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CAIXA ECONÔMICA

Terceirização e metas de vendas: respostas da Caixa Econômica ao agravamento da pandemia

Trabalhadores da Caixa, efetivos e terceirizados, estão trabalhando no limite em agências superlotadas em meio ao agravamento da pandemia. Resposta do banco tem sido mais cobrança de metas de vendas e, segundo anúncio desta quarta, a expansão da terceirização por meio de novas contratações.

quinta-feira 18 de março| Edição do dia

Foto: José Leomar/SVM

Reportagem do RJTV veiculada nesta quarta expôs o cenário da sobrecarga de trabalho entre os bancários da Caixa Econômica que nos últimos meses se desdobraram no trabalho remoto e presencial para garantir o atendimento em agências diariamente superlotadas. A precarização das condições de trabalho, no entanto, já vinha de antes da pandemia, onde 1 em cada 5 postos efetivos de trabalho foram cortados nos últimos 5 anos no banco, isso sem contar os cortes entre os trabalhadores terceirizados.

O mundo “cor de rosa” das metas

Tanto na reportagem do RJTV como nas denúncias anônimas que o Esquerda Diário tem recebido, saltam aos olhos o fato da direção da Caixa praticar sistematicamente o assédio moral na cobrança de metas de crédito pessoal, cartões de crédito e produtos de seguridade, como se não houvessem mais de 14 milhões de desempregados no país, como se o país não voltasse a se debater com o problema da fome, da carestia de vida, da inflação da cesta básica.

Segundo denúncias anônimas recebidas pelo Esquerda Diário, para o banco, a “competência” dos funcionários é medida em quantas capitalizações, seguros, previdência privada, se consegue vender, mesmo que isso implique em comprometer a renda de quem é beneficiário dos programas sociais como Bolsa Família. Um escândalo ainda maior em tempos de pandemia

E se o assédio moral antes da pandemia já levava a um quadro preocupante de adoecimento dos trabalhadores, agora tende a se agravar ainda mais quando se soma ao risco da Covid-19. Informações não oficiais contam que apenas nos três primeiros meses de 2021 já morreram 40 funcionários, o dobro em relação ao total de 2020.

Caixa vai reforçar o atendimento, mas com trabalho precário

Fazendo demagogia com a situação limítrofe da maioria dos funcionários e com o papel social essencial que a Caixa cumpre, a direção da Caixa nomeada pelo governo Bolsonaro anunciou a contratação de 7704 pessoas, sendo 2766 trabalhadores efetivos pelo concurso de 2014, e 4938 trabalhadores precários, entre estagiários, vigilantes e recepcionistas terceirizados.

Este anúncio expressa a preocupação hipócrita do governo Bolsonaro com a situação da pandemia que, por sua vez, apenas reforça a lógica de precarização onde a direção do banco segue priorizando os lucros às custas da saúde dos funcionários. Como disse uma trabalhadora terceirizada da Caixa ao Esquerda Diário, logo no começo da pandemia em 2020:

“É um absurdo a maneira distinta em que estes funcionários são tratados. Diante desta crise é fundamental que todos os funcionários, concursados e terceirizados, tenham direitos iguais, que coletivamente os trabalhadores que decidam a escala e jornada de trabalho reduzidas, e que todos os trabalhadores que são dos grupos de risco possam fazer a quarentena com licença remunerada, que a Caixa forneça todos os produtos de higienização e segurança como álcool em gel, sabão, máscaras e luvas. De modo geral, terceirizados e funcionários públicos são convocados a exercer as mesmas funções, entretanto os primeiros são as maiores vítimas da sobrecarga de trabalho, a mão de obra barata, a desvalorização de direitos, rotatividade e entre outras injúrias. Pergunto-me o por que disto? O que trará de retorno com esta desigualdade entre funcionários?”

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