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Rodrigo Pacheco, os clubes empresa e a privatização da paixão pelo futebol

Em entrevista recente à rádio Radio Super 91.7 FM o Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) apoiado por Bolsonaro, diz que o projeto de sua autoria visando transformar os clubes de futebol em empresas será pautado no mês de Março e que espera consenso pela aprovação.

quinta-feira 25 de fevereiro| Edição do dia

(foto: Alan Santos/Presidência da República)

Não é de hoje que se discute a transição dos clubes de futebol no país do modelo de associação civil sem fins lucrativos para o modelo dos “clubes-empresa”. Nada mais, nada menos do que tornar os times, paixão de milhões de torcedores pelo país, em Sociedades Anônimas (S/A) compostas por acionistas que adquirem o direito de ditar os rumos do clube não pela participação e eleição dos sócios, como é de costume. Mas sim pela quantidade de dinheiro investido e da posse de ações.

Um mecanismo antidemocrático e que garante a gestão dos times não para o futebol, mas sim para o lucro desses acionistas, e como é de costume nessa sociedade capitalista transformando num verdadeiro “vale-tudo” por dinheiro. O caso mais emblemático é o do atual Red Bull Bragantino (antigo Clube Atlético Bragantino) que teve sua história, emblema e cores completamente desfigurados fazendo do time uma verdadeira propaganda ambulante. Ainda que não tenha se tornado uma Sociedade Anônima propriamente, todos os títulos de sócios do clube foram comprados por uma subsidiaria da RB que aguarda aprovação do projeto no Congresso para efetuar a transição de fato, mas que na prática já passa a ser controlado pela empresa que definiu seu “CEO” e as diretrizes do time.

Atualmente existem dois projetos em discussão no Congresso Nacional em estágios avançados de tramitação. Um deles o do Deputado Federal Pedro Paulo (DEM-RJ) que prevê facilitações aos clubes para a transição ao regime de Sociedade Anônima convencional, e o de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) que prevê a criação de um regime societário específico: a Sociedade Anônima do Futebol (SAF). É provável que se busque alguma fusão dos projetos para acelerar a votação que já está no Senado Federal, e ainda que pesem as diferenças dos dois a essência se mantém a mesma.

Essa essência é a de entregar para os ricos capitalistas a tradição do esporte mais popular entre os trabalhadores, a tendência é vermos cada vez menos o show do futebol, com as histórias, rivalidades, particularidades de cada clube. Mas uma massa mais ou menos homogênea que serve aos empresários enquanto dá dinheiro, isso sem contar no precedente absurdo para casos de corrupção e desvio de verba. Um verdadeiro prato cheio para esse dirigentes não eleitos chupinharem os times, saírem com os bolsos cheios e deixarem estragos gigantes.

Atualmente já é previsto em lei a possibilidade da adoção desse regime societário das S/A’s e constam registrados um total de 83 clubes-empresas, contando com times como o Botafogo do Rio, rebaixado novamente e atualmente nenhum desses clubes disputa sequer a série B nas divisões nacionais. Na Europa, por mais que se pinte um cenário de melhoria do futebol com a adoção desse modelo, clubes tradicionais como o Valência da Espanha – que vive uma crise sem precedentes, com troca de donos e instabilidade impressionante – ou até mesmo o Sunderland – clube inglês que recentemente foi comprado por um bilionário de 23 anos – foram destroçados por esses sanguessugas, tendo nesse último caso levado o clube a cair para a terceira divisão.

Não distante do restante da dura realidade que enfrentamos no Brasil da pandemia esse novo marco no futebol é reflexo do fortalecimento do “Centrão” (afinal ambos projetos são encabeçados pelo DEM), que por sua vez acompanha o avanço do autoritarismo em nosso regime político e combinado a outras medidas como a Reforma Trabalhista, da Previdência, a retirada de direitos de maneira generalizada, tem como objetivo permitir que esse antro – já muito lucrativo aos tradicionais cartolas e dirigentes – seja ainda mais voltado para o lucro dos capitalistas arruinando a vida dos trabalhadores em todos os aspectos possíveis: do trabalho ao lazer.




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