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PANDEMIA | Semana mais letal da pandemia: Bolsonaro e os governadores defendem o lucro e não a vida

O país está à beira do caos. Entre sistemas de saúde colapsando, contaminação e mortes aumentando, o negacionismo do governo de Bolsonaro e dos militares e a política demagógica dos golpistas e governadores resultou na semana mais letal desde o começo da pandemia no Brasil.

Giovana PozziCoordenadora Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)

segunda-feira 8 de março | Edição do dia

Imagem: Amazônia Real

Há semanas viemos noticiando recordes atrás de recordes na média móvel de mortes pelo coronavírus no Brasil. Dessa vez, mais um triste e escandaloso recorde para a conta de Bolsonaro: a última semana, do dia 28 de fevereiro até 6 de março, foi a mais letal desde o começo da pandemia. Foram registrados 10.104 novos óbitos, ultrapassando o número da semana anterior, registrada como a mais letal até então com 8.244 mortes.

O número de casos registrados também foi o maior nesta semana: 421,6 mil novos contaminados. E ao mesmo tempo que Bolsonaro dizia para a população parar de “mimimi e frescura”, o Brasil registrava quase 2 mil mortes em 24h. Isto é o equivalente a uma morte a cada 45 segundos por COVID-19 no Brasil: este é o resultado da política negacionista disseminada por Bolsonaro e pelos militares, com General Pazzuelo à frente.

Veja: Entre recordes de mortes por Covid, de desemprego e ataques: só nossa classe pode impor uma saída

Mas este show de horrores não é protagonizado apenas pelo governo federal, os governadores e todos os golpistas têm papel fundamental para estarmos nessa situação de calamidade. A semana mais letal da pandemia no país contou com lotação das UTIs em diversos estados brasileiros. No Mato Grosso já foi anunciado colapso e enviado pedido de socorro aos demais estados; em São Paulo foi registrado neste domingo (7) novo recorde de internados na UTI; no Rio Grande do Sul, a média móvel de mortes está aumentando há 10 dias seguidos; no Rio Grande do Norte, a fila de espera está 3 vezes maior que a quantidade de leitos de UTI críticos disponíveis. Estes são apenas alguns exemplos da situação caótica que as diversas regiões do país estão enfrentando.

Ao mesmo tempo, vimos nesta semana professores e professoras perderem suas vidas por conta da reabertura irresponsável das escolas, sem nenhuma condição sanitária, levada a frente pelos governadores e prefeitos. No auge de sua demagogia “a favor da vida”, Dória em SP, apesar de decretar bandeira vermelha, manteve as escolas abertas sem segurança aos professores e estudantes. Em Campinas, o resultado dessa política foi a morte de uma jovem de 13 anos. O governador Leite no RS não foge dessa demagogia, onde chegou a entrar na justiça para garantir a volta às aulas presenciais, mesmo com o estado colapsado e com professores vindo a óbito por COVID. A troca de farpas entre os governadores e Bolsonaro, que tentam se diferenciar da política negacionista do presidente, não passa de demagogia, já que na prática se negam a tomar medidas realmente eficazes contra a pandemia.

Pelo contrário, enquanto a pandemia se agudizou nesta semana, os governadores implementaram toques de recolher durante a noite, o que chamam de “lockdown”, para parecer que estão sendo consequentes frente ao aumento de casos e mortes. Mas a verdade é que esta medida é pensada para manter o lucro do grande comércio e das indústrias e, de quebra, ainda aumentar a repressão, e não para combater a pandemia. Em Belém, a repressão à juventude com o toque de recolher já está acontecendo. Durante o dia os trabalhadores seguem precisando se deslocar até seus locais de trabalho, pegando ônibus lotados, sem fornecimento de testes massivos e muito menos de vacinação.

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Novamente, mais pontos em comum com o governo de Bolsonaro do que o oposto: ambos seguem a agenda dos capitalistas, colocando o lucro à frente de nossas vidas. Nesse balaio também estão o Congresso e o STF, que planejam constantemente ataques aos direitos e às condições de vida dos trabalhadores, como vimos também nessa semana com a aprovação no Senado da PEC Emergencial, que irá precarizar ainda mais o serviço público. Tudo isso enquanto oferecem um auxílio emergencial completamente insuficiente, que está sendo debatido em torno de R$ 175 a 350, o que atualmente não supre nem metade do valor de uma cesta básica.

Para enfrentar essa situação caótica, não podemos confiar nem no negacionismo de Bolsonaro e militares nem no Congresso, STF ou governadores, todos eles já provaram nesse 1 ano de pandemia que não estão interessados em salvar a vida da população, mas apenas garantir o lucro dos grandes empresários. Por isso que a resposta contra eles e para combater a pandemia precisará vir da classe trabalhadora organizada de forma independente. Dessa forma seria possível implementar um plano de emergência que ataque o lucro dos bilionários para garantir vacinas, testes, leitos de UTI, quarentena racional e garantir a vida da população.

E para isso é necessário que a CUT e a CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB, saiam da paralisia e organizem os trabalhadores em cada local de trabalho contra Bolsonaro, Mourão e os golpistas, pela implementação de um plano de emergência com medidas reais que ataque o lucro dos capitalistas e enfrente a pandemia. Nesse 8 de Março a força das mulheres trabalhadoras e do conjunto da classe trabalhadora poderia estar colocada a serviço disso, como um marco de luta em meio ao cenário de crise que vivemos. Com a força das trabalhadoras da saúde é preciso vingar cada uma das mortes que a irracionalidade capitalista e o descaso de Bolsonaro e dos golpistas tiraram.

Veja fala de Letícia Parks no Encontro do Pão e Rosas sobre a construção do 8M e a nossa batalha para que esse dia fosse marcado pela luta contra Bolsonaro, Mourão e todos os golpistas.




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