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Rio Grande do Sul vive pior momento da pandemia diante do descaso de Eduardo Leite

O Rio Grande do Sul vive agora o seu pior momento na pandemia, com regiões do estado alcançado a bandeira preta do mapa preliminar pela primeira vez. Enquanto isso, os governos seguem negligentes, com o governador Eduardo Leite buscando limitar o investimento em saúde e Bolsonaro declarando que estamos chegando ao fim da pandemia.

sábado 12 de dezembro de 2020| Edição do dia

Imagem: Governo do estado do RS

Os indicadores apontaram que na última semana houve um aumento de 14% nas hospitalizações em decorrência da Covid-19 no estado, levando ao maior número desde o início da pandemia. Também a ocupação dos leitos de UTI é a mais alta, além do aumento de 15% das mortes - 409 vidas que se perderam na última semana.

O sul do estado é a área mais crítica, com as regiões de Bagé e Pelotas sendo identificadas com risco epidemiológico altíssimo - a bandeira preta. É a primeira vez desde maio que cidades chegam a esse nível, um resultado do vertiginoso aumento de contágios e de redução de vagas na UTI. Essa macrorregião sul compreende 28 municípios e corresponde a 9,3% da população gaúcha.

A região de Pelotas foi a que mais registrou óbitos, com um aumento de quase 50% de uma semana a outra. Também teve redução pela metade dos leitos de UTI livre. O resto do estado - outras 19 regiões - encontram-se sob a bandeira vermelho, com a exceção de Cruz Alta, na bandeira laranja.

Esse mapa preliminar não é ainda definitivo, os municípios ainda podem questioná-lo até domingo. As reconsiderações serão analisadas e o resultado definitivo será divulgado na próxima segunda, com as restrições passando a valer a partir da terça, 15.

Se o Rio Grande do Sul hoje alcança tal situação tão absurda, a responsabilidade é do governo de Eduardo Leite. É resultado das políticas de Leite que buscou reabrir a economia sem se preocupar com os trabalhadores e população, sem a realização de testagem massiva da população para isolar os doentes, pelo contrário, expondo-os ainda mais nos transportes lotados daqueles que nunca puderam manter distanciamento, e com seus decretos que retiravam as restrições mesmo diante do avanço das contaminações.

Agora, como se fizesse um escárnio com a vida da população, Leite quer congelar os investimentos em saúde e outros serviços públicos essenciais com sua PEC da Teto dos Gastos estadual. Essa proposta implica em um enorme ataque aos direitos dos trabalhadores e da população, enquanto mantém intactos os super-salários e privilégios dos políticos.

Na capital Porto Alegre a situação não é diferente. Em meio aos mais altos números de contágio, internações e mortes, sob a bandeira vermelha, o prefeito aliado de Leite, Nelson Marchezan, acaba de demitir mais de 500 trabalhadores da saúde. Um verdadeiro ataque aos trabalhadores antes chamados de “heróis”, e um enorme descaso com a vida da população.

O Rio Grande do Sul encara seu pior momento, mas não é apenas no sul, mas no país inteiro que a pandemia ganhou nova força, mesmo sem nunca ter se enfraquecido totalmente. Leite e Marchezan, ambos do PSDB, tentam se diferenciar de Bolsonaro, mas todos atuam contra os trabalhadores, aprovando ataques e leis que facilitam demissões e precarizam ainda mais a vida dos trabalhadores. Diante do crescente número de mortes no estado, o que eles querem é somente que sejam esses trabalhadores a pagar pela crise, com seus empregos e suas vidas.

É urgente um programa para de fato responder imediatamente essa crise sanitária, garantindo a testagem massiva da população, conversão dos leitos dos hospitais privados em públicos, além de garantir um tratamento de qualidade para todos os testados positivos que apresentem sintomas; além da proibição das demissões durante a pandemia e a readmissão de todos os demitidos.




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