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Argentina | Seis medidas para enfrentar a crise: nós, trabalhadores, devemos assumir o controle

À medida que a crise se aprofunda na Argentina e no mundo, os grandes capitalistas querem ganhar ainda mais. O governo de Fernández e Kirchner não toma quaisquer medidas para enfrentar a especulação e a inflação. A classe trabalhadora tem que discutir como responder à crise com seu próprio programa. Este documento impresso pelo PTS, organização irmã do MRT e que impulsiona a rede Esquerda Diário na Argentina, será distribuído massivamente em locais de trabalho, bairros populares e locais de estudo do país vizinho. É urgente o debate sobre quais medidas são necessárias e como lutar por elas.

terça-feira 26 de julho | Edição do dia

A crise nacional na Argentina só piora. A renúncia de Martín Guzmán, ex-ministro da economia, foi a confissão de um fracasso. Como a esquerda antecipava, concordar com o FMI implicava aprofundar a crise e atacar a massa trabalhadora da população. Eles legitimaram a dívida ilegal deixada por Macri e estamos pagando as consequências de nos submetermos aos ditames do FMI e dos grandes capitalistas.

Guzmán foi substituído pela ministra Batakis. Suas primeiras decisões foram anunciar um plano de ajuste ainda mais duro para atender às demandas do FMI. Ajuste fiscal, aumentos tarifários, congelamento dos salários no Estado e medidas recessivas fazem parte do pacote anunciado.

Mas os “mercados” pedem ainda mais e é por isso que uma forte corrida cambial foi desencadeada com o aumento de dólares paralelos como o “blue”. As grandes patronais do campo apostam que haverá mais desvalorização para continuar acumulando lucros milionários. São os poderosos de sempre que enriquecem com a fome do povo.

Os empresários não param de subir os preços. A inflação de julho é a mais alta do ano e nos últimos 12 meses tivemos os maiores aumentos em 30 anos. Os preços sobem pelo elevador e os salários, pensões e planos sociais descem pelas escadas.

O governo está em crise. Alberto Fernández dedicou-se a administrar a herança de Macri sem reverter nada. Deixou intactos os interesses dos poderosos e aprofundou os ataques. O resultado está na cara: um país com mais de 17 milhões de pobres. Ele não cumpriu nenhuma de suas promessas. Cristina Kirchner foi quem escolheu Alberto Fernández sabendo que ele era amigo das grandes corporações. Mais tarde quis se diferenciar com um discurso, mas deixando os ajustes passarem e sem nenhum plano alternativo para sair do desastre, além do fato de que o kirchnerismo permanece com altos cargos ministeriais e governa a província de Buenos Aires.

A direita de Macri, Milei, Bullrich e Larreta não é uma opção: pedem ainda mais ataques. Eles querem trabalhadores sem direitos e que os empresários possam demiti-los como quiserem. Milei também propõe uma dolarização que seria uma mega desvalorização que liquidaria os salários.

A situação atual é de responsabilidade de todos os governos que nos trouxeram até aqui. Mas há outro caminho. Nós, trabalhadoras e trabalhadores, devemos assumir o controle. Somos nós que fazemos a indústria, o transporte, as empresas, os hospitais, as escolas funcionarem. Junto com a juventude e o movimento de mulheres, podemos ser uma força poderosa para virar a história de cabeça para baixo.

Importantes lutas operárias e populares já estão ocorrendo contra esse ajuste: lutas por salários e condições de trabalho, como as dos trabalhadores da indústria pneumática, da saúde e professores em diferentes províncias; também as lutas das organizações sociais independentes do governo, contra a fome e a criminalização dos protestos.

Mas as centrais sindicais olham para o outro lado. A CGT e o CTA kirchnerista estão brincando: chamam para uma marcha sem paralisação e lá para 17 de agosto. Chamam ela sem denunciar o papel do governo nesta catástrofe. Devem ser promovidas assembléias em todos os locais de trabalho para impor uma greve nacional e um plano de luta aos burocratas, na perspectiva de uma greve geral, para derrotar o plano de ajuste. Todas essas lutas têm que fazer parte de um plano da classe trabalhadora para que não nos façam pagar pela crise. Aqui propomos 6 medidas urgentes. Medidas que devem ser impostas com o desdobramento de uma grande força na luta. São eles ou nós. A tarefa está em nossas mãos.

SEIS MEDIDAS URGENTES

1. AUMENTO EMERGENCIAL de salários, aposentadorias e programas sociais. Atualização automática: os preços sobem, sobem os salários.

Os salários devem ser defendidos contra a desvalorização. Desde 2015, o poder de compra caiu, no mínimo, mais de 20%. Agora, com a corrida cambial, a situação está piorando na Argentina.

Ninguém pode ganhar menos do que a cesta básica: $105.000 em junho. Isso é um apartamento. Os trabalhadores do INDEC calcularam em maio que precisa-se de $161.624 no mínimo para viver com dignidade, pagando aluguel. Hoje é mais. Por isso é preciso impor aumentos automáticos mês a mês: sobe a inflação, sobe a remuneração.

2. NACIONALIZAR O COMÉRCIO EXTERIOR e as grandes empresas do AGRONEGÓCIO sob administração dos trabalhadores

O comércio exterior é dominado por alguns grandes monopólios que regulam preços e vendas de acordo com seus lucros. Usam portos privados para todo tipo de manobras ilegais e ficam com milhões de dólares. São também alguns monopólios que detêm a maior parte da produção e venda de alimentos. Esses setores pressionam pela desvalorização e são responsáveis ​​pela remarcação permanente e frequente dos preços.

É preciso estabelecer o monopólio estatal do comércio exterior. Que seja um órgão do Estado que regule o que é importado e o que é exportado, evitando fraudes empresariais. Que opere sob administração operária para evitar a corrupção. Como parte disso, os portos devem ser nacionalizados.

É preciso enfrentar seriamente a especulação capitalista. As grandes empresas do agronegócio pressionam por uma desvalorização e aumento de preços para garantir seus lucros, mesmo à custa da fome popular. Comitês de trabalhadores e consumidores devem ser promovidos para controlar a inflação. Expropriar toda empresa que especule ou faça manipulações para aumentar preços.

3. TRABALHO GENUÍNO PARA TODAS E TODOS: redução da jornada de trabalho: 6 horas, 5 dias por semana, sem redução dos salários. Plano nacional de obras públicas a serviço das necessidades populares.

Precisamos reduzir a jornada de trabalho para criar postos de trabalho genuínos. A aplicação dessa medida em apenas 12.000 grandes empresas criaria 1.000.000 de empregos. Ninguém pode ganhar menos do que o custo da cesta básica familiar. Este é um primeiro passo para distribuir as horas de trabalho entre todas as pessoas em idade e condições de trabalho. Além disso, deve ser imposto um plano nacional de obras públicas, que esteja controlado pelos trabalhadores e a serviço das necessidades populares.

4. Nenhum reajuste tarifário: NACIONALIZAR OS SERVIÇOS PÚBLICOS sob o controle de seus trabalhadores

Os serviços públicos devem ser direitos básicos da população, não um negócio para uns poucos. Precisamos acabar com as privatizações, nacionalizando os serviços públicos e a produção de hidrocarbonetos. Criar um sistema energético nacional integrado, sob a administração de seus trabalhadores e controlado pelos usuários de setores populares e movimentos ambientalistas. Dessa forma, podem ser garantidas tarifas acessíveis para o povo trabalhador e a melhora do serviço, garantindo o cuidado com o meio ambiente.

5. FORA FMI. Não-reconhecimento soberano da dívida. Basta de roubarem o país.

Devemos deixar de reconhecer a dívida ilegal com o FMI. É uma farsa: só serviu para Macri fazer campanha eleitoral e para empresários realizarem fuga de dólares. Não-reconhecimento soberano da dívida com o Fundo.

6. NACIONALIZAR O SISTEMA BANCÁRIO

Em meio à crise e graças à especulação, os grandes bancos continuaram ganhando fortunas. Agora fazem parte dos que pressionam pela desvalorização e, além disso, organizam a evasão fiscal e a fuga de capitais que beneficiam os grandes empresários. Em mãos privadas, o sistema bancário serve para afundar ainda mais os trabalhadores. O sistema bancário e financeiro deve ser nacionalizado, formando um único banco público, gestionado por seus trabalhadores e trabalhadoras. Isso permitiria controlar e regular muitas áreas que dependem dos bancos para funcionar. Este sistema garantiria crédito barato para acesso à habitação, microempresas ou pequenas empresas atingidas pela crise. Essa nacionalização cuidaria dos depósitos dos pequenos e médios correntistas.

POR UM GRANDE PARTIDO SOCIALISTA DA CLASSE TRABALHADORA

Todas as forças políticas que governaram nas últimas décadas nos trouxeram para esta crise que está afundando o país na decadência. Todos defenderam e defendem os interesses dos grandes capitalistas. É por isso que a classe trabalhadora precisa de seu próprio partido. Um partido que impulsione a luta por um programa para que os grandes empresários paguem pela crise.

Neste suplemento propomos algumas medidas urgentes e necessárias para evitar uma crise social maior. Os empresários vão rejeitá-las e resistir a elas. E essa resistência exigirá uma luta muito mais ampla e profunda dos trabalhadores. Uma luta que deve levar à conquista de um Governo dos trabalhadores e do povo pobre que socialize os meios de produção e que, planejando democraticamente a economia, comece a desenvolver uma transformação socialista que garanta a solução das demandas das grandes maiorias, como parte de uma luta internacional dos trabalhadores e povos oprimidos do mundo.

Se essas ideias lhe parecem boas, convidamos você na Argentina a se organizar junto com o PTS na Frente de Esquerda e dos Trabalhadores Unidade (FITU) em nossas assembleias abertas. No Brasil, nessas eleições o MRT vem impulsionando essas ideias através de suas candidaturas dentro do Polo Socialista e Revolucionário, defendendo uma política de independência de classe no terreno eleitoral que levante a necessidade de organizar a luta da classe trabalhadora e dos setores oprimidos contra o governo de extrema-direita de Bolsonaro e dos militares, mas rechaçando o caminho de conciliação com a direita como apresenta a chapa Lula-Alckmin, à qual a maioria do PSOL aderiu.


Lutemos juntos, empregados e desempregados: que a CGT e o CTA convoquem uma greve e um plano de luta

Por Raúl Godoy, operário de Zanon, dirigente do Movimento de Agrupações Classistas (MAC).

Enquanto as patronais vêm impondo suas demandas com várias medidas de ação, os dirigentes sindicais continuam de braços cruzados e são cúmplices do ajuste. Não apoiam aqueles que saem para levantar suas reivindicações e ignoram os setores mais precários e informais.

Devemos apoiar as lutas, cercá-las de solidariedade e buscar coordená-las para que tenham mais força. As lutas da classe trabalhadora, as da juventude estudantil por condições de estudo, as do movimento de mulheres, as lutas pelo meio ambiente. Devemos buscar garantir que nenhuma fique isolada. Além disso, é preciso avançar na unidade entre a classe trabalhadora formal, a precária e a desempregada. É uma necessidade estratégica. Se lutarmos juntos teremos mais força para alcançar todas as nossas reivindicações.

Temos que exigir que a CGT, a CTA e seus sindicatos convoquem um plano de luta que comece com uma greve geral. Como vão chamar uma marcha para 17 de agosto e "contra ninguém"? Têm que romper com a subordinação ao governo. Que convoquem assembléias em cada sindicato. Porque isso se enfrenta nas ruas e nos locais de trabalho. Se aqueles de nós que fazem o país funcionar se levantarem, podemos derrotar o plano do FMI.




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