FORD

Trabalhadores da Ford realizarão carreata nesta sexta contra o fechamento da fábrica

Nesta sexta-feira, trabalhadores da Ford realizarão uma carreata até Aparecida do Norte contra o fechamento da fábrica. É preciso que as centrais sindicais transformem essa luta em uma batalha nacional, organizando desde a base assembleias em cada local de trabalho contra os ataques dos patrões e dos governos, contra o desemprego e por disponibilização universal da vacina.

quinta-feira 28 de janeiro| Edição do dia

A concentração da carreata será às 7h30 no portão da Ford de Taubaté.
Depois de receber isenções fiscais bilionárias durante mais de 100 anos no Brasil, a Ford anunciou o fechamento das últimas 3 fábricas que mantinha no país. Essa atitude deixará sem emprego mais de 12 mil trabalhadores diretos, mais que o dobro de terceirizados e na soma de todo o ramo produtivo e toda a cadeia indireta ligada à Ford o impacto pode ser na casa de 119 mil famílias. 

Os trabalhadores das plantas de Camaçari e Taubaté têm realizado assembleias e manifestações, como está que ocorrerá na sexta-feira, para repudiar esse fechamento e lutar pela reversão dessa decisão. Se enfrentam não só com a Ford, mas também com o governo Bolsonaro, que lavou as mãos para a situação e disse apenas que "lamenta". Enquanto segue gastando milhões em leite condensado, a população amarga o desemprego, a falta de oxigênio e insumos básicos nos hospitais e não há vacina suficiente sequer para o grupo prioritário. Dória, por sua vez, se aproveita da situação pra tentar se mostrar como garantidor da vacina e salvador da pátria, mas falha miseravelmente: não só não conseguiu vacina suficiente para o plano de vacinação em São Paulo ainda, como esteve o tempo inteiro lado a lado de Bolsonaro em todos os ataques aos direitos e empregos dos trabalhadores, e não se importou com o fechamento desas fábricas.

Frente a esse cenário de calamidade nacional, é preciso que essa luta seja muito maior. Antes de tudo, a unidade entre os próprios trabalhadores da Ford das três plantas é primordial. Enquanto não houver a unificação dos trabalhadores efetivos com os terceirizados (que em plantas como a de Camaçari representam mais da metade dos funcionários), não será possível vencer, afinal dessa forma a empresa consegue dividir os trabalhadores e impor que alguns sigam trabalhando e não possam aderir às mobilizações. Os sindicatos desses terceirizados no geral são burocracias patronais, e frente a isso é responsabilidade dos sindicatos de efetivos, da CTB e da CUT, auxiliar na organização destes, buscando que participem das assembleias, reuniões, manifestações e garantir um fundo de greve para que, caso assim decidam, esses terceirizados possam também paralisar suas atividades, sem que sejam prejudicados por cortes de salário. Outra questão é sobre a Ford de Horizonte - CE, que segue funcionando normalmente. Esses companheiros também vão perder seus empregos daqui há um ano, seria fundamental que a Força Sindical, que é quem dirige seu sindicato, estivesse mobilizando esses trabalhadores pra que se juntem à luta das outras plantar. Se entram em greve seria inclusive um baque grande pra os planos da Ford.

Mas para de fato tornar essa luta nacional, é preciso desde já que essas centrais sindicais organizem uma frente única dos trabalhadores para enfrentar as demissões, todos os ajustes econômicos e revogar as reformas neoliberais do golpismo, em primeiro lugar as reformas trabalhista e da previdência, desfazendo todas as privatizações autorizadas pelo STF e colocando no centro a luta contra o fechamento e as demissões na FORD. Para isso deveriam estar organizando assembleias e reuniões em todas as fábricas e locais de trabalho que dirigem.

Outras fábricas já mostraram disposição de luta contra as demissões decorrentes do fechamento da Ford, como a Arteb em São Bernardo, onde ocorreu uma paralisação. É urgente também que o PSOL coloque a serviço disso todo o peso de suas figuras como Guilherme Boulos e seus parlamentares, junto a todos os sindicatos e movimentos sociais influenciados pelo PSOL, PSTU e os que se colocam no campo à esquerda do PT e das burocracias, como a CSP-Conlutas e as Intersindicais.

Não aceitaremos que a crise seja descarregada em nossas costas. É necessária essa batalha contra as demissões e também imediatamente um plano científico de vacinação que dê condições à imunização universal da população, e não apenas de uma parte mínima dela, como querem Bolsonaro e Doria. Os trabalhadores da saúde, junto aos da metalurgia, da logística, etc., se possuíssem em suas mãos o controle da economia e das pesquisas, poderiam organizar com êxito todas as condições para a execução de um plano racional de imunização universal.

Os trabalhadores da Ford precisam fortalecer sua luta mostrando pra a população todo o potencial que poderiam ter de combate à pandemia. Complexos produtivos como os da Ford, em vez de estarem fechando, poderiam estar a serviço disso nesse momento, produzindo respiradores e oxigênio para toda a demanda e evitando milhares de mortes. Pesquisas já mostram que a maioria da população é contra o fechamento dessas fábricas, e esse apoio poderia ser ainda maior e ter mais repercussão se os trabalhadores declaram que - ao contrário dos patrões que não se importam com nossas vidas e empregos - estão à disposição para suprir essas demandas de combate à pandemia e que o estado deveria se fazer responsável por garantir que consigam ter todo o necessário para seguirem trabalhando e realizarem essa tarefa. Para batalhar por isso, não podemos confiar em Bolsonaro, nem em Dória, Maia e todos os que sustentam esse regime do golpe. A única saída é nos unirmos e contarmos com nossas próprias forças, para impormos que os capitalistas paguem pela crise.




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