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No Norte Shopping do Rio | Trabalhadora da TIM é demitida após denunciar assédio sexual de chefe na “sala da sarrada”

Assédios e casos grotescos de machismo ocorrem diariamente na sociedade patriarcal que vivemos. Grandes empresas capitalistas, como a TIM, mesmo com discursos hipócritas de inclusão, via de regra corroboram violências dentro dos locais de trabalho.

quinta-feira 12 de agosto | Edição do dia

Uma trabalhadora de uma loja da TIM, no Norte Shopping da zona norte do Rio de Janeiro, denunciou assédio sexual de chefe e colega de trabalho e foi demitida por justa causa. Discurso de inclusão e combate ao machismo de empresas capitalistas caem por terra em denúncias absurdas como essas, onde a empresa é corresponsável pela violiencia.

O relato de Anna Paula Oliveira é assustador. A vendedora da loja contou, em relato do instagram, que desde que tinha chegado na loja da TIM, no Norte Shopping, “as brincadeiras sem noção já aconteciam”. O gerente da loja havia apelidado uma parte do lugar como a “sala da sarrada”.

Ainda no relato do Insta, Anna continua: “No dia 15 de abril, eu vivi o pior dia da minha vida. Entrei na cozinha como de costume, subi para beber água e fui pega de surpresa pelo meu colega de trabalho, um consultor igual a mim e pelo meu gerente geral. Eles apagaram a luz e fui empurrada para o gerente pelo ’colega de trabalho’ Minha mente paralisou na hora, não conseguia assimilar por que comigo e o porquê de estarem fazendo aquilo, foram minutos angustiantes. Ele passou a mão no meu corpo, pressionava tão forte o seu corpo contra o meu e beijava o meu pescoço de forma rígida e rápida, enquanto continuava passando a mão no meu corpo, enquanto eu pedia para ele parar e quando vi que seria dali para pior”

Não são poucas mulheres que passam por situações semelhantes, ou piores, na sociedade patriarcal que vivemos. Anna conseguiu sair da sala apenas após uma outra colega tentar abrir e falar para ela denunciar eles pelo canal interno da empresa. Aí eles abriram a porta.

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Isso ocorreu um dia antes de Anna entrar de férias. Quando ela voltou e as crises de ansiedade e depressão vieram, Anna conta que a gerente da loja chegou a ameaçá-la caso fizesse alguma denúncia. Essa é a mesma TIM que dá discursos de diversidade, de inclusão e de combate a discriminações para “ficar bem na fita”, enquanto corrobora internamente com violências e ameaças grotescas como essas. Na hora de lucrar, a TIM, como outras grandes empresas capitalistas, é “plural”, mas na hora de abusos esse tipo de coisa ocorre.

Anna foi até a polícia em junho e registrou o caso na 23ª DP. Toda a história está registrada lá e o delegado responsável disse ao UOL que os dois homens foram indiciados pelos crimes de importunação sexual, coação e difamação.

Em nota, a polícia disse: ”A vítima, apesar de buscar o canal interno de notícia da empresa, jamais foi recebida por nenhum representante da mesma, tendo que relatar os fatos por chat, mesmo depois de implorar por atendimento pessoal. O principal indiciado [o gerente] denominava a sala do refeitório como a ’sala da sarrada’”.

Após prestar queixas na polícia, veio a demissão. Eu recebi uma mensagem da coordenadora pedindo para que eu fosse para a loja. Foi quando ela me demitiu por justa causa, no meio de uma crise de ansiedade e me demitiu de forma humilhante, falando sobre eu ter ferido a honra dos meus superiores e colegas de trabalho, quebrando assim o código de ética da TIM", disse Anna Paula.

Apenas após a denúncia pública no Instagram os dois assediadores foram afastados da empresa e a TIM soltou uma nota fazendo mea culpa.




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