Internacional

ATO PTS: CHILE DESPERTOU

"Tem setores que chamam ao diálogo com um governo que tem as mãos sujas de sangue"

Reproduzimos o discurso de Lyam Riveros, estudante da Universidade de Valparaíso, sobre essa juventude destemida que se une aos trabalhadores para lutar contra Piñera e o regime herdado da ditadura de Pinochet.

sábado 16 de novembro| Edição do dia

Olá companheires, é um prazer poder trazer do Chile as saudações de uma juventude sem medo, que hoje tem se rebelado contra um regime que não nos deu nada porque não tem nada a oferecer. Há um mês, estamos nos levantando contra um governo empresarial que assassinou, torturou e estuprou nossos companheiros, perseguindo aqueles que se mobilizaram em escolas de ensino médio e universidades, sem conseguir impor o medo e a normalidade que o governo busca.

Durante muito tempo nós, os estudantes, fomos o setor mais atingido pela agenda repressiva do governo, chegando a ter escolas de ensino médio e universidades sitiadas pela polícia.

Por isso fomos os jovens que acenderam a faísca da rebelião popular chilena, junto com nossas famílias que há décadas são atormentadas por salários de fome e aposentadorias miseráveis. Eles tentaram nos convencer de que a única alternativa era o neoliberalismo, mas já não temos mais medo e agora estamos lutando juntos com trabalhadores, estudantes e a população da periferia para derrubar o governo de Sebastián Piñera e todo o regime herdado da ditadura militar.

Eu venho de Valparaíso, uma cidade com altas taxas de pobreza e desemprego, onde jovens são relegados a empregos não desejados e a uma educação precária pela qual muitos têm que pagar trabalhando e estudando ao mesmo tempo. Mas a juventude não é a única que vive a precarização. Confluímos também na luta com setores do movimento de trabalhadores, como os trabalhadores portuários e os professores, que no ano passado e neste ano se levantaram contra o trabalho precário imposto pelos grandes empresários e que hoje demonstramos exemplos claros de unidade e combatividade, buscando mudar tudo desde sua raiz.

Juntamente com meus colegas da universidade, cansamos de esperar que a burocracia estudantil liderada pela "oposição" convocasse assembléias deliberativas pelas quais pudéssemos coordenar a luta como estudantes. Por isso decidimos assumir essa tarefa em nossas mãos, tomando uma faculdade da nossa universidade para levantar espaços de auto-organização e coordenação, como comitês de emergência e resguardo, onde prestamos ajuda médica, apoio jurídico de direitos humanos e que, no calor da rebelião, serviram como espaços de articulação entre trabalhadores e estudantes.

Temos a força para que ninguém nos impeça de realizar isso. Mas também temos nossos debates dentro do movimento, como Bea disse, onde setores da “oposição” fazem um apelo aberto a dialogar com um governo assassino e isso não podemos permitir. Eles chamam ao pacto, ao diálogo com um governo que tem suas mãos manchadas de sangue. Os companheiros e companheiras mortos não são números, são companheiros e companheiras que nunca voltaram para casa por culpa desse regime. É por isso que não somos qualquer juventude: procuramos levantar uma juventude anticapitalista revolucionária que se una ao movimento de trabalhadores, na perspectiva da greve geral e de uma Assembléia Constituinte, Livre e Soberana erguida sobre as cinzas deste regime. NOSSOS MORTOS NÃO SE NEGOCIAM!

Por isso, acabamos de iniciar uma reunião da juventude anticapitalista e revolucionária em Valparaíso, reunindo-se companheiro do PTR e setores da juventude que estão dispostos a combater a normalidade que o governo deseja nos impor, tomando nossas escolas e universidades porque entendemos que sobre o sangue de nossos mortos, não se negocia. Por isso dizemos muito alto: JULGAMENTO E PUNIÇÃO A TODOS OS RESPONSÁVEIS! LIBERDADE A TODOS OS PRESOS POR LUTAR!

Somos uma juventude internacionalista, porque somos irmãos do povo boliviano que enfrenta o golpe, do povo equatoriano que se rebelou contra Lenin Moreno e o FMI, daqueles que enfrentam Bolsonaro no Brasil ou o regime do FMI na Argentina que não faz mais do que deixar fome e miséria saqueando o país.

Porque nossa rebelião no Chile tem que ser um grande impulso para construir uma alternativa revolucionária, operária e socialista na América Latina e no mundo. Porque o capitalismo não tem nada a oferecer além de guerras, destruição do planeta, miséria, exploração e opressão para a juventude, os LGBTS e a classe trabalhadora.

É por isso que hoje não temos medo de nada. Porque eles nos tiraram tanta coisa que nos tiraram até o medo. Por isso, vamos com tudo em nossa rebelião no Chile, mas sabemos que, para triunfar, precisamos construir um partido revolucionário nacional e internacional, por isso fazemos um chamado aos jovens argentinos que se organizem e tomem o exemplo do Chile, porque temos forças para despertar a classe trabalhadora e derrubar o regime capitalista internacionalmente.

Muito obrigado companheirxs.




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