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RECIFE | Segue superlotação nos transportes no primeiro dia da quarentena restritiva em Recife

Tanto o metro quanto ônibus amanhecem com superlotação no primeiro dia de quarentena restritiva na capital de Pernambuco. A medida, que deveria servir para frear o pico da segunda onda da covid-19, segue lançando centenas de milhares de trabalhadores para contaminação e para as filas de internação nas UTIs.

quinta-feira 18 de março | Edição do dia

Em meio ao pico da segunda onda, momento que tem sido considerado o pior já registrado no Brasil desde o início da pandemia no ano passado, atingindo o recorde de 285 mortes diárias na terça desta semana, os transportes públicos de Recife seguem lotados, mesmo após a medida de quarentena restritiva aplicada sob a responsabilidade do governador Paulo Câmara (PSB). Uma realidade nefasta que não é diferente de outras grandes metrópoles brasileiras.

A situação de superlotação dos transportes públicos em Recife, governada pelo PSB há oito anos, e que segue sendo através de João Campos, já era desumana mesmo antes da pandemia. Nos horários de pico a população é espremida entre as portas de vagões lotados, movida exclusivamente pela necessidade elementar de chegar ao emprego e garantir o ganha pão de suas famílias. São homens, mulheres, jovens, idosos e crianças comprimindo seus corpos para que mais e mais pessoas possam entrar estação após estação.

Este cenário de completo descaso e desprezo para com a população se torna ainda mais bárbaro diante da pandemia, onde todos os canais da grande mídia e a comunidade científica orienta o distanciamento social como precaução básica para evitar o contágio. Neste contexto, a máscara de pano no rosto das pessoas apenas revela o risco certo ao qual estão expostos.

Ainda assim, durante toda a pandemia, que já se completa um ano, essa realidade não mudou, nada foi feito para modificá-la, ao contrário, foi implantada redução das frotas, sem contratação de profissionais e dos efetivos para impedir as aglomerações. Há relatos de pessoas que tiveram de esperar 20 minutos pelo trem na estação de Jabotação. Enquanto isso Paulo Câmara autoriza a repressão policial nas periferias com o toque de recolher, sob a cínica justificativa de evitar a aglomeração.

Essa hipocrisia apenas revela que não existe de fato nenhum interesse por parte dos governadores de salvar a vida dos trabalhadores diante da pandemia. Fábricas de produtos irrelevantes para o combate à pandemia e centrais de telemarketing seguem funcionando como se fossem atividades essenciais. Não existe dúvida de que a esmagadora maioria das mortes diárias são de trabalhadores e seus familiares, enquanto a única coisa que realmente interessa ser salva pelos capitalistas e seus representantes políticos são seus lucros milionários.




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