Política

Sem timidez alguma, em chapa única, PT deve governar cidade do Paraná com vice do PSL

Para organizar ainda mais a derrota de qualquer saída dos trabalhadores, o PT segue com sua velha tradição de conciliação de classes e agora abrindo caminho para a extrema direita da qual faz parte Joice Hasselmann, Bolsonaro, evangélicos e os militares, um conjunto reacionário eleito em 2018 para atacar os trabalhadores neste regime do pós-golpe institucional de 2016.

segunda-feira 2 de novembro| Edição do dia

O município de Santana do Itararé, no interior do Paraná, terá um prefeito do PT, Zé Izac, e vice do PSL, Joaquim do Venerando. Embora trata-se de casos peculiares de única chapa concorrendo à uma prefeitura em uma cidade de 5.000 habitantes, nada é mais explícito da posição do partido do que a própria fala do atual candidato do PT quando este diz:

“Há uma crise instalada. Nós pensamos em conciliar no momento em que vivemos, com o povo passando dificuldades. Sabemos que há divergências entre PT e PSL, mas fizemos essa composição.”

Seria, no entanto, melhor dizer que, tomando a crise instalada pela extrema direita e pelos golpistas desde o STF ao Congresso Nacional, o PT atua no sentido de aprofundá-la se coligando a parlamentos do PSL em todo o país. Isto é, dizemos sobre o mesmo partido pelo qual Bolsonaro foi eleito e que esteve à frente de inúmeros ataques ao trabalhadores, com a aprovação da reforma da previdência, a MP 936, que suspendeu contratos e cortou salários durante toda a pandemia, e que hoje quer aplicar uma reforma administrativa que afetará com maior força os mais pobres, trabalhadores que dependem dos serviços públicos e o funcionalismo que não possui quaisquer privilégios, como é o caso dos trabalhadores dos Correios.

Veja mais sobre: PT coligado com PSL em 140 cidades: na contramão de qualquer combate à direita golpista

Zé Izac ainda declarou que a composição “teve que ser aprovada pela Executiva estadual do PT” antes de se tornar realidade, o que deu "um pouco de trabalho". Ora, mas que trabalho é esse que já vinha sendo realizado plenamente durante todos os anos que o PT governou o país? Segundo ele, "Tivemos que conversar com o nosso presidente estadual, o Arilson [Chiorato, deputado estadual]. Também falamos com a Gleisi [Hoffmann, presidente do partido] para que fosse aceita essa composição (...)”. Isto é, o PT, desde sua direção burocrática, está firmando, ao poucos, um aperto de mão com a mesma direita que protagonizou o Golpe de 2016, que veio a derrubar o próprio partido do poder para avançar com mais força nas reformas contra os trabalhadores.

De acordo com o diretório estadual do PT, a parceria “aprovada” pela executiva regional, assim como as demais candidaturas que o partido se coligou com a direita em outras 20 cidades no Paraná, ocorreu pelo fato de a realidade dos pequenos municípios ser diferente da nacional, o que também não passa de mais uma mentira para encobrir os inúmeros acordos com a direita, vide com o PSDB, que o partido fez ao longo de sua história. O que, na verdade, Zé Izac não conseguiu dizer é que no partido há uma divisão de tarefas, pois se, por um lado, Lula se apresenta contra o bolsonarismo, os parlamentares do PT aplicam reformas da previdência em seus estados, militarizam escolas, se aliam inclusive com militares da direita para as eleições, numa clara capitulação dos interesses de conciliar classes e preparar o terreno para novos ataques. Portanto, a linha diretriz do partido, a de fazer "composições" entre divergentes, não é devido a conjuntura, embora nela se explicite, mas é parte do DNA do PT.

Sem qualquer apoio a partidos que atuam pela conciliação de classes, como o PT fez durante seus 13 anos de administração do capitalismo, permitindo que durante sua gestão houvesse amplo espaço para a direita e setores mais reacionários (como latifundiários, militares, evangélicos) que aplicaram o golpe de 2016, a saída para esta crise instalada é pela auto-organização da classe trabalhadora com o princípio de independência de classe, para destruir as reformas aplicadas desde Temer a Bolsonaro, com um programa anticapitalista que questione o regime do golpe por completo, que faça imediatas as necessidade de atender aos interesses dos trabalhadores e lute por uma lei contra demissões, deixando de pagar a fraudulenta dívida pública e impondo pela luta uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para que sejam os trabalhadores, mulheres, negros, e todos oprimidos a escolher seus delegados e leis de acordo com suas próprias demandas.




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