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ELEIÇÕES 2020 SP

Russomanno e Bolsonaro: aliança reacionária para fazer você pagar a conta da crise

Na primeira eleição pós emergência do bolsonarismo, uma grande questão na eleição municipal de São Paulo é quem seria o candidato na cidade à altura do reacionarismo de Jair Bolsonaro. Além do peso estratégico da cidade, a disputa é determinante para Bolsonaro por ser o reduto de um declarado concorrente às eleições, o não menos reacionário e antigo aliado, governador João Doria.

quarta-feira 30 de setembro| Edição do dia

Depois de um período de especulações, com o presidente alegando que manteria distância das eleições, Bolsonaro fincou de vez terreno na disputa aparecendo junto a Russomanno em foto após a realização de cirurgia na cidade.

Nenhuma surpresa com a escolha, o apresentador da TV Record é do partido Republicanos (ex-PRB), braço político da Igreja Universal do Reino de Deus, e que abriga os filhos do presidente. Além disso, como atual deputado federal Russomanno é vice líder do governo Bolsonaro na Câmara.

Leia mais: Mais 8 motivos para não votar em Celso Russomanno

Dessa forma, se repete a aliança Bolsonaro-Universal que no Rio de Janeiro já mostrou todos os estragos que é capaz de fazer sob a prefeitura de Marcelo Crivella. Russomanno não é pastor, mas já mostrou todo seu comprometimento com o mesmo fundamentalismo religioso de Crivella na política e o reacionarismo do bolsonarismo elegendo o lema "Deus, pátria e família" para sua candidatura.

Russomanno mostra que seu eixo de campanha será batalhar pelo eleitorado de extrema direita, centrando seu discurso na área de segurança pública para dialogar com o público que deseja resolver todos os problemas sociais na base do chumbo, ou seja, da violência e da repressão policial aos setores mais vulneráveis da população. Além dessa medida, tem também centrado seu discurso na proposta de implementação de escolas cívico-militares, proposta que é a menina dos olhos de Bolsonaro.

Outro cabo eleitoral com qual Russomanno poderá contar é Paulo Skaf, o lobbista da burguesia paulista que entrou de cabeça no bolsonarismo, e pretende conquistar os votos do empresariado paulistano para o republicano. Para agradar a burguesia, Russomanno conta com o currículo de quem votou a favor da reforma trabalhista e da previdência, para mostrar que na Prefeitura seguirá os ataques aos trabalhadores.

O apadrinhamento de Bolsonaro a campanha de Russomanno pode ser uma faca de dois gumes, pois na capital paulista a rejeição ao presidente reacionário é de 46%, bem acima dos 34% registrados no país. Da mesma forma, o privatista e demagógico governador do estado, João Doria cabo eleitoral do atual prefeito Bruno Covas (PSDB), também nutre uma grande rejeição com 39% de reprovação ao seu governo.

Esses números mostram que ainda que polarizada à direita essas eleições paulistanas, com Russomanno e Covas a frente das pesquisas, existe forte repúdio por parte dos trabalhadores às posições reacionárias e privatistas de Bolsonaro e Doria. Não à toa, o candidato do PSOL Guilherme Boulos capitaliza esse espaço à esquerda, aparecendo em terceiro lugar.

Esse repúdio da população a essas posições políticas reacionárias, ao fracasso tanto de Bolsonaro quanto de Doria ao combate da pandemia, que por vias diferentes produziram milhares de mortes e sacrificaram os trabalhadores em nome do lucro dos empresários via reaberturas, mostram que essas eleições transcendem o caráter municipal sendo preciso elevar o combate a direita e à extrema direita denunciando todo o regime responsáveis pela catástrofe da crise sanitária e que se aliam nos ataques a classe trabalhadora. A Bancada Revolucionária dos Trabalhadores, que disputa essas eleições a vereador na cidade por meio de filiação democrática no PSOL, coloca toda a energia de sua campanha militante a serviço desse combate ao conjunto das forças desse regime podre, que se degrada cada vez mais.




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