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REABERTURA SEGURA?

Surto de covid nas escolas de Campinas: prenúncio do plano de reabertura “segura” de Doria

A apenas duas semanas da retomada de aulas presenciais em diversas escolas particulares de Campinas, o número de casos confirmados de covid-19 explodiu e coloca em xeque o discurso de Doria e Rossieli sobre a reabertura “segura” das escolas estaduais.

quarta-feira 3 de fevereiro| Edição do dia

Escola com 5 funcionários afastados com suspeita de covid-19 [Imagem: GoogleStreetView]

Diversas escolas particulares de Campinas retomaram as aulas presenciais em 25 de janeiro, mas já tiveram que retroceder da medida devido à explosão de casos confirmados de covid-19 na comunidade escolar. Em algumas escolas as aulas presenciais estão suspensas pelo menos até o dia 18 deste mês. O caso mais emblemático é o da escola Jaime Kratz, que hoje já tem 5 alunos e 37 professores infectados, com um caso mais grave de internação.

Nas escolas estaduais, em que os professores foram obrigados a comparecer presencialmente para acompanhar atividades online, vem aumentando os casos confirmados. No caso de Campinas, a Escola Estadual Dep. Eduardo Barnabé foi a primeira a ter casos confirmados, sucedida por outras escolas da cidade e região. No entanto, mesmo diante do aumento de casos e da explosão de contágio nas escolas particulares, o governador João Doria (PSDB) e o secretário da educação, Rossieli, seguem intransigentes na manutenção do início das aulas presenciais para a próxima semana, a partir do dia 08.

O governo de SP bota nesse momento milhões de vidas de funcionários, professores, estudantes e seus familiares em risco: não existe plano de reabertura sério e, portanto, seguro se não se garante, dentre outros protocolos sanitários fundamentais, a testagem de toda comunidade escolar. O surto de casos nas escolas de Campinas escancaram isso.

Reabertura segura?

É um crime contra a população e uma fake news o secretário de educação dizer que covid não se pega na escola e que não ocorreram contaminações nas escolas do estado de São Paulo: sem testagem e rastreio ele brinca com números pra imprensa. Assim como é mentira o secretário afirmar que as escolas públicas estão preparadas para o retorno seguro. Quando na verdade qualquer professor e estudante sabe que falta tudo nas escolas.

Desde o início da pandemia Doria não criou as condições minimamente necessárias para o combate da mesma. Muito pelo contrário. Na rede pública de ensino as trabalhadoras terceirizadas foram demitidas e mais de 35 mil professores categoria O ficaram sem salário. Para os estudantes não for criadas as condições reais que garantisse o ensino remoto. Assim como não garantiu a segurança alimentar das crianças e jovens.

Com ônibus e metrô abarrotados, sem vacinação da comunidade escolar, testagem massiva e rastreamento de contato, não existe plano seguro de retorno. É uma farsa diante das necessidades familiares que fará o sistema público de saúde de São Paulo colapsar. Quem deve decidir quando e como às aulas devem voltar é a comunidade escolar junto aos trabalhadores da saúde.

O Esquerda Diário abriu um canal de denúncia anônima para que os trabalhadores da educação, familiares e alunos enviem denúncias desmascarando Doria que quer impor um retorno presencial inseguro das aulas durante recrudescimento da pandemia, enquanto a maioria das escolas não possuem estrutura para um retorno com segurança sanitária.

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Contra o retorno irracional às aulas: organizar a comunidade escolar por condições seguras, direito à vida e vacina! - Declaração do Movimento Nossa Classe Educação




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