Racismo

"Todos tem a mesma cor", diz Bolsonaro para minimizar o racismo no dia da consciência negra

Em post nas redes sociais, o presidente levantou uma série de considerações subvalorizando a discriminação racial

sábado 21 de novembro| Edição do dia

IMAGEM: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Ontem a noite (20), o presidente Jair Bolsonaro soltou uma nota em suas redes sociais tecendo comentários, no mínimo contraditórios. Ainda que o mesmo demagogicamente coloque que “todos tem a mesma cor”, é evidente que tal comentário ignora a realidade cruel e discriminatória existente no país, onde no dia anterior um homem foi morto por ser negro num supermercado, justamente as vésperas do dia consciência negra, fatos que foram ignorados na postagem.

Inclusive, no mesmo dia em que seu vice declara que “não existe racismo no Brasil”, suas posturas suas posturas justamente escancaram que este governo não tem a mínima intenção de combater o racismo. Afinal, para quê fazê-lo, se ele não existe ou se a própria violência é relativizada para “todos”?

Enquanto estes se negam a olhar para este problema, um elemento inclusive reforçado culturalmente através de teorias como a da “democracia racial”, a realidade é que vivemos num país onde brancos possuem uma renda 74% superior, em média, em relação a negros e pardos, segundo o IBGE e que a cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no país, além de inúmeros dados que demonstram o contraste na vida entre negros e brancos nacionalmente.

Além disso, o próprio presidente também atacou os supostos “grupos políticos”, sem citar nomes, que atuam para dividir a sociedade e torná-la mais vulnerável, pois instigariam o ódio, a discórdia e promovem conflitos. Porém, se esquece que o maior promovedor de ódio, de discórdia e de conflitos, muitas vezes étnicos é o próprio governo do mesmo. Além das inúmeras declarações de desprezo as minorias, inclusive étnicas, Bolsonaro e todo o regime de conjunto impõe uma agenda de ataques duros que precarizam e subjugam a vida de inúmeras pessoas, atingindo mais agudamente os negros. Além disso, o mesmo segue uma política sistemática de repressão e genocídio negro, evidenciada no aumento de números de mortes por policiais no país.

Dessa forma, tais condições levantam a necessidade do enfrentamento ao racismo, ao contrário das declarações de Bolsonaro, o que passa por enfrentá-lo, assim como esse regime de conjunto, com a força das negras e negros oprimidos em conjunto com a classe trabalhadora.




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