×

Garis do Rio de Janeiro | “Tamo lutando pra sobreviver, sem condição nenhuma de trabalho” diz Gari do Rio

sexta-feira 8 de outubro | Edição do dia

O Esquerda Diário entrevistou os trabalhadores da Comlurb do Rio de Janeiro ontem, na manifestação contra o ataque no plano de saúde a perda salarial da categoria e entrevistou os trabalhadores em luta.

O Gari Leo falou para o Esquerda Diário:

Sou funcionário da categoria há 14 ou 15 anos, e estamos mais um dia nessa luta. A empresa trocou nosso plano de saúde sem comunicar a categoria, e estamos aqui reivindicando na porta do sindicato. Saímos de um plano "melhorzinho" para ir pra um pior que você paga co-participação, que não pagava antes. E estamos aqui aguardando uma resposta do sindicato, entendeu?

Esquerda Diário: A gente viu que o plano de saúde Klini tem menos de 1 ano de existência no Rio.

Sim, fizeram o levantamento, tem 1 ano só de empresa funcionando. E a respeito de hospital de rede credenciada, mostraram um cartel de hospitais bons, só que os trabalhadores que já tão fazendo tratamento, estavam fazendo na rede credenciada Assim, aí eu não sei como que fica, quem tá internado, quem está fazendo tratamento, home-care, como é que vai ficar? Estamos esperando a posição do sindicato, porque mudaram sem comunicar a categoria.

ED: E como está o sindicato com isso?

O sindicato, como sempre, está omisso né, ninguém atende a gente. Estamos ai fazendo nossa manifestação pacífica, requerendo nossos direitos como qualquer trabalhador. Independe se nós trabalha com lixo, nós não somos lixo, somos seres humanos, honestos, trabalhadores essenciais, já provamos isso em 2014.

Estamos na pandemia, um vírus maldito matando familiares, matando colegas nossos, só na minha gerência morreram 4 colegas, se me recordo direito. Pessoas muito queridas. Pela empresa e pelo sindicato, somos tratados como lixo, coisa que nós não somos, estamos aguardando com cautela, estamos há 3 anos sem aumento, desde 2019 sem um reajuste salarial, a inflação já está lá em cima, você vai num supermercado pra fazer uma compra digna, para alimentar nossa família, não está dando nem pro grosso, resumindo tudo estamos lutando pra sobreviver, sem condição nenhuma de trabalho. Tão cortando tudo, para você ver, tudo de material, e ai estamos aguardando se vai ficar bom pra gente. Se não, luta sempre. Desistir nunca, né?

Uma gari relatou a realidade na vida dos garis com essa mudança abrupta do plano de saúde:

Boa tarde. No dia 20 de setembro fomos informados pelos encarregados que o plano seria mudado. Não deram 1 mês para avisar o povo, os garis foram enrolados. Quando foi no dia 1o não conseguimos marcar nenhum médico. Tínhamos exames marcado, eu tinha exame do coração marcado, da tínhamos fisioterapia marcada e não conseguimos. O nosso amigo tinha uma operação do filho marcada na sexta-feira e não conseguiu operar, e tá essa bagunça. Filhos especiais sem ter médico e a Comlurb falando que tá tudo resolvido, não está! Fomos numa clínica da Klini dentro de uma comunidade, lá no final, um barracão sem estrutura nenhuma, desse jeito.

Esquerda Diário: E na pandemia, como foi?

Na pandemia, estávamos na frente de linha. Todo o dia trabalhando, trabalhei doente! Trabalhei no caminhão da B.A., carregando botando e virando dentro do caminhão. Foi 5 meses trabalhando no caminhão da BA. Sou gari de escola e botavam a gente para tudo quanto é lugar, a gente não podia parar, trabalhamos de segunda à segunda porque os garis não podiam parar. Fomos os últimos a ser vacinados!

ED: E você tem algum recado para dar para quem não está aqui?

Eu quero que todos garis venham para cá na Major Ávila, todos garis tem que vir para cá porque o sindicato não quer botar a cara, não quer falar nada, não quer representar a categoria.

O Gari Valdemir também falou ao Esquerda Diário:

Pessoal, boa tarde, Valdemir Olídio, um prazer estar com vocês. Eu queria deixar uma chamada para os trabalhadores que podem contribuir com a gente com este jornal, através das redes sociais, porque nos estamos passando um desmonte não só no município do Rio né. No município, no Estado e no país, a reforma que aí está só está nos prejudicando enquanto trabalhador. Então nós garis do Rio de Janeiro hoje estamos chamando o presidente do sindicato Asseio e Conservação a estar com a gente aqui embaixo. Nós não vamos subir não, para falar com ele, o desejo nosso é que ele desça para dar um respaldo, para a gente sair daqui com a pauta para a sede da empresa na Major Ávila.

Você que está lendo essa matéria, por gentileza, e nos ouvindo, aquele abraço, mas é bom estar aqui. Divulguem, hein, pessoal!

Outra gari deu o seguinte depoimento ao Esquerda Diário:

Eu acho que a coisa começa toda errada, partindo lá de cima, partindo dos vereadores, deputados, enquanto que esses direitos tem que ser para a classe menor, que tem a necessidade desses direitos. Eu tô com minha filha, meu esposo é gari, eu sou gari. Para a minha filha fazer vestibular para medicina eu tive que pegar 11 mil reais de empréstimo para poder pagar e mais R$ 11 mil o meu marido tá tendo que pagar, pagando R$ 800,00 por mês. Um dinheiro que sai do nosso orçamento para custear uma coisa que deveria ser de graça.

Eu acho que a faculdade pública deveria ser para as pessoas que são baixa renda, porque eu sou prestadora de serviço da prefeitura, se minha filha completou o segundo grau e quer fazer uma faculdade, tem que ser direto para ela. Não eu ter que pegar e custear um vestibular para a minha filha ter que disputar com filho de médico. Qual as condições que ela tem lá? Nenhuma. Mas os pais estão fazendo da tripa coração para ela estar disputando também.




Comentários

Deixar Comentário


Destacados del día

Últimas noticias