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UnB | Terceirizadas sofrem assédio moral e morrem de COVID na UnB com cumplicidade da Reitoria

“As meninas até disseram para ela ir para o hospital, mas ela disse que só ia na folga dela (...) ela disse que tava com Covid e já tava no soro (...) e aí quando foi de sábado para domingo ela faleceu” - diz terceirizada sobre Katiane, trabalhadora morta de COVID pelo descaso da empresa Servitium e da Reitoria. “Eu tenho 12 anos de UnB, mas nunca fui tão humilhada como ontem” - relata outra terceirizada sobre assédio moral do preposto da empresa, Bruno Felipe. Uma denúncia publicada a partir das informações de Francisco Targino, membro da CSP Conlutas - DF.

segunda-feira 18 de outubro | Edição do dia

Foto de Katiane Souza, trabalhadora terceirizada que morreu de COVID-19, vítima da empresa terceirizada Servitium, o descaso da Reitoria e a exploração capitalista.

“A última nossa conversa foi no dia 8 (...) ela me mandou mensagem que queria conversar comigo (...) Olha aí a foto dela, eu não acreditei quando deram essa notícia ontem (...) As menina da limpeza me falaram que ela veio trabalhar na segunda-feira, muito mal, as meninas disseram que ela chegou muito mal, gripada, reclamando da garganta, espirrando muito, toda hora ela tava no banheiro pegando papel para limpar o nariz, e passou o dia deitada naquele sofá lá, e também toda vestida de roupa de frio, até o pescoço (...) apresentou febre (...) as meninas até disseram para ela ir para o hospital, mas ela disse que só ia na folga dela (...) Na terça ela disse que tava com Covid e já tava no soro (...) e aí quando foi de sábado para domingo ela faleceu”

Esse é o relato de uma trabalhadora terceirizada da UnB sobre a morte de sua colega de trabalho, Katiane Souza. Revela-se com toda a crueldade a exploração capitalista e a opressão promovida, em especial às mulheres negras terceirizadas, pela empresa Servitium Eireli - com cumplicidade e descaso total da Reitoria de Márcia Abrahão.

Se não bastasse isso, o preposto da Servitium na UnB, Bruno Felipe, nomeado pelo chefe de segurança Josué Guedes - este que por sua vez foi nomeado pela Reitoria - e que previamente já cometeu outras arbitrariedades, infringiu assédio moral contra uma trabalhadora. Veja o relato:

“Conhece o preposto né (...) ontem eu fui tão humilhada pelo preposto (...) eu tenho 12 anos de UnB, mas nunca fui tão humilhada como ontem (...) esse cara me disse tanta barbaridade (...) eu fiquei muda e surda, só sai imediatamente de lá (...) até agora to mal do meu psicológico, to mal não dormi direito de tanta coisa horrível (...) ele disse que podia fazer de tudo comigo, isso porque eu tava vestida com a camisa da empresa, porque a Sara tinha dito lá para o pessoal, que era para tirar (...) estava com ela vestida perto do posto, ela era nova (...) eu fui lá deixar a chave e nao troquei de blusa, meu marido tava me esperando ali perto de carro, mas ai topei com o preposto (...) ele se passou para mim, ele não me chamou de gente (...) e disse que se pegar vestindo a camisa ele vai cortar o meu ponto e mandar embora para casa (...) e ainda disse que era para o meu bem, foi a última coisa que ouvi ele dizendo”

Os casos de assédio moral foram registrados no MPT em agosto, contudo nem mesmo à notificação requisitória a empresa cumpriu. A justiça até agora, no entanto, também não fez nada para solucionar esses casos.

Além disso, de forma absolutamente arbitrária, o mesmo preposto retirou autoritariamente o direito de troca de plantão para os operadores da portaria, tornando o trabalho ainda mais insalubre.

O setor de portaria da universidade comporta 278 porteiros - fora os 23 porteiros do grupo de risco da COVID-19 que foram demitidos. A empresa SERVITIUM EIRELI assumiu o serviço de portaria dia 01 de dezembro de 2020.

Na UnB já faleceu de COVID-19 uma trabalhadora da limpeza, uma Agente de portaria, um trabalhador da empresa Life e 2 vigilantes do quadro.

Hoje, vemos as seguintes irregularidades :

1- Não fornece álcool gel e máscaras diante da pandemia;

2- Paga Vale Transporte atrasado, o trabalhador tem que pagar do próprio bolso;

3- Paga salários pela metade, como no mês de março e abril;

4- Não deposita os valores do FGTS;

5- Paga o valor do horário de almoço e adicional noturno a menor (valor reduzido);

6- Não assinou a carteira de trabalho de muitos trabalhadores;

7- Dificulta a entrega do contracheque;

8- Não paga o valor correto do salário garantido na Convenção Coletiva de Trabalho;

9- Retirou a troca de Plantão, muito necessária aos agentes de portaria (Documento acima);

10- Assédio-moral do Preposto (áudios e documento do MPT);

11 - Não concede Plano de Saúde garantido na Convenção Coletiva de Trabalho;

12- Falecimento de uma Agente de portaria devido imprudência da empresa SERVITIUM , áudios acima

Katiane presente!
Nossas vidas valem mais que o lucro deles!


O Esquerda Diário publicou essa nota a partir da denúncia veiculada por Francisco Targino, membro da CSP-Conlutas DF. Reafirmamos a necessidade de denunciar os absurdos da Reitoria de Márcia Abrahão que está aplicando os cortes de Bolsonaro, Mourão e o conjunto do regime do golpe institucional de 2016. A morte e precarização do trabalho dos terceirizados, as marmitas com larva na CEU, o aumento do RU para R$6,10, e tantos outros ataques demonstra que a Reitoria está descarregando a crise nas costas dos trabalhadores terceirizados e dos estudantes mais pobres, filhos da classe operária.




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