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LULA E STF

STF anula processos de Lula, mas não podemos confiar nos golpistas e esperar até 2022

Diante das últimas decisões no STF que mantêm a elegibilidade de Lula, não podemos achar que as soluções e o combate ao Bolsonaro e à miséria de vida virão das ações dos golpistas e das eleições de 2022. É preciso confiar nas nossas próprias forças, que as centrais sindicais rompam com sua paralisia e busquem unificar a resistência dos trabalhadores.

sexta-feira 16 de abril| Edição do dia

Imagem: Fellipe Sampaio/SCO/STFF

Nesta quinta-feira, 15, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou o recurso da Procuradoria Geral da República (PGR) que buscava reverter a anulação das condenações de Lula, mantendo a decisão do ministro Edson Fachin que torna o ex-presidente Lula apto para participar das eleições.

Na sessão, oito ministros votaram pela rejeição do recurso, estando entre eles os ministros Fachin, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso, que não estava na reunião e entrou pelo celular no último instante para poder votar. Os três ministros Nunes Marques, Marco Aurélio Mello e o atual presidente do STF, Luiz Fux, votaram pela aceitação.

Não há dúvidas de que todo o processo da Lava Jato das condenações e prisão de Lula, foram extremamente arbitrárias e com interesses políticos por trás. Justamente por isso que não podemos agora cair de olhos fechados no colo do STF, confiando nesta justiça parte do regime político que desde o golpe institucional de 2016 demonstra arbitrariedade ao tomar decisões no rumo político do país.

Nesta semana o STF vem demonstrando seu retorno como protagonista no cenário político brasileiro. Seja com a votação que referendou a legibilidade de Lula, seja também com a implementação da CPI para investigar Bolsonaro e suas políticas de condução da pandemia da Covid-19. Entretanto, não podemos confiar e acreditar que serão estes ministros da alta cúpula do judiciário que, ao tentar se pintar de democráticos e imparciais, buscarão solução e alternativas ao governo Bolsonaro que com seu negacionismo vem condenando milhares à morte pela Covid-19 todos os dias.

Leia mais: Não é com CPI do STF golpista que derrotaremos Bolsonaro, mas com a luta dos trabalhadores

Esses mesmos ministros, privilegiados e que nunca foram votados por ninguém para ocuparem seus cargos, foram atores fundamentais do golpe institucional orquestrado em 2016 com claros interesses políticos e econômicos. Atualmente, alguns setores se colocam como uma suposta oposição ao governo Bolsonaro e buscam pressioná-lo e adestrá-lo para garantir que o projeto econômico de reformas e ajustes será prioridade e irá passar.

Em nome deste plano e interesses econômicos, deixar uma possibilidade de caminho aberto a Lula nas eleições de 2022 não é uma ameaça, contando que o petista e seu partido não busquem tirar as prioridades da agenda, o que já vem se demonstrando, seja com as declarações de Lula acenando para empresários, projetos de privatização, perdão aos golpistas e aliança com partidos burgueses; seja com a oposição que o PT vem fazendo a Bolsonaro, deixando seu governo sangrar, mantendo paralisadas todas as entidades que dirige, as grandes centrais sindicais como a CUT, e apostando na saída eleitoral de 2022, em que Lula tendencialmente aparece como alternativa.

O movimento e estratégia que vemos por parte do PT e de Lula é perdoar todas as arbitrariedades cometidas pelo judiciário e todo o regime político, focalizando como inimigo exclusivo o lava jatista Sérgio Moro. Quando na verdade o STF, através de medidas autoritárias, não só foi um dos atores do golpe institucional em 2016, mas também foi um dos pilares das eleições de 2018 ao retirar os direitos políticos de Lula, sequestrando o voto de milhões de pessoas, inclusive com a anulação de títulos de eleitor, pavimentando assim o caminho para a vitória de Bolsonaro na presidência. Tudo isso demonstra o absurdo do PT e de Lula agora confiarem na justiça do STF.

As mortes pela Covid seguem batendo recordes diários, o desemprego, o corte de direitos e condições trabalhistas dignas, a alta do preço dos alimentos, a precariedade de vida, tudo isso segue crescendo e afetando a classe trabalhadora, as mulheres, negros e a juventude. Não podemos esperar até 2022.

Confiar no STF, nas saídas institucionais que esperam passiva e esperançosamente por 2022, não é um combate verdadeiro ao Bolsonaro, ao regime político golpista e ao plano de ataques que eles vêm nos impondo e querem seguir descarregando sobre nossas costas, deixando os lucros dos grandes empresários intocados.

Por isso, é preciso confiar nas nossas próprias forças e organização. No próximo dia 20, trabalhadores de diversas áreas do transporte e distintas cidades do país estão indicando greves, paralisações e ações, além disso, vemos trabalhadores resistindo, como em Taubaté contra as demissões da LG e suas fornecedoras.

Diante desse cenário e dessa necessidade de organizar nossa força é que as centrais sindicais precisam sair da paralisia e unificar todas essas lutas e polos de resistências que vêm despontando pelo país, tornando dia 20 de abril um dia nacional de lutas.

Leia nosso editorial: Unificar os focos de resistência: que as centrais sindicais construam um dia nacional de lutas no 20 de abril

É através da unidade dos trabalhadores, de nossa mobilização que poderemos enfrentar Bolsonaro, os militares, as arbitrariedades e autoritarismos do judiciário e todo o regime do golpe institucional, com uma saída política independente, como uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para que a população decida sobre os problemas estruturais que amargam hoje, atendendo às necessidades que sentem e anulando todos os ataques que vieram descarregando sobre suas costas.




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