonaro, que conduz a pandemia dessa forma dramática.

Contra a narrativa da grande mídia e da direita que responsabilizava apenas o PT pelos casos de corrupção, como forma de ganhar apoio popular para a Lava Jato e para medidas mais autoritárias dando enorme poder à juízes que não foram eleitos por ninguém, a categoria votou em assembleias e no Congresso de Trabalhadores o repúdio a prisão arbitrária do Lula e o repúdio à Lava Jato como instrumento do imperialismo para atacar os trabalhadores submetendo o país a maior dominação das multinacionais.

Agora, com a reabilitação dos direitos políticos de Lula, o STF quer tenta aparecer como ’garantidores da democracia’, mas na verdade estão preparando Lula como fator de contenção para possíveis explosões sociais frente a tragédia de quase 300 mil mortos, contra a fome, a miséria e o fim do auxílio emergencial. Até mesmo o FMI e a grande mídia apontam o receio dos trabalhadores do Brasil se mobilizarem influenciados por lutas de outros países, como o Paraguai.

O PT e o PCdoB confluem com essa visão, por isso atuam nos sindicatos que dirigem através da CUT e CTB para manter os trabalhadores esperando 2022para lutar contra a retirada dos nossos direitos e por medidas efetivas de combate a pandemia. O que significa aceitar muito mais mortes hoje. Significa dizer aos trabalhadores que contem seus mortos até 2022 e votem direito para ter um governo que realmente combata a pandemia.

Claudionor Brandão aponta que

Nós da esquerda não podemos oferecer aos trabalhadores a perspectiva de contar os mortos até acabar a pandemia para então poder sair nas ruas para lutar. É preciso lutar agora, lutar para garantir o isolamento social necessário, a quebra das patentes das vacinas e imunização para todos. Para isso é necessário unir todas as forças da esquerda num polo anti-burocrático que tenha força para exigir das direções da CUT e do PT, da CTB e do PCdoB, que saiam da trégua e organizem a mobilização dos trabalhadores. Isso é condição para salvar vidas. Temos que fazer isso sem abrir mão da luta pelos nossos salários, porque uma coisa não se contrapõe a outra, mas uma não tem sentido sem a outra.

Com essa perspectiva, a assembleia dos trabalhadores da USP aprovou levar a proposta que a CSP-Conlutas faça um chamado para que as organizações de esquerda como o PSOL e seus parlamentares, a Intersindical e todas as organizações classistas e combativas conformem um polo de esquerda anti-burocrático que exija das grandes centrais sindicais, como CUT e CTB, que rompam a passividade e assumam medidas concretas de luta a partir de assembleias e reuniões e base, chamando um dia nacional de mobilização e outras ações.

Veja aqui o boletim do Sintusp com todas as demandas da Campanha Salarial.




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