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DEMISSÕES | Terceirizadas da LG arrancam com sua luta pagamento de indenização pelas demissões

Após um mês de greve se enfrentando com todo o assédio, chantagem e pressão da LG e da justiça, as guerreiras terceirizadas da Bluetech, Suntech e 3C arrancam pagamento de indenização pelas centenas de demissões anunciadas após o fechamento da LG.

quinta-feira 6 de maio | Edição do dia

Depois do anúncio das demissões na LG, os patrões das empresas fornecedoras terceirizadas Bluetech, Suntech e 3C anunciaram demissões de 400 trabalhadoras, ameaçando não pagar sequer as verbas indenizatórias previstas em lei. Essas fábricas são compostas majoritariamente por mulheres, várias delas mães sólo, arrimo de família, que estão sendo deixadas sem emprego em meio à pandemia.

As trabalhadoras, entretanto, não deixaram barato. Organizaram uma forte greve unificada nas 3 empresas desde o dia 6 de abril. Desde o início, as trabalhadoras terceirizadas exigiam que sua indenização fosse igual à dos trabalhadores diretos da LG. Por conta da terceirização ilegal praticada pela LG, essas trabalhadoras sempre tiveram salários mais baixos e menos direitos, mesmo produzindo a grande parte dos celulares da empresa. O sindicato de metalúrgicos de Taubaté, da CUT/PT, se recusou a unificar a greve dos trabalhadores diretos com a dos terceirizados, alegando que se unificassem teriam que "dividir o bolo", e inclusive atuou para acabar rapidamente a greve na fábrica da LG, que foi votada pelos trabalhadores diretos contra o sindicato.

Leia mais: A esquerda pode transformar a luta das terceirizadas da LG em um exemplo nacional?

Vendo a força das trabalhadoras terceirizadas, os patrões das empresas (e a própria LG, que é quem de fato está por trás) tiveram que ir progressivamente aumentando as propostas de indenização, mesmo que antes tivessem alegado que supostamente não teriam dinheiro. Primeiro afirmaram que indenizaram com 2 salários. Mas as trabalhadoras se mantiveram firmes exigindo 100% da indenização dos trabalhadores diretos da LG. Depois a empresa ofereceu 50%, e depois ainda 70%. Mesmo assim, as trabalhadoras não se dobraram! Assim, as empresas tiveram que ceder e as trabalhadoras conseguiram arrancar 90% do valor da indenização da LG, além de outros benefícios.

Veja também: Porque a CUT não quis unificar terceirizadas e diretas na luta da LG?

Em meio ao governo reacionário e genocida de Bolsonaro e Mourão, que junto dos governadores e todo o regime do golpe são responsáveis pelos milhares de mortos e desempregados, a luta dessas trabalhadoras é inspiradora. Essas guerreiras terceirizadas valem muito mais do que todos os lucros da LG e tudo o que essa empresa deve a elas por suas ilegalidades, por seus anos de exploração e assédio. A força que mostraram nessa greve evidencia que nossa classe tem muita disposição de luta e, se a batalha se expandir para todas as categorias que estão sendo atacadas e demitidas, unificando as lutas nacionalmente, seria possível ir inclusive além e impedir as demissões. Só a unidade da nossa classe e a força que essas mulheres trabalhadoras inspiram é o que pode dar um basta nessa situação e fazer com que os capitalistas paguem pela crise.




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