Política

DECLARAÇÃO POLÍTICA

Solidariedade com a caravana migrante! Abaixo as políticas repressivas impostas pelos EUA!

Os governos de Honduras, Guatemala, El Salvador e México mostram seu servilismo diante dos planos anti-imigrantes ditados pelo governo dos Estados Unidos. O governo da Guatemala reprime e desmantela a primeira caravana de migrantes de 2021.

quarta-feira 20 de janeiro| Edição do dia

Em 14 de janeiro, uma nova caravana de cerca de seis mil migrantes hondurenhos partiu de San Pedro Sula, Honduras, com destino aos Estados Unidos.

Famílias inteiras decidiram fugir por falta de emprego, pobreza extrema e agravamento da crise humanitária, após a negligência do governo frente a pandemia e da passagem dos furacões Eta e Iota, que deixaram pelo menos 200 mortos e mais de 3,8 milhões de vítimas. É a terceira caravana de migrantes desmantelada pela repressão desde o início da pandemia COVID-19.

A repressão é resultado da pressão imperialista exercida pelo governo de Donald Trump, ao qual se subordinam os governos de Honduras, Guatemala, El Salvador e México, que perseguem e atacam os migrantes, separam famílias e os obrigam a permanecer em centros de detenção onde violam seus direitos humanos mais básicos.

A resposta repressiva que o governo de Alejandro Giammattei deu na Guatemala, com o destacamento do Exército e da Polícia Nacional, ocorre no marco do recente acordo firmado pelos governos que compõem o chamado Triângulo Norte (Guatemala, El Salvador e Honduras) e México, cujo objetivo principal é o intercâmbio de informações para detectar, conter e deportar migrantes de países da América Central.

Enquanto o governo Giammattei mantém sua política repressiva com toque de recolher e o Exército nas ruas - usando como pretexto a crise sanitária- o governo López Obrador ae a autodenominada Quarta Transformação no México, não hesitou em destacar a Guarda Nacional para reprimir e facilitar a deportação de milhares de migrantes para seus países de origem. Migrantes são vistos morrendo em solo mexicano, como em 2019, quando Óscar Alberto Martínez Ramírez e sua filha Valeria, de um ano e 11 meses, se afogaram no Rio Grande enquanto tentavam cruzar a fronteira.

Honduras, de onde se originou a caravana, é o país com as maiores taxas de pobreza e homicídio de toda a região; com um governo conservador que se mantém há mais de uma década com o presidente Juan Orlando Hernández no comando, figura recentemente nomeada no narcotráfico, mas "amigo" da Casa Branca.

Continuidade anti-migrante

A xenofobia, o racismo e a política de perseguição e "tolerância zero" contra os migrantes foi uma das marcas da gestão de Donald Trump, que deu continuidade e aprofundou o que foi feito pelo democrata e "grande deportador" (como o batizaram associações de migrantes nos EUA) Barack Obama. O governo do republicano terminará com novos regulamentos que tornam quase impossível obter asilo no país do norte e cujas medidas entraram em vigor nove dias antes da posse de Joe Biden, em 20 de janeiro.

Tanto democratas quanto republicanos são responsáveis pela separação de crianças de suas famílias deportadas, pela esterilização de milhares de mulheres com histerectomias forçadas e pela falta de atenção médica para lidar com infecções massivas de Covid em centros de detenção.

A reforma da imigração de Joe Biden presume uma nova "anistia" para cerca de 11 milhões dos sem documentos que vivem nos Estados Unidos. Se essa anistia se concretizar, será produto de décadas de luta dos trabalhadores sem documentos e da esquerda nos Estados Unidos. No entanto, a proposta de Biden mantém todas as medidas contra as novas ondas de migrantes de países centro-americanos, africanos, cubanos e haitianos, que são o resultado de ingerências e dos planos imperialistas.

Um exemplo dessa ingerência foram as múltiplas intervenções que o imperialismo norte-americano orquestrou no istmo centro-americano, como o golpe em Honduras em 2009, sob a cobertura de organizações como a ONU e a OEA que serviram para dar ares a esse regime apesar da rejeição massiva da população que saiu para enfrentar a gestão de Juan Orlando Hernández nas ruas; em 2015 com as marchas de tochas e as amplas mobilizações de rechaço a fraude eleitoral em 2017.

Solidariedade com a caravana de migrantes

Responsabilizamos o governo da Guatemala pela retenção ilegal de pelo menos um dia e meio da caravana de migrantes, bem como pelo risco à saúde a que expuseram mais de 6 mil pessoas, incluindo mulheres e crianças - segundo a mídia local daquele país - até a tarde desta segunda-feira havia pelo menos 20 casos de infecções por covid.

Os socialistas do Movimiento de las y los Trabajadores Socialistas de México, da Organización Socialista Revolucionaria de Costa Rica e Left Voice de Estados Unidos , impulsionadores da rede internacional de diários da Fração Trotskista - Quarta Internacional em 14 países e em 6 línguas, denunciamos a criminosa política anti-migrante dos governos centro-americanos, mexicano e do governo imperialista estadunidense.

Em meio à atual pandemia, é ultrajante que os governos da região destinem bilhões de dólares para financiar a militarização das fronteiras e a repressão aos migrantes. À exigência de abolir o ICE (Serviço de imigração e fiscalização aduaneira) nos Estados Unidos, acrescentamos a exigência da retirada de fundos das instituições que reprimem os migrantes no México e na América Central e destiná-los ao aumento imediato do orçamento da saúde em nossos países para combater o SARS-CoV-2.

Diante da brutal perseguição aos migrantes e das políticas xenófobas e racistas do imperialismo e das burguesias nativas a ele subordinadas, impulsionamos uma política antiimperialista e internacionalista.

Defendemos que uma verdadeira saída para a comunidade migrante e para a atual crise humanitária só pode vir da classe trabalhadora da região, junto com o movimento Black Lives Matter nos Estados Unidos, camponeses, comunidades e povos nativos, indígenas, mulheres e jovens que tem resistidos aos ataques desses regimes em nossos países. A luta dos migrantes está ligada, nos Estados Unidos, com a luta contra o racismo e contra os grupos de extrema direita que aterrorizam negros, latinos e famílias que cruzam o sul da fronteira enfrentando milhares de perigos.

Juntos podemos levantar um amplo movimento para conquistar o livre trânsito nos países da região, com direito à saúde que é urgentemente necessária na atual pandemia e a abrigos seguros, dignos e gratuitos.

Lutamos por plenos direitos sociais e políticos para todos os migrantes, garantindo-lhes automaticamente residência legal e nacionalidade se assim o desejarem nos Estados Unidos ou no país que os reivindicam, bem como contra o racismo, a repressão e todos os atos de xenofobia.

Essas demandas devem ser tomadas como parte de uma grande campanha internacional impulsionada por sindicatos, organizações democráticas, de direitos humanos, juventude, movimento de mulheres e pela esquerda em toda a região.

Nenhum ser humano é ilegal! A classe trabalhadora é uma e sem fronteiras!




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