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SAÚDE DO RIO DE JANEIRO

Sem salários há 2 meses, trabalhadores da saúde decidem paralisar por 48h e fazem ato de rua no Rio

terça-feira 10 de dezembro de 2019| Edição do dia

Nessa segunda (9), trabalhadores de diversas categorias da saúde pública do município Rio de Janeiro estiveram presentes na assembleia unificada que decidiu os rumos dessa importante luta contra os ataques do prefeito Marcelo Crivella.

Há dois meses a Prefeitura vem atrasando os salários das categorias das OSS, sendo que na última quinta-feira (5) o TST entrou com liminar que anulou a decisão do TRT do mesmo dia que garantia o arresto que pagaria os salários atrasados.

Na assembleia estavam presentes diversas categorias como enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais e outros trabalhadores da Atenção Básica à Saúde. Também estiveram entidades presente para saudar esta luta como o Centro Acadêmico de Serviço Social da UERJ, que está impulsionando uma campanha em apoio à luta da saúde.

Todas as categorias expressavam muita disposição de luta, e não apenas para defender o pagamento de seus salários, como também a defesa do SUS, que sofre um projeto em curso de desmonte com desinvestimentos e cortes no orçamento, o que prejudicará enormemente a população carioca, sobretudo das pessoas que moram em favelas e em comunidades carentes, em que pagar por um atendimento privado é impossível.

Das propostas votadas, a assembleia dos trabalhadores decidiu que terá uma paralisação total por 48h (terça e quarta) e paralisando 100% dos serviços, até a próxima audiência do TRT. Nos serviços de emergência e de internação a greve também continua, porém com 30% dos servidores trabalhando.
Em relação aos atos, votou-se pela mobilização em atos descentralizados amanhã (10), todos pelas 9h30 da manhã, no Hospital da Mulher Mariska, em Bangu e na quarta (11/12) no CER Leblon (Miguel Couto); e no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo e na Av. Brasil em frente à Gata do Irajá.
Na quarta (11) terá mais uma audiência no TRT, na Rua da Imprensa, no Centro, sobre o dissídio que julgará o atraso dos pagamentos, e foi votada a concentração dos trabalhadores a partir das 13h. No entanto, era bem evidente o descontentamento da grande maioria dos trabalhadores em relação à Justiça, em que era bem claro para todos que ela não está ao seu lado. Depois da audiência, às 15h terá mais uma assembleia unificada, em frente ao TRT mesmo, para decidir os rumos futuros da greve.

Também foram denunciados casos de assédio moral por parte de superiores aos grevistas nos hospitais Pedro Segundo, na Cruz Vermelha e no Albert Einstein.
Depois da votação das propostas, os trabalhadores seguiram pela Francisco Bicalho em direção à Rodoviário Novo Rio, parando completamente o trânsito e chamando a atenção da população na defesa da saúde pública e aos cortes em seus salários.

Sob as palavras de ordem como “O SUS é nosso, ninguém tira da gente. Direito garantido não se compra e não se vende”; e “Apaga a luz, acende a vela, começa hoje o enterro do Crivella!”, os trabalhadores também contagiavam outras pessoas, que mesmo num trânsito provocado pelo ato, não só pegaram os cartazes da campanha impulsionada pelo Esquerda Diário com as reivindicações da saúde, mas saudavam com buzinas e punhos em alto, pois sabem que esse prefeito é um mentiroso e um criminoso que deixa a população pobre e trabalhadora do Rio de Janeiro sem atendimento médico.

Por volta das 17h, o ato se dispersava na Rodoviária Novo Rio, porém com a certeza de que a luta continua até o pagamento integral dos salários atrasados e contra os cortes criminosos da Prefeitura de Marcelo Crivella à saúde pública.

O Esquerda Diário está apoiando esta luta, colocando seus recursos a disposição de divulgar e fortalecer a greve dos trabalhadores da saúde, de denunciar a realidade da saúde e chamamos a todos os trabalhadores da saúde e usuários a mandarem suas denúncias e depoimentos. Estivemos nos atos e estamos levantando uma campanha de cartazes para a qual chamamos toda a população a fazer parte também.




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