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Retomemos a luta de outubro: um ano após o início da rebelião popular, não esqueceremos os mortos

Personalidades, estudantes, trabalhadoras e trabalhadores, estão realizando chamados à mobilização nesta semana, principalmente no domingo, 18 de outubro, um ano após o início da revolta no Chile "contra os 30 anos" de herança da ditadura. Sobram motivos, começando pela absurda impunidade que reina no país. São esperadas milhares de pessoas nas ruas.

sexta-feira 16 de outubro| Edição do dia

Diante da passividade da “oposição”, nos mobilizamos nesta sexta-feira, 16, e domingo, 18.

O clima é de tensão. Milhares de pessoas são esperadas em todo o país no aniversário número um da rebelião popular. O governo Piñera está se preparando com 67% dos funcionários dos carabineros (instituição policial do Chile) posicionados nas ruas, e fazem só duas semanas que a polícia quase assassinou um jovem chamado Anthony, que foi empurrado no rio Mapocho, alimentando a presença das massas nas ruas e confrontos.

Mas não é só o Governo que quer um 18 de outubro tranquilo e o menos custoso possível. Às portas do plebiscito do dia 25, todos os partidos do regime, incluindo, também, a Frente Ampla e o Partido Comunista, desejam um processo pacífico, da ordem e sem o protagonismo das mobilizações. Foi isso que o deputado da Convergência Social-FA, Gabriel Boric, deixou claro ao afirmar ser contrário as mobilizações para esta data.

Boric, “assim como o deputado do PPD, José Miguel Insulza, chama à não mobilização um ano após o início da rebelião popular no Chile. Enquanto o Governo respondeu com uma repressão brutal, tentando assassinar um menor. A ’oposição’, desde a Frente Ampla à antiga Concertación, tem desempenhado um papel totalmente desmobilizador, tentando conduzir as massas à passividade. Diante disso, temos que tomar um caminho totalmente oposto, buscando retomar o caminho que Outubro e que a greve geral de 12 de novembro abriu, retomando a luta pelo fim da herança da ditadura militar, pelo fora de Piñera, e pela conquista de uma verdadeira Assembleia Constituinte Livre e Soberana para que os trabalhadores decidam", afirma em um vídeo Dauno Tótoro, dirigente do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PTR) - partido irmão do MRT no Chile.

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Néstor Vera, médico do Hospital Regional de Antofagasta, também se manifestou poucos dias depois do primeiro aniversário da rebelião, e pediu mobilização: “Faz um ano que milhões de nós saímos para questionar a herança da ditadura; uma herança que se vê claramente na saúde, onde um punhado de empresários de clínicas privadas se tornam milionários à custa da privatização da saúde, enquanto os trabalhadores ganham saúde pública precária ”, denúncia o profissional.

Nas palavras do profissional de saúde, o Governo “tem tido uma forte linha repressiva contra todos nós que nos mobilizamos, com mais de dois mil que foram processados e centenas de presos políticos (...) Portanto, um ano após a revolta, nós, trabalhadores da saúde, convocamos à mobilização ”.

De acordo com a opinião de Josseffe Cáceres, dirigente das e dos trabalhadores ex-pedagogos e porta-voz do grupo de mulheres e diversidade sexual Pão e Rosas, o governo Piñera e os partidos tradicionais “nos fazem acreditar que não temos razão para nos mobilizar e, para piorar, Gabriel Boric, que faz parte da Frente Ampla, parte da ’oposição’, diz que dia 18 de outubro nós não temos que sair às ruas. Temos motivos de sobra para tomar a Plaza Dignidad e todas as praças de nossas comunidades. Sabiam que a promotoria abriu processo contra Anthony, o jovem secundarista lançado no Rio Mapocho pela polícia, com plena impunidade?”

O convite da trabalhadora é para “levantarmos uma grande força para podermos conquistar uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, e abrir caminho para derrubar a herança da ditadura, que tem precarizado nossas vidas”.

Os estudantes do ensino médio de Valparaíso, militantes da agrupação estudantil Vencer, também fazem uma convocação para mobilizar nesses dias e, principalmente, no dia 18 de outubro. Uma das jovens critica duramente o deputado Gabriel Boric por declarar ser contra a mobilização: “Boric diz que não é o momento de sair à rua, como se tivesse sido o ’momento’ quando pactuaram com a direita, assim poupando Piñera, ou quando votaram as leis repressivas que nos custaram a morte, centenas de mutilados e centenas de presos políticos ”.




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