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Extinção dos cobradores | Rodoviários de Porto Alegre denunciam assédio da patronal para aceitar dupla função

As denúncias enviadas por rodoviários ao Esquerda Diário escancaram o absurdo dos assédios cometidos pela patronal. O objetivo é forçar com que os motoristas assinem um termo para uma dupla função: dirigir e cobrar. Tudo para atender sua própria sede de lucro, que com a autorização do governo Melo fechará mais de 3 mil postos de trabalho, jogará os cobradores no desemprego e vai precarizar muito o trabalho dos motoristas.

sábado 4 de junho | Edição do dia

Na esteira do golpe de 2016, uma série de ataques vem sendo desferidos contra o conjunto dos trabalhadores do país. Não são raros os casos de absurdos intermináveis oriundos da patronal que não cansa de massacrar o trabalhador.

Os abusos vão desde redução de salário sem redução de jornada, até mesmo a "justa causa" aplicada por empresas que usam de fraude administrativa pra rescindir contrato de trabalho sem pagar os direitos dos funcionários.

Desta vez a denúncia vem dos trabalhadores da empresa de transporte coletivo de Porto Alegre, Trevo TC. A mesma empresa que vem se beneficiando das MPs de Bolsonaro, que reduziu linhas e horários durante o auge da pandemia, que reduziu o salário dos trabalhadores com a anuência do sindicato cuja a direção está de joelhos para a patronal, agora obriga motoristas a aceitar um aditivo no contrato de trabalho que prevê que o motorista trabalhe sem cobrador, acumulando as duas tarefas e colocando os passageiros em risco visto que a carga de trabalho refletirá obviamente no desempenho do trabalhador durante a jornada.

Os efeitos da política aplicada de forma a atender diretamente o interesse da burguesia, são devastadores ao povo trabalhador.

Acontece que a Câmara de vereadores de Porto Alegre, liderada pelo bolsonarista Melo e sua corja de aliados, aprovou em 2021 a extinção do cargo de cobrador de ônibus. Em tese, critérios para a execução total do projeto seriam respeitados pelas empresas, mas o que vem acontecendo é que empresas como a Trevo estão acelerando rumo a extinção total dos cobradores, muito antes do que seria o previsto no projeto que garantia o emprego de todos até 2025 e que as mudanças seriam graduais.

A empresa Trevo tem usado com frequência as MPs de Bolsonaro, que colocam os trabalhadores no chamado layoff, onde os cobradores são afastados e recebem através de recursos liberados pelo governo federal. Ou seja, a empresa adotou um método de ganhar, seja demitindo, seja empurrando pra fora da empresa, colocando os cobradores na layoff.

A empresa, segundo os relatos que chegam, está abusando do poder e forçando os motoristas a assinarem o termo de contrato, sob extrema ameaça e vigilância. A idéia de que após a reforma trabalhista os trabalhadores teriam algum "poder de negociação" com o patrão, mais uma vez se mostra que é uma farsa. Isso não existe quando a relação de poder é totalmente desigual e onde o sindicato da categoria os abandona a própria sorte.

Já tem casos de acidentes graves na categoria, ocorridos em ônibus tripulados sem o auxílio dos cobradores, cujo o projeto de Sebastião Melo fez questão de deixar de lado, colocando o lucro dos empresários em primeiro lugar.

A empresa Trevo há muito tempo é denunciada pelos trabalhadores pelos abusos que comete. É a uma das empresa de transporte que mais tem processos no judiciário trabalhista

Os trabalhadores não aguentam mais, pedem socorro, pedem justiça, pedem a volta dos seus companheiros cobradores, querem o fim dessa regra que sobrecarrega o motorista em troco de trocados, enquanto a "economia" na folha de pagamento gerada pela retirada dos cobradores se converte em mais lucro.

Nos colocamos ao lado dos rodoviários da Trevo contra os ataques do patrão e de Melo! Reforçamos que a única via de derrotar esse ataque é com os trabalhadores apostando em suas próprias forças e se organizando em cada garagem da cidade para lutar contra mais esse ataque patronal que tem em suas raízes toda a política neoliberal aplicada por Bolsonaro e seus agentes como Melo e vereadores como a comandante Nádia, defensora ferrenha do projeto que vitimou milhares de famílias dos rodoviários.




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