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Paralisação no Espírito Santo | Rodoviários do Sistema Transcol paralisam suas atividades por retorno dos cobradores no ES

Na manhã dessa sexta-feira (10), rodoviários do Sistema Transcol paralisaram suas atividades em protesto ao retorno dos cobradores aos ônibus, que estão afastados de suas funções desde o início da pandemia, em maio de 2020. A categoria também havia anunciado paralisação de 100% dos ônibus na segunda-feira (13), mas foi suspensa.

sábado 11 de setembro | Edição do dia

Nessa sexta-feira (10), rodoviários do Transcol paralisaram suas atividades até as 7h em protesto ao retorno dos cobradores aos postos de trabalho. Também realizaram uma manifestação na quinta-feira (9), onde os trabalhadores fizeram uma passeata da Avenida Vitória até o Palácio Anchieta, no centro da cidade de Vitória.

O protesto também se deu pelo atropelamento da fiscal Márcia Helena de Jesus, no domingo (5), no Terminal de Laranjeiras, na Serra. Tal acidente poderia ser evitado caso tivesse a presença de cobradores no local, que além de receber dinheiro e dar o troco, também são indispensáveis na hora de orientar os motoristas nas manobras e na garantia de segurança das pessoas que circulam dentro e ao redor dos ônibus.

“A população não está de surpresa. Já cansamos de fazer passeatas e não fomos ouvidos. Quem tem responsabilidade com a população é o governo do estado. Vou deixar um recado mais uma vez para a população. Se os cobradores não voltarem, nós vamos parar o sistema definitivamente. Os motoristas estão sendo perseguidos, trabalhando todo dia com problema”, disse Valdeci Laurindo, diretor financeiro do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário do Espírito Santo (Sindirodoviários).

Não é a primeira vez que os trabalhadores cobram o retorno dos cobradores aos ônibus e realizam manifestações, como a paralisação que fizeram em abril deste ano contra o atraso de salários e a greve contra a ameaça de demissão de 4 mil trabalhadores em 2019. Essa categoria, que movimenta a cidade todos os dias, nunca parou, nem na pandemia. Muitos adoeceram, se expuseram, perderam suas vidas, tudo sem ganhar nada por isso, em transportes lotados. Extinguir os cobradores só vai tornar o trabalho do motorista ainda mais complicado, esmagando a vida das pessoas em benefício do lucro dos empresários.

Essa situação absurda só demonstra que os transportes públicos nas mãos de empresários não serve aos trabalhadores e nem a população. Se os ônibus fossem públicos geridos pelos próprios membros da empresa em aliança com os usuários, os transportes seriam pensados a partir das necessidades das pessoas e não de um punhado de empresários. Os trabalhadores da Carris que protagonizaram forte greve no Rio Grande do Sul contra a privatização deram exemplo de mobilização contra um ataque patronal.

A Ceturb-ES e a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) tentam justificar a suspensão das atividades dos cobradores pelas medidas adotadas com o protocolo de enfrentamento à pandemia. O secretário da Semobi, Fábio Damasceno, justifica a “não necessidade da função do cobrador propriamente dentro do ônibus” pelo avanço da tecnologia. Além disso, também afirmou que entrará na justiça para que não ocorra as paralisações novamente.

Os rodoviários haviam programado uma nova paralisação de 100% das frotas a partir de meia-noite de segunda-feira (13), através de um vídeo divulgado nas redes sociais pela diretoria do Sindicato dos Rodoviários, mas foi suspensa a pedido do presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), Erick Musso, que prometeu negociar com o governador do Estado. Entretanto, os trabalhadores afirmaram que poderão retomar os protestos e paralisação caso o governador não atenda a categoria e promova o retorno imediato dos cobradores afastados.

As nossas vidas valem mais que os lucros deles! Todo apoio à paralisação dos rodoviários.




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