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DEPOIMENTO | Trabalhador dos Correios desmente Eduardo Bolsonaro ao defender que privatização beneficia a categoria

Em vídeo, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, discursa em uma sessão da Câmara a favor da privatização dos Correios, em um discurso cínico de que favorecia aos trabalhadores da empresa e os usuários. Em depoimento anônimo ao Esquerda Diário, um trabalhador dos Correios desmente o filho do presidente ponto por ponto e dá um depoimento sobre as reais condições de trabalho da categoria, que vem se degradando desde a ofensiva privatista.

quarta-feira 11 de agosto | Edição do dia

O sigilo do trabalhador será preservado por conta do contrato com a empresa que impede que exponham o que acontece dentro dela. O vídeo de Eduardo Bolsonaro é feito durante a votação na Câmara que aprovou o projeto de privatização dos Correios. Um ataque que, em meio a escalada retórica golpista de Bolsonaro e dos militares, contra o STF e o Congresso, os unifica contra os trabalhadores e toda a população.

Segundo Eduardo Bolsonaro, a privatização traria benefícios aos “bons carteiros”, pois traria concorrência para os Correios, e o carteiro poderia até receber “a mais” na empresa. O que pensa um trabalhador da empresa? além de que estaria garantida a sua estabilidade por 18 meses.

“O presidente da empresa, general Floriano Peixoto, ta fazendo é massacrar a gente... tenho muitos anos de empresa, e só agora passei a ter que trabalhar no sábado. E não tem opção, você é obrigado a trabalhar no sábado agora e não recebe nem adicional como antes. Isso está entre outros 40 direitos que a gente perdeu naquela greve. Todas as vezes que eles falam ‘oh o pobre carteiro’ é um cinismo, uma galhofa com a cara da gente... hoje em dia, com a inflação eu to trabalhando com praticamente metade do valor que eu recebia antigamento. E to tendo que trabalhar duas, três vezes mais, porque reduziram os distritos mas repassaram as ruas para os distritos que ficaram. Todo mundo sobrecarregado lá, descontente, aborrecido pelas condições de trabalho, salários achatados... Teve um desconto agora do nosso vale alimentação, ainda da greve, uma mesquinhez, uma sacanagem sem tamanho... O Correio já não é mais a mesma coisa”.

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Estes ataques aos direitos, o aumento da carga de trabalho e as perdas salariais, se aprofundaram sobre o governo Bolsonaro como parte de acelerar a privatização empresa reduzindo os custos, para dar mais lucro aos monopólios internacionais como Amazon, ou nacionais como a Magazine Luiza. Além disso, a privatização acabaria com a estabilidade dos trabalhadores dos Correios após 18 meses da nova empresa. Como nos conta o trabalhador:

"A maioria dos carteiros tem média de idade acima de 40 anos. Para esse pessoal foi prometido estabilidade por 18 meses quando a empresa for privatizada. Mas a gente não sabe quais as condições de trabalho que essa galera vai ser submetida. E o mais importante, o empresário que é empresário não vai querer gente velha... eai me diga, qual empresa qual empresa vai querer dar emprego para uma pessoa com mais de 40 anos passados esses 18 meses?”

Desmente ainda a verborragia sobre a “quebra de monopólio” que ele, Paulo Guedes, e mesmo a mídia que se diz opositora ao governo, como a Folha de São Paulo, sempre defendem: “Olha o monopólio de entregas, que a parte lucrativa dos Correios, já não existe mais. Qualquer empresa pode entregar encomendas agora. O que ainda tem monopólio é da entrega das cartinhas e das faturas”.

O cinismo em defesa do trabalhador é tamanho, ao ponto de admitir no vídeo que a privatização busca também atacar o histórico de luta da categoria “Ele fala também que o cliente iria receber a sua encomenda no final do ano sem interferência de uma greve. Oras, as pessoas tem direito a greve, não sei como ta a situação atual com a CLT... com a privatização vão tirar o direito de reivindicar os seus direitos?”

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O Esquerda Diário está ao lado dos trabalhadores dos Correios contra a privatização e cada ataque aos seus direitos a serviço disso, e seguiremos dando voz às denúncias e depoimentos dos trabalhadores, cuja auto-organização com apoio da população é a única forma de barrar a privatização. Defendemos um Correios 100% estatal e sob controle dos trabalhadores, como parte da luta também pelo Fora Bolsonaro e Mourão, não tendo ilusão no impeachment que, não só coloca Mourão, um militar racista no poder, como também confia em instituições e partidos supostamente democráticos e de oposição que foram parte de aprovar a privatização do Correios, assim como de outras reformas e projetos de Lei que precarizam nosso trabalho e nossa vida.


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