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Vestibular UERJ | Saiu a classificação para UERJ: Assim como nas Olimpíadas, as medalhas são muito pouco pra nós

Os corações acelerados, as ligações para compartilhar a comemoração com as pessoas que tanto deram apoio, a felicidade para muitos, de ser o primeiro ou um dos poucos familiares que entraram na universidade pública do Estado do Rio de Janeiro, é um sonho se realizando. A notícia chegou para os vestibulandos da UERJ nesta segunda-feira. Noticia esta que para muitos não foi como desejava. E isso não é culpa dos vestibulandos.

Luísa MatosMilitante da Juventude Faísca e Estudante de Serviço Social da UERJ

quarta-feira 11 de agosto | Edição do dia

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Acabamos de acompanhar as Olimpíadas, gritamos, torcemos, choramos e nos identificamos com os atletas que em meio às dificuldades do Brasil se viram vitoriosos com as medalhas. Ao mesmo tempo fomos marcados pelas posições e questionamento de que essa competição é pouco mensurável a tamanha grandiosidade das milhares de Martas, Rayssas, Bia Ferreira que têm por aí e o quanto daqueles milhares de anônimos que por não garantirem medalhas passam anônimos. O vestibular, em meio a essa sociedade capitalista que mantém as universidades a seu serviço, é também reflexo do quanto se desperdiça e escolhe quem pode adquirir e produzir conhecimento. Para os que entram, medalhas que têm que ser muito comemoradas mas ao mesmo tempo milhares de mentes e corpos brilhantes estão de fora.

A UERJ, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, divulgou o resultado de sua prova na manhã de ontem. Essa prova era pra ter ocorrido em 2020. A crise da saúde, porém, obrigou a Reitoria da UERJ a adiá-la 4 vezes, por medidas óbvias de segurança sanitária. A mudança da data também foi acompanhada por mudanças na estrutura do mesmo: passaram a ser 60 questões objetivas e redação, durante 5 horas. Há de se demarcar que a "preocupação" da Reitoria tem o seu limite e diz muito sobre como ela é parte de manter a universidade com todas as contradições capitalistas.

Leia mais: Precisamos de assembleias de base para construir o dia 11 nas universidades

Manteve intacto o filtro social que é o vestibular. Para disputar as insuficientes 5.700 vagas para a UERJ, 38 mil pessoas se inscreveram (um número bem baixo em relação aos outros anos) e significativos 34% (12,9 mil) faltaram. Esses dados nos remetem a imagem de um funil: cada vez mais estreito para determinados setores. As cotas e a permanência estudantil, implicam numa maior entrada de negros, pobres e indígenas na universidade. Fruto e conquistas unicamente de muita luta, a qual hoje cabe a nós defender e ir por mais.

Assim como nos “esportes modernos” inseridos nessa lógica capitalista a meritocracia é pregada a todo custo. Na Universidade essa lógica perversa também entra em cena, deixando milhares de jovens e adultos que sonhavam com a Universidade fora dela.

É preciso de uma universidade que esteja na mão dos trabalhadores e assim a serviço de toda classe trabalhadora. Isso passa por hoje darmos a batalha contra os responsáveis por atacarem as universidades e a vida da classe trabalhadora de conjunto. Bolsonaro e Mourão são centrais de se varrer.

Dentro das mais de 550 mil mortes por Covid, do crescente desemprego, da violência policial e da fome, quem são os 34% que faltaram? Quem são as pessoas que nem sequer conseguiram ter tempo para estudar para o vestibular?

Tais questionamentos não cabem dentro das medidas de adiamento e mudança no vestibular. Para que a universidade pública esteja a serviço e com a livre entrada dos filhos da classe trabalhadora, hoje há uma condição de vida concreta no capitalismo que não permite isso, e o filtro social que é o vestibular é um desses motivos.

De uma felicidade e sede em desfrutar da universidade, nós da Faísca damos boas vindas à todes q conseguiram furar esse maldito filtro social e achamos que fazer parte da UERJ é também participar com voz e voto em cada curso, através das assembleias. Para isso se faz necessário um movimento estudantil combativo, antiburocrático, que exija do DCE (dirigido pelo PT, PCdoB, Levante) que se coloque a serviço de construir nos cursos. Pela garantia da universidade pública a serviço da classe trabalhadora desde já!

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