Mundo Operário

Dia do professor

Ser professora no DF: esmorecer, diante do caos, não é opção.

Relato de uma professora da rede privada de ensino no DF. Nesse dia dos professores, é fundamental a luta pela valorização do trabalho das e dos professores. Para isso, é preciso a luta consciente de todos os trabalhadores para botar abaixo esse regime e quebrar esse sistema de exploração.

quinta-feira 15 de outubro| Edição do dia

Ser professor no DF:

É estar à mercê do mais caro meio de transporte coletivo e, mesmo assim, ter que se virar para chegar a tempo no trabalho ainda que isso signifique pegar mais de um ônibus. Por isso, precisamos madrugar para enfrentar a jornada.

É estar à mercê da mais-valia, assim como toda a classe trabalhadora. Obrigam constantemente que nós estejamos "atualizados", ou seja, que façamos todos os cursos sobre "as novas tecnologias", no entanto, quando se trata de reconhecimento e valorização, temos um dos piores pisos salariais. A situação se agravou durante a pandemia, pois muitos de nós tivemos corte salarial pela metade. No entanto, as despesas e os boletos seguem chegando e vencendo na mesma proporção como se não houvesse uma crise pandêmica.

É estar à mercê da exploração cada vez mais forte, porque nunca vivenciamos uma relação trabalhista em um formato remoto. Fazemos "lives" e gravações e enfrentamos vários desafios, desde técnicos até afetivos. As escolas estão oferecendo cursos e reuniões, por vezes fora do horário de trabalho, que se somam ao tempo que se leva para organizar as gravações e as "lives" - ou seja, estão nos sobrecarregando como se estivéssemos 25 horas por dia disponíveis. Pergunta central: todos os professores receberam essas horas extras durante esse período remoto de trabalho???

É estar à mercê da falta de assistência médica, inclusive mental. Seguimos o trabalho, fazendo todas as tarefas, até mais! O esgotamento emocional e mental é real, contudo muitos de nós não temos um acompanhamento psicológico nas escolas em que trabalhamos. Sem um salário digno para pagar as despesas mensais, muitos não conseguem guardar dinheiro para investir na própria saúde, já que muitos são o eixo econômico e emocional da família, esmorecer, diante do caos, não é escolha.

É estar à mercê de um desgoverno que escancara a falta de respeito e a desvalorização que nós sofremos. Acusam a gente de não querer trabalhar, sendo que, desde o início da quarentena, estamos, cada um na sua realidade, nos esforçando para fornecer o melhor trabalho possível. Fato é que cientificamente não faz sentido algum o retorno das aulas presenciais se for colocar em risco nossas vidas e a de todos os profissionais da Educação, bem como a de nossos alunos. Mas, isso não importa. Não importa que seja um vírus que pode ser transportado, o que faz de todos nós vítimas ou vetores em potencial. Se, porventura, acontecer o pior - a culpa é de quem???

É estar à mercê de todas essas batalhas e ainda assim amar a profissão que escolheu. Sim, foi escolha. Longe dos clichês que muito difundem como "professor é missão", que só romanceiam a exploração que vivenciamos. Professor é profissão! Queremos nossa profissão valorizada e respeitada. A desqualificação é social, portanto pode ser revertida. Mas, a reforma que o desgoverno pretende instalar vai cada vez mais precarizar e desvalorizar nossa profissão. Só a luta consciente de todos nós para quebrar esse sistema de exploração!




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