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Resistência, MES e UP votam por poupar Mourão em assembleia na UFMG

Em assembleia, essas organizações votaram contra incluir fora Mourão como parte da faixa unificada do bloco da UFMG no ato.

Odete AssisMestranda em Literatura Brasileira na UFMG

sexta-feira 28 de maio | Edição do dia

Na terça-feira, dia 25, foi realizada uma assembleia geral de estudantes, professores e técnico-administrativos da UFMG, como fruto dos debates da assembleia se aprovou ao final que no dia 29 de maio, os estudantes, professores e trabalhadores da universidade irão às ruas defendendo o seguinte conteúdo: "Unir estudantes e trabalhadores contra os cortes, as privatizações e as reformas! Fora Bolsonaro e Mourão! Vacina para todos!". A assembleia também aprovou um chamado a UNE e as Centrais Sindicais para organizarem um plano de luta unificado, no qual o dia 29 deve ser uma primeira demonstração nas ruas, mas que precisa ser construído na base, com centenas de assembleias com voz e voto.

Defender essas bandeiras pode parecer ponto pacífico para muitas pessoas, já que nelas estão contidas perspectivas de como de fato podemos organizar nossa luta para fortalecer os atos do dia 29, e para enfrentar os ataques que estão em curso, como os cortes na educação, a reforma da administrativa e as privatizações. Ainda mais se tratando de uma assembleia de estudantes, professores e trabalhadores de uma das principais universidades federais do país, que diante dos novos cortes do governo vai ter quase 40% do seu orçamento reduzido, afetando sobretudo os trabalhadores terceirizados e a permanência estudantil. No entanto, organizações como Afronta-Resistência e Juntos-MES, ambas do PSOL, e o Correnteza-Unidade Popular, votaram contra essas propostas. O Correnteza e Afronte fizeram falas defendendo contra a inclusão de Mourão na consigna, usando como justificativa o argumento de que a unidade que vinha sendo construída estava em torno da pauta do Fora Bolsonaro.

A lógica que leva a querer poupar um militar defensor da ditadura, que declarou que todos os assassinados pela chacina de Jacarezinho eram bandidos, só pode ser explicada pelo fato de que a política defendida por essas organizações é bastante adaptada as instituições desse regime golpistas e não busca preparar uma resistência séria da classe trabalhadora e da juventude. O que pode parecer absurdo, se torna perfeitamente compreensível quando vemos que essas organizações defendem o impeachment como saída política para crise no Brasil, defendem que precisamos ir às ruas e colocar toda nossa mobilização a serviço de pressionar que o teatro da CPI da Covid, com políticos do calibre de Renan Calheiros e Omar Aziz, leva a abertura de um processo de impeachment de Jair Bolsonaro. Ou seja, uma saída que é justamente colocar Mourão no poder pela via das instituições que nos atacam, como é o congresso nacional. A unidade que seria rompida nesse caso é aquela com os partidos burgueses e da direita, que agora estão contra o negacionismo de Bolsonaro na pandemia, mas sempre defenderam seu projeto econômico de ataques e até mesmo sua reacionária política contra negros, mulheres, indígenas e LGBTs. Essa unidade é a que na verdade divide nossa classe e mantém a paralisia.

O que se complementa com a recusa em votar o chamado para que a UNE e as Centrais Sindicais, que são dirigidas majoritariamente pelo PT e PCdoB parem com sua criminosa política de manter isolados os processos de resistência que vem acontecendo em todo país e façam do dia 29 o pontapé inicial de uma grande plano de lutas construído pela base, com milhares de assembleias com direito a voz e voto em todas as categorias de trabalhadores e também nas universidades e escolas do país. Enquanto essas burocracias defendem que é preciso esperar 2022 e trabalham contra a unidade realmente imprescindível: entre estudantes e trabalhadores, para massificar os atos do dia 29 e seguir um plano de luta para colocar abaixo os cortes, privatizações e reformas. A postura das correntes de esquerda mostram sua enorme impotência para de fato construir uma oposição que possa superar essas burocracias e retomar nossas entidades como ferramentas de luta para todos os estudantes e trabalhadores que vem mostrando sua disposição de lutar agora.

A aprovação dessas pautas só se deu como produto de uma profunda discussão pautada em primeiro lugar pela militância da juventude Faísca e independentes, que fizeram essas discussões nos seus cursos, como foi na votação da assembleia dos estudantes das Artes Visuais (LINK). Um intervenção que desde o primeiro momento buscou apresentar como a unidade que precisa ser construída é a dos estudantes, trabalhadores e professores para defender os trabalhadores terceirizados que serão duramente afetados pelos cortes, para se colocar lado a lado com os trabalhadores da educação municipal em greve contra Kalil e o retorno inseguro das aulas, dos petroleiros da Petrobrás Biocombustíveis, da luta dos servidores municipais de Belém que estão se enfrentando contra os ataques de uma prefeitura do próprio PSOL, com apoio da UP.

O chamado aprovado pela assembleia da UFMG e a pauta com que nos colocaremos nas ruas no próximo sábado é um importante ponto de apoio para seguirmos nossa luta, construindo fortemente as mobilizações do dia 29, como parte de exigir um plano de lutas organizado desde a base em todas as universidades, escolas, fábricas, entre os trabalhadores do transporte, da saúde e também dos terceirizados, dos entregadores de aplicativo e dos movimentos sociais. E justamente por isso, teremos que ir às ruas para lutar por fora Bolsonaro, Mourão e os militares, mas também contra o Congresso e no STF golpistas. Por isso, é que desde a Faísca Anticapitalista e Revolucionária e do Movimento Revolucionário de Trabalhadores, defendemos que como a força da nossa luta deve servir não para pressionar que a CPI abra o impeachment, nós defendemos um governo operário dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo, mas como experiência das massas com a democracia burguesa e como forma de se chocar contra as instituições do regime golpista que vivemos defendemos a necessidade de lutar por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, representantes eleitos que possam decidir pela revogação das reformas, pelo fim da Lei de Teto de Gastos, pelo não pagamento da dívida pública, e outras medidas para que sejam os capitalistas que paguem pela crise.




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