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"Só de ontem pra hoje já foram 3 cobradores e 2 motoristas. Tudo de covid", motorista denuncia mortes

Reproduzimos relato de um motorista do transporte público denunciando as mortes e a condição de trabalho que colocam trabalhadores e usuários em risco no Distrito Federal, em Goiás e em todo o país. Que tomem o nosso jornal como uma ferramenta de organização e luta.

terça-feira 30 de março| Edição do dia

Só de ontem pra hoje já foram 3 cobrador e 2 motorista. Tudo de covid. E só de ontem pra hoje. Todo mundo entra e sai o tempo todo aqui, e sem como se proteger. O risco é pra todo mundo. É, eu não sei não rapaz, o povo tá morrendo. A irresponsabilidade em si, é do governo. Por que, os ônibus estão todos lotados, como por exemplo, eu moro em Planaltina do Goiás, além de carregar o povo o dia todo no ônibus aqui sem proteção, depois eu pego ônibus também pra vim e pra mim voltar pra casa. Lotado.

Os ônibus tão horrível. E olha aqui minha proteção não é profissional, é o que eu tenho mesmo. A empresa não dá e o governo não dá, por isso é dos governos, a irresponsabilidade disso. Em relação a esses ônibus do Goiás aí, do Goias pra cá, isso tá precário, tá horrível. E todo mundo tem que vim trabalhar nele, né? Esse pessoal aí, eles não tão dando importância pra ninguém não, tá tudo lotado, diminuíram os ônibus, as pessoas tão morrendo nos ônibus, os motoristas também e cobrador também.

E não é só isso, que nóis ficamos se expondo mas eu tenho eu e a minha esposa. Minha esposa tá dentro de casa, ela num sai. Mas eu saio pra trabalhar e volto, desse jeito, adianta de que? Eu faço todas as minhas prevenções que posso, eu chego em casa e tiro toda minha roupa, os calçados, nem falo com minha esposa antes de eu tomar banho, em casa não entra nada disso, mas isso não tá sendo suficiente? Não. É uma irresponsabilidade. A empresa não oferece teste, eles oferecem convênio, e se você tiver como pagar o convênio, aí se você tiver com sintoma você procura e pede o teste. Então é isso, é a empresa e o governo que não dá, e vai todo mundo se contaminando, porque o ônibus está lotado. E as pessoas tão morrendo. Já tem muito caso que eu poderia te contar.

***

Essa é a situação das e dos trabalhadores dos transportes e dos usuários em todo o país. Em nossa região, centenas de milhares de trabalhadores percorrem as dezenas de quilômetros que separam o Plano Piloto das cidades satélites, e ainda mais das cidades goianas do entorno do DF, como é o caso desse motorista que pediu sigilo de seu nome. A maioria são negras e negros, jogados para fora da famigerada Brasília pelo aparthaid de classe e raça, mas que todos os dias vem fazer a cidade funcionar.

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Com uma média móvel de mortes que não para de subir, para não passar fome os trabalhadores arriscam a própria vida diariamente. Enquanto isso, os barões da vacina lucram bilhões com suas patentes nas negociações com os governos que nos entregam a vacinação a conta gotas. Também lucrando milhões estão os magnatas dessas empresas privadas de transporte, como a BRT, que deveriam ser estatais e sem patrões, com os próprios trabalhadores na gestão. Somente nós trabalhadoras e trabalhadores, enfrentando Ibaneis, Caiado, Bolsonaro, e todos os golpistas que habitam nosso planalto central, podemos dar uma saída pra essa situação.

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Chamamos os trabalhadores a se organizem nas garagens de busão, nos metrôs, nas escolas, nos serviços, em todos os locais, e exigir que seus sindicatos deem as caras, para colocar de pé comissões de saúde e higiene, democráticas, onde os próprios trabalhadores possam discutir as medidas necessárias para diminuir os riscos de contaminação: EPI’s, escalas, tudo que for necessário. E com essa força unida possa exigir das empresas. Se essas comissões se unem a outras, e exigem das centrais sindicais que chamem isso em cada local de trabalho, junto com assembleias, começamos a organizar a força necessária para que não morramos mais diariamente pelo covid, pela fome, ou pelas balas da polícia. Enquanto os próprios golpistas se dividem, brigam e hoje estampam os jornais, podemos entrar em cena e fazer com que sejam os grandes capitalistas, que têm tudo porque lucram com nosso trabalho, que pagem pela crise sanitária e econômica.

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