×

Sexualidade | "Sou Joshua Cavallo, jogador de futebol e tenho orgulho de ser gay"

O jovem de 21 anos se tornou viral depois de ser o primeiro jogador profissional de futebol deste século de uma das principais ligas a se apresentar publicamente como gay. Nas redes sociais, ele recebeu várias mensagens de apoio. No Brasil, ficou marcada a de German Cano do Vasco.

sexta-feira 29 de outubro | Edição do dia

Na arena esportiva de elite masculina, com algumas exceções, a homossexualidade continua sendo um assunto tabu. Nesse contexto, a afirmação do jogador da equipe australiana Adelaida United, Joshua Cavallo, com um vídeo e uma carta nas redes sociais, se tornou viral.

“Lutei contra minha sexualidade por mais de seis anos e agora tenho orgulho de poder descansar sobre isso”, disse ele na carta que publicou. Lá, ele também descreve que "é incrível ver que atualmente não há jogadores de futebol gays que jogam profissionalmente e ’aparecem’ enquanto estão jogando, não apenas na Austrália, em todo o mundo".

Homofobia | Maurício Souza quer ter o direito de ser homofóbico no país que mais mata LGBTs no mundo

Em ligas menores aparecem jogadores que se declaram homossexuais, mas nas ligas de elite é bem diferente. “Espero que isso mude em um futuro próximo. Espero que, compartilhando quem eu sou, possa mostrar a outras pessoas que se identificam como LGTBQ + que elas são bem-vindas na comunidade do futebol. Quero ajudar outros jogadores na minha situação para que sintam que não estão sozinhos ”, garante na carta.

Muito em sintonia com a época em que a política de tolerância para com as pessoas LGBTIQ +, que avançou fortemente durante o neoliberalismo, seu depoimento recebeu vários sinais de apoio. Do mundo do futebol, o jogador sueco do Milan Ibrahimovic, Gerard Piqué do Barcelona e relatos oficiais de clubes como o Liverpool falaram com uma mensagem a favor. No Brasil, Germán Cano apoiou e falou em mandar uma camisa do Vasco ao jogador australiano.

No início dos anos 1990, o primeiro jogador negro a ser negociado de um clube por um milhão de libras, Justin Fashanu, tornou-se publicamente gay com uma capa no tablóide inglês The Sun: "A estrela de um milhão de libras: eu sou gay". Apesar de ser um jogador conhecido, a reação na época com a discriminação e o racismo foi brutal. Foram anos em que os setores ultraconservadores lançaram uma campanha contra a “peste rosa”, em referência ao HIV, com o objetivo de estigmatizar as pessoas LGBTIQ +.

O evento foi um marco em sua carreira. Anos depois, ele é acusado de abuso sexual. O caso não avançou por falta de provas, mas Fashanu acaba tirando a própria vida em 1998, deixando uma carta dizendo que "já havia sido considerado culpado". É por essa história que sua data de nascimento, 19 de fevereiro de 1961, foi declarada Dia Internacional Contra a Homofobia no Esporte.

Hoje o panorama é muito diferente após a conquista de direitos e décadas de política de "inclusão", principalmente no mundo ocidental. As novas gerações questionam cada vez mais a sexualidade, os gêneros e todos os estereótipos que as atravessam. Mesmo as grandes empresas, que em muitos casos são patrocinadoras dos mais importantes jogadores de futebol, se fazem passar por gay-friendly e fazem da bandeira do orgulho um motivo para aumentar sua lucratividade e melhorar sua imagem pública, ao mesmo tempo em que sustentam a desigualdade econômica sofrida por muitos.

Embora muita água tenha passado por baixo da ponte, o depoimento de Joshua Cavallo, que faz parte de um pequeno círculo de jogadores das primeiras ligas, revela como o preconceito e a discriminação contra as pessoas LGBTIQ + ainda persistem na sociedade.

LGBTfobia | Só a nossa luta pode enfrentar o ódio da família Bolsonaro contra os LGBTQI+

Traduzida por: Calvin de Oliveira




Comentários

Deixar Comentário


Destacados del día

Últimas noticias