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Empresa de games | Trabalhadores da Blizzard fazem greve contra assédio sexual no local de trabalho nessa 4ª

Empresa é responsável pela criação de jogos como WarCraft, SatrCraft e Diablo. Trabalhadores planejam greve e passeata para essa quarta-feira para protestar contra assédios sexuais e morais ocorridos dentro da empresa e negligenciados pela chefia.

quarta-feira 28 de julho | Edição do dia

Mais de 2 mil funcionários, de um total de 10 mil, já assinaram a carta aberta à direção da empresa criticando a postura da empresa diante de denúncias de assédios sexuais e discriminações dentro do local de trabalho. Há dois anos segue uma investigação que aponta que o ambiente de trabalho da Blizzard é um “terreno fértil para assédio e discriminação contra mulheres”. É possível ler a carta ao final da matéria.

As trabalhadoras denunciam há anos essa situação e, mais recentemente, a direção soltou declarações internas negando as denúncias e falando em relatos “distorcidos” e “fora do contexto”. Tal atitude é recorrente na defesa dos assediadores, ainda mais vindo da chefia da empresa cujo lucro está acima de qualquer outra coisa.

Diante dessa negativa misógina por parte da empresa, as trabalhadoras e os trabalhadores da Blizzard decidiram convocar um protesto para essa quarta-feira, que promete levar milhares em frente à sede que fica na California. Antes mesmo de ocorrer, a ação já joga luz na violência existente na Blizzard e também em incontáveis locais de trabalho, via de regra encoberto (ou promovido) pela chefia.

A paralisação não conta com participação do sindicato e configura movimento espontâneo.

Veja abaixo a carta publicada ontem (27) e que já conta com mais de 2 mil assinaturas:

Para os líderes da Activision Blizzard,

Nós, os signatários, concordamos que as declarações da Activision Blizzard, Inc. e seu consultor jurídico sobre o processo da DFEH, bem como a declaração interna subsequente de Frances Townsend, são abomináveis e insultuosas para tudo o que acreditamos que nossa empresa deveria representar. Para colocar de forma clara e inequívoca, nossos valores como funcionários não são refletidos com precisão nas palavras e ações de nossa liderança.

Acreditamos que essas declarações prejudicaram nossa busca contínua por igualdade dentro e fora de nosso setor. Categorizar as alegações feitas como “distorcidas e, em muitos casos, falsas” cria uma atmosfera empresarial que descrê as vítimas. Também lança dúvidas sobre a capacidade de nossas organizações de responsabilizar os agressores por suas ações e promover um ambiente seguro para que as vítimas se apresentem no futuro. Essas declarações deixam claro que nossa liderança não está colocando nossos valores em primeiro lugar. Correções imediatas são necessárias do mais alto nível de nossa organização.

Os executivos de nossa empresa alegaram que ações serão tomadas para nos proteger, mas em face das ações legais – e das respostas oficiais preocupantes que se seguiram – não confiamos mais que nossos líderes colocarão a segurança dos funcionários acima de seus próprios interesses. Afirmar que este é um “processo verdadeiramente sem mérito e irresponsável”, enquanto vemos tantos funcionários atuais e ex-funcionários falarem sobre suas próprias experiências em relação a assédio e abuso, é simplesmente inaceitável.

Solicitamos declarações oficiais que reconheçam a seriedade dessas alegações e demonstrem compaixão pelas vítimas de assédio e agressão. Apelamos a Frances Townsend para cumprir sua palavra de renunciar como patrocinadora executiva da Rede de Mulheres Funcionárias da ABK como resultado da natureza prejudicial de sua declaração. Apelamos à equipe de liderança executiva para trabalhar conosco em esforços novos e significativos que garantam que os funcionários – assim como nossa comunidade – tenham um lugar seguro para falar e se apresentar.

Apoiamos todos os nossos amigos, companheiros de equipe e colegas, bem como os membros de nossa comunidade dedicada, que sofreram maus-tratos ou assédio de qualquer tipo. Não seremos silenciados, não ficaremos de lado e não desistiremos até que a empresa que amamos seja um local de trabalho do qual todos possamos nos sentir orgulhosos de fazer parte novamente. Nós seremos a mudança.




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