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Crise sanitária | Toque de recolher no DF: mais repressão policial e UTIs lotadas, mas nada de testes e vacinas

Ibaneis decreta toque de recolher no DF para aumentar repressão policial, enquanto se mantêm capacho dos lucros capitalistas, junto com Bolsonaro e todos os golpistas. Enquanto isso, as UTIs estão lotadas, testes só a partir de 300 reais e sem horizonte de vacinação da população.

quarta-feira 10 de março | Edição do dia

Foto: G1// PM faz operação para “conter aglomerações” em janeiro, na Ceilândia

Em um decreto policialesco e repressivo, o milionário Ibaneis Rocha instalou um toque de recolher em todo DF, das 22h às 5h. Ele também decretou “estado de calamidade pública”, afirmando que é possível que se avance para um “lockdown total”. Com ocupação recorde de UTIs, o governador continua em descaso absoluto com a população trabalhadora, em sua maioria negra, mulher e moradora das satélites e do entorno.

Estamos no pior momento da pandemia no Brasil. No DF a ocupação de leitos chegou a 100% na segunda, a média móvel de casos de covid-19 aumentou 94,5% no DF em 14 dias, tendo sido identificadas quatro novas cepas do vírus. Enquanto isso, a população amarga o medo da extrema-pobreza e da fome com alimentos básicos extremamente caros; nunca houve quarentena racional para uma parte bastante significativa da população das periferias e do entorno, lotando os transportes públicos, com medo do desemprego e enfrentando uma extrema precarização; quem sente a calamidade pública é a classe trabalhadora, os mais pobres e oprimidos, não é Ibaneis em sua mansão luxuosa, nem Bolsonaro ou qualquer político burguês.

Essa situação é fruto de uma política negacionista e ultra-reacionária de Bolsonaro - mas também de atores políticos golpistas como o demagogo da vacina, Dória, que reabre as escolas durante a fase vermelha em SP; do STF e do Congresso que se colocam como “oposição à Bolsonaro”, mas nada falam contra as patentes das vacinas. São todos cúmplices! Na gestão sanitária de Ibaneis - e nisso está junto de Bolsonaro, Mourão e todo o regime golpista - nunca houve dispensa remunerada para os trabalhadores de setores não essenciais, garantindo uma quarentena racional e mantendo o emprego e renda; testagem massiva para rastrear a rota do vírus; contratação massiva de profissionais da saúde e reconversão da indústria para produzir respiradores e outros insumos; muito menos um plano imediato e racional de vacinação, mantendo as patentes intactas e gerando bilhões em lucro para os capitalistas. Ao contrário, decretou um “lockdown” no qual todo comércio continua a funcionar, sem contar que as escolas particulares voltaram a funcionar de forma presencial, e os trabalhadores continuam se expondo de forma insalubre no transporte público.

Diante da explosão da luta de classes no Paraguai contra a gestão catastrófica do presidente aliado de Bolsonaro, diante do medo da insatisfação popular e da possibilidade de revoltas aqui no Brasil, se fortalecem medidas repressivas que colocam os lucros acima das vidas - de forma racista e higienista. Ibaneis já está avançando nisso, como é o caso da repressão às famílias trabalhadoras na ocupação de Vila Rabelo, na tentativa de proteger a propriedade privada e restringir o direito à terra e moradia a uma meia-dúzia de proprietários. O toque de recolher de Ibaneis é ótimo para reprimir um possível estouro da luta de classes no país, seguindo exemplo do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais para dispor melhor da repressão. Mas também, não é de hoje que Ibaneis tem apreço especial pelas forças repressivas do Estado burguês: foi ele quem militarizou inúmeras escolas no DF.

Também é preciso denunciar, no entanto, que governadores do próprio PT estão implementando toques de recolher, reprimindo ambulantes e reforçando o aparato policial - como é o caso da Bahia e Rio Grande do Norte - e, de forma absolutamente lamentável e incoerente, também o faz o PSOL em Belém do Pará.

Portanto, as Centrais Sindicais, como a CUT e a CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB, precisam sair da paralisia e organizar os trabalhadores para se enfrentar com esse regime podre e toda essa gestão catastrófica, articulando desde cada local de trabalho um plano emergencial operário para a crise sanitária e econômica! É preciso defender uma quarentena racional, testes massivos, reconversão industrial para produção de insumos, dispensa remunerada para todos os trabalhadores não-essenciais, bem como a estatização do sistema de saúde sob controle operário e a quebra das patentes da vacina e sua disponibilização universal. A CSP-Conlutas e parlamentares do PSOL como Fábio Félix devem pressionar as direções dos sindicatos a se mobilizarem nesse sentido, colocando seus sindicatos e visibilidade parlamentar em função da organização da classe trabalhadora para a luta.

A conquista de medidas como essa só podem se realizar caso a classe trabalhadora se enfrente com os lucros, Bolsonaro e todos os golpistas. É preciso confiar apenas nas forças da nossa classe e em seus métodos históricos de luta, sem nenhuma confiança em saídas policiais como a de Ibaneis, ou no negacionismo terraplanista de Bolsonaro. Com a força da mobilização, é preciso avançar para combater até a raiz o grande problema que causou a pandemia e também gestões sanitárias verdadeiramente genocidas: a irracionalidade capitalista e seus representantes. Portanto, é fundamental mudar as regras do jogo e não apenas os jogadores - batalhar para impor pela luta uma Assembleia Constituinte livre e soberana, que revogue todas as reformas e faça com que os capitalistas paguem pela crise, avançando para um governo de trabalhadores em ruptura com o capitalismo.




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