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Trabalhadores da Ford São Bernardo voltam de assembleia com indignação e incerteza

A gerência global negou manter a Ford em São Bernardo, dando como única opção a venda da fábrica. O secretário de Bolsonaro afirmou que "a decisão de fechar ou abrir fábricas é uma decisão privada". Uma decisão privada que afeta milhares não pode seguir privada, é uma questão pública. Se a ganância dos empresários diz que a Ford não serve para seus lucros, então que seja estatizada e controlada pelos trabalhadores. Que a CUT organize a luta unificando os trabalhadores da região contra o fechamento e a reforma da previdência!

quinta-feira 14 de março| Edição do dia

Foto: Edu Guimarães/SMABC

No último dia 12, foi realizada uma assembleia na Ford São Bernardo para que fosse comunicado o resultado da negociação com a gerência global da empresa referente ao fechamento da fábrica anunciado no início do ano. Reuniram-se aproximadamente 700 trabalhadores que se encontravam apreensivos e esperançosos com a notícia. Mas as coisas não saíram do jeito que os trabalhadores esperavam. A gerência global negou qualquer tipo de negociação para manter a Ford em São Bernardo.

Nada surpreendente! Visando cada vez mais lucrarem com a força de trabalho dos trabalhadores e saciarem cada vez mais sua sede de lucro, humilhando e precarizando cada dia mais a vida de trabalhadores e trabalhadoras, os representantes da Ford colocaram aos representantes sindicais presentes na reunião apenas possibilidade de vender a estrutura, o que está sendo negociado com três compradores, que não foram identificados na assembleia. As negociatas seguirão e terão seu resultado daqui a três meses. Na França, a Ford rejeitou a proposta de venda da empresa para a Punch e deixou milhares na rua.

Um dos compradores interessados estará presente na planta nos próximos dias para análise e diálogo com o sindicato. Representantes sindicais disseram repudiar a resposta da companhia, expressando aos trabalhadores que exigiram e conseguiram fazer parte das discussões de negociação que estão por vir, para que todos os trabalhadores possam manter-se empregados caso a Ford venda de fato a estrutura a um dos interessados. O presidente do sindicato acrescenta que a luta continua e não haverá sossego até que se consiga vitória, seja no não fechamento da Ford ou na manutenção de emprego, nesse sentido, transferir o quadro de trabalhadores da Ford para o futuro comprador, pois é desrespeito com todos o que a Ford intenta fazer, deixar milhares de homens e mulheres sem emprego perecendo necessidade. Buscam manter a produção em Taubaté e Camaçari (não sem ataques e demissões) e internacionalmente investem na China, onde conseguem explorar muito mais pelas más condições de trabalho.

Vale ressaltar que a Ford foi a primeira indústria automobilística a se instalar no Brasil, atuando desde 1919, e tendo o ABC Paulista como berço da indústria automobilística brasileira desde 1967, sendo a unidade em operação mais antiga na companhia, incluindo sua sede administrativa, por esse motivo não condiz a informação da gerência global de que há mais prejuízo do que ganho. Há anos a companhia vem lucrando em cima do suor e sangue dos trabalhadores e trabalhadoras nas suas fábricas presentes em todo o mundo. Tais argumentos colocados na reunião nos EUA só expressam descaso com a classe trabalhadora, pois, de uma hora para outra, decidem fechar uma fábrica sem pensar nos tantos que irão para o final da fila do desemprego, que não é pequena, sem contar as empresas circunvizinhas que fazem parte direta e indiretamente do processo produtivo da Ford (estima-se um total de 24 mil empregos atingidos).

Não podemos fechar os olhos que todo esse ataque tem nome e sobrenome, Jair Bolsonaro, que se tornando um boneco manipulado dos EUA, busca sem cessar acabar com os direitos e a vida dos trabalhadores, mostrando descaso e repúdio a todos nós. Todo esse processo é parte do plano de Bolsonaro e Paulo Guedes, que já deram seu aval para fechar as fábricas, arruinar nossas vidas para favorecer os capitalistas. Aliás, o fechamento de uma fábrica com uma enorme tradição de luta desde a ditadura como esta é muito favorável aos planos deste governo e faz parte de sua ideia de "varrer os vermelhos do Brasil" para passar até o fim os ataques que o governo PT já vinha aplicando e que o golpe institucional não conseguiu levar até o final.

O secretário de Bolsonaro já afirmou que "a decisão de fechar ou abrir fábricas é uma decisão privada" e Guedes, sobre a GM, declarou que "se precisar fechar, fecha". A grande questão é que uma decisão privada que afeta milhares de vidas não pode seguir privada, é uma questão pública. Se a ganância dos empresários diz que a Ford não serve mais para seus lucros, então que seja estatizada e controlada pelos trabalhadores. A única forma de mantermos nossos empregos, direitos e salários é lutando pela estatização da fábrica, efetivando assim os terceirizados e controlando a produção em nossas mãos.

A principal meta deste governo é a Reforma da Previdência, que fará trabalhadores e trabalhadoras morrerem trabalhando sem sequer ter o direito de se aposentar, sem contar que, abrindo venda a interessados capitalistas, a precarização será potencializada, rebaixando salários, condições péssimas de trabalho, aumento do ritmo produtivo e provavelmente aumento dos acidentes e doenças do trabalho, os trabalhadores e trabalhadoras estarão à margem da miséria e sofrimento. Não podemos esperar de Bolsonaro, Guedes e Doria alguma posição de resgate, precisamos sim, unificar nossas forças, todos os trabalhadores e trabalhadoras afim de bloquear esse ataque sujo dos capitalistas, que querem a todo custo jogar em nossas costas uma dívida que não criamos para seguir submissos ao imperialismo norte-americano, aplicando a malcheirosa reforma da previdência. Colocam essa reforma como "mal-necessário" para seguirem pagando a dívida pública, uma dívida dos capitalistas que serve apenas para enriquecer banqueiros e grandes empresários.

É urgente a CUT se levantar da mesa de negociatas de um governo de extrema direita e organizar a mobilização contra o fechamento e em defesa do emprego. CUT e CTB precisam assim como as demais centrais sindicais construir um plano preciso de lutas, unificando os trabalhadores contra a reforma da previdência, demissões e ataques que estão sendo aplicados, não somente direcionar os trabalhadores para suas casas na incerteza do amanhã.

Os governos e a Ford estão totalmente fechados contra nós trabalhadores e por esse motivo temos que nos organizar. Dória e Orlando Morando se interessam em compradores para usar maquinário e mão de obra e movimentar bilhões via impostos, demitindo os que acham descartáveis e precarizando cada vez mais o dia a dia do trabalhador. É de suma importância que todos os trabalhadores se unifiquem em prol dessa luta e contra todos os ataques que estão por vir.

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