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Abuso de poder | Revoltante: GCM de São Paulo joga produtos e marmita de ambulante no chão

Jovem relata que enquanto ele pausava para almoçar em Bertioga, duas viaturas chegaram dizendo que ele “perdeu”, jogando tanto a marmita quanto os produtos que ele estava vendendo na rua. O prejuízo do ambulante foi de R$800 em meio à pandemia, crise, fome e desemprego pela qual atravessa o país.

terça-feira 26 de outubro | Edição do dia

No carrinho do jovem trabalhador havia mandioca, milho quiabo e outros produtos que estava vendendo para poder sobreviver. Ele diz que se sentiu “humilhado”, não é para menos visto o absurdo da situação que se repete nos quatro cantos do país contra quem vê no trabalho ambulante a única forma de sobreviver. Ferraz conta que até sua máquina de cartão e cadeira que usava para almoçar foram jogadas na rua.

Em entrevista para A Tribuna ele conta:

“Os fiscais estavam me observando do outro lado da rua. Eu entrei na padaria para comprar um marmitex e almoçar. Eu saí e sentei na cadeira. Estava começando a comer e apareceram duas viaturas da Guarda Municipal. Desceram já colocando a mão na mercadoria, falando que eu ‘perdi’. Jogaram o marmitex, viraram a cadeira, e minha comida ficou no chão. Muito constrangedor passar por essa situação. Foi muito humilhante a situação, eu estava trabalhando. A gente discutiu, eles saíram e o lixo ficou no chão. Me deixaram lá de mãos abanando”.

Ferraz conta que havia vendido R$50 e usou metade para comprar a comida e um refrigerante, os guardas vieram e o deixaram com R$800 de prejuízo. Ele relata que saiu de casa as 6h da manhã de Mogi das Cruzes (SP) onde não conseguiu um emprego, e foi para Bertioga vender seus produtos e ajudar no sustento da casa.

Depois desse episódio revoltante e que acontece com frequência tanto pelas Guardas Municipais quanto pela própria polícia, ele não teve como voltar para casa e ficou andando pelas ruas de Bertioga pedindo dinheiro para comprar uma passagem para voltar. E ainda tem que arrumar dinheiro para pagar as mercadorias que foram estragadas. O amigo de André que também é ambulante relata:

“Não é fácil. Só para chegar lá é um gasto, pois pagamos frete. Aí vamos na esperança de voltar com nosso lucro. Porém, para quem vende nas ruas, às vezes é ‘um dia pelo outro’. Passar por isso é horrível. É humilhante ser tratado como lixo. Em um feriado, no mesmo lugar que meu amigo estava, me tomaram tudo e tive R$900 de prejuízo. Falei para eles irem atrás de bandidos, mas não adiantou”.




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