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Somente após explosão de COVID e caos na saúde, Justiça aceita suspender ENEM no Amazonas

Com explosão de casos de COVID e colapso dos hospitais, ENEM é adiado no estado do Amazonas excepcionalmente. Tendo sido a aplicação do exame mantida para o próximo domingo (17), nos demais estados mesmo diante risco de exposição dos milhões de inscritos e aplicadores por todo país.

Grazieli Rodrigues

Professora da rede municipal de São Paulo

quinta-feira 14 de janeiro| Edição do dia

Ontem (13) à noite, a Justiça Federal suspendeu a aplicação da prova do ENEM no estado do Amazonas, exame que tem a aplicação prevista para o próximo domingo em todo país. O estado está atualmente com situação de calamidade pública declarada devido ao profundo aumento dos casos de COVID e um contexto de colapso do sistema de saúde pública, descrito pelo pesquisador Jesem Oerellana, da Fiocruz-Amazônia da seguinte forma: "Oxigênio acabou e hospitais de Manaus viraram câmara de asfixia”.

Saiba mais sobre a situação do Estado do Amazonas:Em Manaus mulher relata falta de oxigênio em hospital: "Tanta gente morrendo por asfixia"

Nesse contexto em que 6 milhões de pessoas estão inscritas no ENEM, o pedido da Defensoria Pública da União pelo adiamento do exame sob o argumento de que a circulação desse público para realização do exame pode ser uma via de aumento dos casos em todo o país foi negado pela justiça de São Paulo.

Mediante uma mobilização nacional dos estudantes, numa forte campanha expressa pelo #AdiaENEM, que somente após muito barulho foi ouvida parcialmente pelo MEC e INEP, que não adiou de forma definitiva o exame, e como podemos lembrar que tinha como Ministro o reacionário Abraham Weintraub no começo da pandemia e depois foi cenário de um troca-troca do bolsonarismo que reflete diretamente na irresponsabilidade com que o direito à educação foi tratado na pandemia.

Negacionismo de Bolsonaro e irresponsabilidade dos inúmeros governos que também são responsáveis pela crise que vivemos, problemas que se materializam na manutenção arbitrária – e excludente - de um exame da importância do ENEM, após um ano em que os estudantes da rede pública quase não tiveram aulas devido as inúmeras dificuldades de acesso em nada supridas pelos governos, que de norte a sul do país negligenciaram a vida dos trabalhadores e seus filhos.

Reafirmamos categoricamente que a realização do ENEM nesse momento significa não abrir mão, mesmo diante os corpos das mais de 200 mil vítimas fatais da COVID 19, da manutenção do vestibular como um filtro social que é, onde é a juventude negra, periférica e trabalhadora, quem fica de fora pelas precárias condições de vida e estudo, aprofundadas agora pela pandemia.

Leia também a declaração a Juventude Faísca: #AdiaEnem e todos os vestibulares: que a UNE articule um plano de luta dos estudantes

Sendo necessário uma resposta que passe por derrubar a PEC do teto de gastos e a Lei de responsabilidade fiscal, ambas usadas para garantir o pagamento da ilegítima, ilegal e fraudulenta dívida pública em detrimento do investimento em saúde e educação. Sem um questionamento profundo a esses ataques, a determinação dos governos de seguirem com seus mecanismos de exclusão, como o vestibular e o ENEM, inclusive em crises como a que estamos vivendo, seguirão imperando.

Por isso é mais que urgente a organização e luta do movimento estudantil em aliança com os trabalhadores, com independência dos golpistas que fazem demagogia com tais pautas, sendo as entidades do movimento estudantil – como a UNE, e de trabalhadores – como a CUT e CTB, atores fundamentais no fomento a mobilização desses setores, assim como é fundamental que rompam com uma política diplomática frente aos ataques que seguiram sendo aprovados mesmo durante a pandemia, sendo esse o único caminho possível para que não sigamos pagando com nossas vidas pela crise hoje instalada.




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