#JUSTIÇAPORMIGUEL

#SemanaMiguel marca 1 ano de luta por justiça de Mirtes Renata

quinta-feira 27 de maio| Edição do dia

No dia 02 de Junho se completa um ano da morte do menino Miguel Otávio em decorrência do abandono da que então era a patroa de sua mãe.

Mirtes Renata, mãe de Miguel, assim como outras milhares de trabalhadoras domésticas que não foram dispensadas do trabalho em meio a pandemia, foi obrigada a comparecer ao trabalho em um dos mais luxuosos condomínios do Recife, já que Bolsonaro havia decretado que o trabalho doméstico era "essencial" e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara do PSB, acatou a decisão no Estado.

Assim como muitas mães que não tiveram com quem deixar seus filhos, Mirtes teve que levá-lo consigo ao trabalho.

Mirtes trabalhava para uma das famílias pertencentes a elite pernambucana. A patroa, Sarí Corte Real, era no momento também primeira dama da cidade litorânea de Tamandaré. Seu marido, Sergio Hacker, também do PSB, era então prefeito desta cidade.

No dia 02 de junho, ao ter que levar o cachorro da família para passear, Mirtes deixou seu filho aos cuidados da patroa, que o abandonou no elevador do prédio, apertando o botão que o levou ao nono andar, de onde caiu. Sarí Corte Real chegou a ser presa em flagrante por homicídio culposo, mas pagou uma fiança de vinte mil reais e foi liberada e responde em liberdade. Sabemos que se a situação fosse inversa, Mirtes - mulher negra, trabalhadora e pobre - estaria presa.

Durante todo o ano que passou até aqui, Mirtes segue em uma incansável luta por justiça e na próxima semana, quando se completa 1 ano sem Miguel, está articulando uma semana internacional com distintas atividades que remarcam a batalha pela justiça por seu filho, com lives e uma passeata que está sendo chamada na cidade de Recife.

Colocamos abaixo o link do chamado publicado diretamento por Mirtes em sua página do Instagram:

O racismo no nosso país se expressa de muitas maneiras e também mata de muitas maneiras. Seja pelas balas da polícia como assistimos agora em maio o terrível massacre em Jacarezinho no Rio de Janeiro, com 27 vítimas e que teve o aval do vice de Bolsonaro, General Mourão, que decretou que eram todos bandidos antes mesmo de terem sido identificados, mais uma óbvia mostra que este adorador da ditadura não pode ser uma opção para a classe trabalhadora e os setores oprimidos; o racismo nos mata sufocados sem oxigênio nas filas de UTI, nos mata com fome e desemprego, nos mata de depressão e pela negligência e descaso. Foi o racismo de Sarí que resultou no abandono de Miguel, ou alguém imagina a mesma cena ser possível com uma criança de sua família de elite ou com os filhos de suas amigas socialites?

Não podemos confiar na justiça burguesa, que tem um lado e é o dos patrões. No próprio caso Miguel, parte da atual batalha de Mirtes é pela anulação de uma oitiva em que chamaram as testemunhas para depor sem a presença dela e de seus advogados, como denunciamos aqui. A justiça da classe trabalhadora conquistamos com luta, com organização, ocupando as ruas com nossos métodos.

Sabemos que o sofrimento de uma mãe que perde seu filho em tamanha violência é incalculável. Desde o Esquerda Diário e o grupo de mulheres Pão e Rosas, estamos ao lado de Mirtes e lutamos todos os dias pelo fim deste sistema de miséria para que mais nenhuma mãe tenha que carregar esta ferida aberta que é a de perder um filho para a violência do racismo.




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