Mundo Operário

PRIVATIZAÇÃO

Trabalhadores da CEB votam por assembleia com indicativo de greve para essa quarta

Diante da morte de Ricardo, trabalhador da CEB, enquanto fazia manutenção na rede de energia e da ameaça de privatização da empresa, em assembleia hoje, dia 20, os trabalhadores votaram, por unanimidade, por nova assembleia com indicativo de greve para a próxima quarta.

sexta-feira 20 de novembro| Edição do dia

A Companhia Energética de Brasília (CEB) está em vias de ser privatizada - é o que deseja Ibaneis, um verdadeiro privatista que assina embaixo dos planos de Bolsonaro e Paulo Guedes, e do presidente da empresa Edison Garcia, que foi indicado para o cargo justamente para possibilitar essa privatização.

Ibaneis e Edison Garcia - representantes diretos do regime do golpe institucional - não se importam se Ricardo Gomes Lamounier morreu por eletrochoque enquanto fazia manutenção na rede elétrica. O que lhes interessa é o lucro de meia-dúzia de capitalistas. Eles não se importam com o fato dos trabalhadores da CEB, tanto do operacional, do administrativo, terceirizados - que todos estejam trabalhando normalmente desde o começo da pandemia, estando na linha de frente com ameaça de terem seu acordo coletivo rasgado. Tanto é que a empresa negou todas as propostas do sindicato, enquanto a categoria está em data-base. Nada disso importa para Ibaneis e Edison Garcia, a não ser o lucro de meia-dúzia de capitalistas.

Contudo, diante desse profundo ataque à categoria e ao conjunto da classe trabalhadora do DF, os trabalhadores da CEB votaram, por unanimidade, uma nova assembleia com indicativo de greve para quarta-feira, dia 25. Segundo o STIU-DF (Sindicato dos Urbanitários), não seria possível começar greve hoje por um impedimento legal. Também segundo a direção do sindicato, está se tentando impugnar o leilão da CEB, que ocorrerá em dezembro, por meios judiciais.

No entanto, esse é o mesmo judiciário que rasgou o acordo coletivo dos trabalhadores dos Correios alguns meses atrás. O mesmo judiciário que deu aval à reforma da previdência e a reforma trabalhista, bem como ao próprio golpe institucional, deixando passar a boiada enquanto os ministros do STF ganham mais de 50 mil reais por mês.

Dessa forma, a greve teve que ser arrancada pelos trabalhadores. Desde o começo da primeira fala da direção da entidade, gritos de insatisfação interrompiam toda a narrativa que se contava sobre a necessidade de aguardar uma resposta dos juízes para agir.

No final da assembleia, os funcionários presentes mostraram sua força e conseguiram impor de forma unânime o indicativo de votação da greve para próxima quarta-feira. Afinal, como um dos trabalhadores deixou claro em uma das reclamações vindas da multidão, se dependesse dos dirigentes só haveria greve após a privatização.

Esse sentimento de urgência que tomou conta da categoria também se deve à situação de ataque aos empregados e precarização do trabalho. Um dos funcionários da CEB presentes assembleia disse ao Esquerda Diário que trabalha mais de 30 anos na empresa no setor de fiscalização de equipamentos. Segundo ele, a terceirização já atingiu mais da metade dos empregados que prestam esse serviço. Disse que enquanto um efetivo tem que cumprir meta em uma hora, o terceirizado tem que fazer a mesma meta em 20 minutos. A empresa terceirizada esconde os números de acidentes de trabalho.

E é justamente nesse sentido que a empresa ENEL SpA se apresenta como uma forte candidata a comprar o segmento de distribuição. Essa multinacional italiana que já domina o ramo de energia elétrica em quatro estados brasileiros - Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Em todos os casos subiram o número de reclamações sobre a qualidade do serviço prestado ao mesmo tempo que aumentaram a cobrança de taxas abusivas, o que gerou maior endividamento da população. A ENEL chegou a ser considerada uma das piores empresas do ramo energético no país. Em 2018 foram registradas 24 mortes de trabalhadores da ENEL durante o serviço com eletrochoque.

O que está acontecendo no Amapá é exemplo do que significa privatizar. Mesmo na foz do rio Amazonas e em um estado que tem várias usinas hidrelétricas, a classe trabalhadora e o povo pobre está sem água, sem luz, com fome - e tudo isso no meio de uma pandemia e de uma crise econômica mundial. Isso não é distopia, é capitalismo em um país subordinado ao imperialismo e que Ibaneis, Bolsonaro, Mourão, junto também do judiciário golpista, tanto querem que continue.

O Esquerda Diário e a Juventude Faísca Anticapitalista e Revolucionária esteve presente na assembleia se solidarizando com a luta da categoria.

Diante de tamanho ataque, é fundamental que a CUT, central sindical da qual o STIU-DF é filiado, organize a categoria para lutar e, inclusive, chame outros categorias para se solidarizarem e entrarem em greve conjuntamente. São várias as empresas ameaçadas de privatização e cujos sindicatos estão sob direção da CUT: Correios, Eletrobras, Eletronorte, entre outros. É preciso unificar efetivos e terceirizados, combater com um só punho para barrar a privatização, garantir emprego e renda digna, sem nenhuma cláusula do acordo coletivo retirada. Apenas a força da classe trabalhadora pode barrar esse ataque. Por isso, nós do Esquerda Diário e da Juventude Faísca Anticapitalista e Revolucionária nos solidarizamos com a luta da categoria e, portanto, apoiamos a greve!

É o trabalho dos eletricistas e urbanistas do DF que movem a CEB e, portanto, a CEB é dos trabalhadores, não de Edison Garcia ou de Ibaneis. E é com os métodos históricos da classe trabalhadora, com greve, que se conquista direitos, combate ataques e enfrenta regimes que estão nas mãos dos patrões.


RICARDO PRESENTE!
CONTRA IBANEIS, EDISON GARCIA E TODOS OS GOLPISTAS!
EM DEFESA DA CEB PÚBLICA, TODO APOIO À LUTA DOS ELETRICISTAS!




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