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Amizade golpista vem de antes | Temer já salvou Bolsonaro em 1999, com uma carta, após defender fuzilamento do FHC

Após Bolsonaro defender publicamente o fuzilamento do então presidente da República, FHC, e o fechamento do Congresso em 1999, o presidente do Senado na época defendeu sua cassação. Temer, como bom pizzaiolo, defendeu o defensor de torturas e ditaduras e o salvou de cassação. E com uma carta! Mais de vinte anos depois, suas cartas surgem em momentos decisivos para salvar esse regime tão decrépito quanto o próprio Temer.

sexta-feira 10 de setembro | Edição do dia

Além de poemas ruins, Michel Temer escreve muitas cartas. Apesar de serem tão mal escritas quanto seus poemas, suas cartas mostram como o gênero epistolar está longe de sair da moda (infelizmente, para fins inescrupulosos). Quem não se recorda da carta que “vazou” misteriosamente para a imprensa, antes do impeachment, em que Temer chorava as pitangas por ter sido sempre escanteado no governo Dilma? Alguns dizem que o golpe começava ali.

Bem antes de dá-lo, na verdade, Temer já escrevia cartas. Em 1999, quando era presidente da Câmara dos Deputados, o vampirão salvou Bolsonaro de uma enrascada. O então deputado federal pelo Rio de Janeiro defendeu, em vídeo hoje bastante conhecido, o fuzilamento de Fernando Henrique Cardoso e o fechamento do Congresso Nacional. Na mesma época, ele disse que a ditadura matou pouco, que deveria ter matado 30 mil.

Como ele seguiu sendo um deputado após essa barbaridade? Coisas do Brasil e de uma transição pactuada da ditadura para o regime de 1988, onde militar nenhum foi punido, torturadores seguiram vivendo suas vidas recheadas de privilégios e os militares ampliando sua generosa renda.

Depois da fala de Bolsonaro, o corrupto e oligarca baiano Antonio Carlos Magalhães, então presidente do Senado, ameaçou: “Não vi a entrevista e não tenho por que ver ver essas loucuras, mas, se o deputado confirmar tais declarações, deveria ter seu mandato cassado”.

Temer era presidente da Câmara dos Deputados na época e ficou indignado que o Senado viesse dar pitaco em seus negócios. O pemedebista, então, escreveu uma carta pedindo a absolvição do homem. Como se a história não pudesse ficar mais bizarra, quem o absolveu foi o corregedor da Câmara, Severino Cavalcanti. Essa figura atroz depois veio a ser presidente da Câmara, mas foi afastado por corrupção no caso do “mensalinho”.

Corruptos, golpistas, torturadores, fuzilamentos… entre pessoas “de bem”, a história epistolar de Bolsonaro e Temer ganham um novo capítulo. Se antes Temer mexeu os pauzinhos em defesa de declarações arquirreacionárias de um deputado de baixo clero, hoje Temer cumpre papel importante para buscar estabilidade no regime apodrecido do golpe institucional. Dizem que Bolsonaro não mexeu em quase nada na Declaração à Nação. O ex-vice de Dilma Rousseff terminou a carta com as palavras de ordem da TFP, grupo reacionário que cumpriu papel importante no golpe de 1964: DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA. Se quiseres ler, prepare o estômago e clique aqui. O que une todos eles, incluindo o STF, é o desejo de aprovar ataques neoliberais contra a maioria da população. O Brasil, de fato, não é para amadores.




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