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Terceirizadas que trabalham no CRUSP relatam descaso da Reitoria: Aqui, você dá "bom dia" o povo fala "bem-vindo ao inferno"

Trabalhadoras terceirizadas da diferentes setores da USP, que foram arbitrariamente transferidas para a Superintendência de Assistência Social - SAS por ordem da Reitoria, relatam as condições precárias de trabalho e o medo à qual estão expostas, além do descaso da Reitoria com as reais necessidades dos moradores do Conjunto Residencial da USP (CRUSP).

quinta-feira 2 de abril| Edição do dia

Trabalhadoras terceirizadas do serviço de controle de acesso do Arquivo Geral (SAUSP), da Faculdade de Odontologia (FO), do Centro de Difusão Internacional (CDI) e da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e da Biblioteca Brasiliana, que foram arbitrariamente transferidas para a Superintendência de Assistência Social (SAS) por ordem da Reitoria da USP, relatam as condições precárias de trabalho e o medo à qual estão expostas, além do descaso da Reitoria com as reais necessidades dos moradores do Conjunto Residencial da USP (CRUSP):

“Então, aqui estamos abandonados, não temos máscaras, não temos luvas, não temos álcool, tudo o que temos a gente trouxe de casa, porque ninguém forneceu nada pra gente. Nem produto de limpeza pra gente fazer a higienização do lugar onde vamos ficar não deram. A USP está vazia, e aqui aparece várias coisas. Hoje mesmo uma pessoa veio para cima de mim do nada, não era morador, fazendo jeito em minha direção como se estivesse com uma faca. Agora eu te pergunto: e se ela tivesse com uma faca? O que eu iria fazer? O que poderia acontecer comigo? Estou aqui me arriscando, com medo. Se ela estivesse com uma faca e me acertasse? Estou aqui trabalhando, correndo risco de pegar a COVID-19, correndo risco de alguma pessoa aparecer, me agredir, ou fazer coisa pior. Aqui, você dá ’bom dia’ para as pessoas, ela viram e falam para gente ‘bem vindo ao inferno’. Isso não é legal, não sabemos mais o que fazer, estamos desesperadas. Todas temos crianças pequenas em casa. Esses estudantes estão abandonados. E a gente também.”

“Era para nós estarmos em casa nos cuidando, como foi dito, não aqui correndo risco de acontecer uma coisa pior, e parece que ninguém liga. O supervisor dá risada quando falamos, acha que estamos brincando, mas não, estamos pedindo socorro.”

“Fomos dispensadas do posto em que trabalhamos para poder ficar em casa. Aí, do nada, recebemos um comunicado para irmos para a SAS. Então, fomos para lá cobrir os funcionários de lá! E aí, estamos lá, sujeitos a ser agredidos por pessoas estranhas e, ainda por cima, ficando expostos a ser contaminados, pois tem casos de alunos moradores doentes! Poxa, não é certo isso. Não estamos nos negando a trabalhar, mas temos família em casa que tem restrição. E outra, não iremos ganhar mais por estarmos lá. Somos terceirizados e estamos arriscando contrair esse vírus! Estamos na linha de frente, nossa vida vale mais do que qualquer valor! Sempre estamos à frente de tudo com um salário que, olha, só por Deus, viu! Enquanto os funcionários efetivos estão junto com seus familiares, nós estamos aqui na linha de frente! E com o que ganhamos, mal dá para as despesa da casa, imagina se ficarmos doentes? Só Deus!”

É urgente que a Reitoria da USP reveja essa transferência e garanta para os trabalhadores terceirizados os mesmos direitos que para os trabalhadores efetivos, liberando as controladoras de acesso para poderem seguir em quarentena com seus familiares, sem nenhum desconto de salário e direitos. Também é urgente que a Superintendência de Assistência Social garanta as condições de segurança, limpeza e alimentação para os moradores do CRUSP, que estão sendo abandonados à própria sorte pela reitoria da USP.




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