Sociedade

MISÉRIA CAPITALISTA

Retrato capitalista: Sem alimentação, menina envia carta a papai Noel pedindo leite e pão.

Em carta endereçada a Papai Noel, jovem de apenas oito anos pede leite e pão para a sua família que passa por necessidades.

Kleiton Nogueira

Doutorando em Ciências Sociais (PPGCS-UFCG)

sábado 21 de novembro| Edição do dia

Fonte da imagem: Agência Brasil

A chegada do mês de Dezembro é bastante funcional para o capitalismo. As lojas se enfeitam, filmes são exibidos na TV aberta no qual a vida estadunidense é estimulada. As cores, os presentes e as fotografias de ceias fartas em belas casas aconchegantes povoam o imaginário das massas desprovidas desse acesso.

Podemos ver um retrato dessa desigualdade através do fato de que a classe trabalhadora, que tudo produz, fica apenas desejando o consumo de elementos básicos como uma alimentação de qualidade, pelo menos uma vez ao ano.

Esse anseio foi materializado em carta escrita pela jovem estudante Emanuelle Cristina da Cunha Cardoso, de apenas 8 anos de idade. A carta em questão estava endereçada a Papai Noel e o seu conteúdo pedia, segundo matéria do Portal G1, leite para o irmão mais novo e pão para a família que mora na cidade de Anápolis, a 55 km de Goiânia:

Papai Noel, eu queria muito ganhar uma caixa de leite para o meu irmãozinho. Queria ganhar muito pão para a gente tomar café, porque tem dia que a gente não toma café porque não tem nada.

A carta foi escrita, segundo o G1, pela criança na Quianta-feira (19 de Novembro). Ao portal G1 a criança relatou que pensou em seu irmão caçula, que tem apenas 4 anos de idade, e que segundo a garota, sofre quando não consegue tomar leite na mamadeira.

Se meu irmão está sem mamadeira, ele chora. Pedi leite para a gente tomar também, porque quando a gente ganha, se não for muito, a gente deixa para ele.

A família de Emanuelle vive de doações, sua mãe relatou que a menina viu uma campanha na televisão e teve a atitude de escrever uma carta, embora ainda não tenha entregado para ninguém:

Ela viu na televisão que os Correios já estão entregando as cartinhas para o Papai Noel e me perguntou se podia fazer. Ela escreveu que queria pão e leite. Fiquei surpresa, deu um aperto no coração. Aqui a gente quase não toma café. Só quando tem doação

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Desempregada, a mãe de Emanuelle enfrenta dificuldades financeiras, devido a pandemia, não pode deixar seus filhos na creche. A mulher também comenta que vive uma situação difícil de ausência de alimentos e contas de água e energia atrasadas. Cabe destacar que o Brasil também passou por um aumento considerável no preço de alimentos básicos como trigo e arroz, elemento que influência no aumento da cesta básica das famílias pobres do país.

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Esses relatos, que a princípio podem parecer casos isolados, na verdade tomam boa parte da população brasileira, que vive um alto grau de desemprego de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. As estatísticas do órgão revelam que mais de 12 milhões de brasileiros e brasileiras estão desempregados, além dos mais de 5 milhões que desistiram de procurar emprego e são enquadrados como desalentados pelo IBGE.

Fonte: IBGE

Esse quadro se aprofunda com a redução do auxílio emergência para parcelas de R$ 200,00, e com uma quadro pandêmico que não mostra sinais de melhoria e com os constantes ataques que o governo vem infligindo contra a classe trabalhadora através de contrarreformas, como a tralhalhista, previdenciária e administrativa.

A carta dessa jovem representa a mais clara noção de que o capitalismo não é um modo de produção que beneficia a todos e todas, e que pelo contrário, reproduz desigualdades de forma que, em pleno século XXI tenha pessoas que não conseguem acesso à alimentação de qualidade.É necessário lutarmos contra essa estrutura, questionar o regime e a forma como nos organizamos em sociedade para que jovens como Emanuelle tenham total acesso, não apenas ao pão, mas também à poesia como diria Leon Trotsky.




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